NARRADO POR SERENA Os dias que se arrastaram depois daquela confissão dilacerante no quarto foram marcados por uma neblina fria de exaustão, silêncio absoluto e uma confusão imensa, um nó cego no peito que não me abandonava por um único segundo. A minha mãezinha continuava lutando bravamente, do jeito dela. Ela dormia a maior parte do tempo, embalada e anestesiada pelo efeito dos remédios fortes que agora, milagrosamente, conseguíamos comprar na farmácia do bairro. Ela respirava de forma muito fraquinha, com o peito subindo e descendo devagar, mas ainda estava presa a este mundo, ainda apertando a minha mão com força sempre que abria os olhos cansados. Eu não arredava o pé do lado daquela cama. A minha vida inteira se resumiu àquelas quatro paredes com infiltração, medindo a febre na test

