NARRADO POR SERENA O quarto mergulhou em um silêncio denso e absoluto assim que a minha mãe terminou de falar. O esforço sobre-humano que ela fez para confessar a verdade nua e crua sobre o meu pai pareceu esgotar até a última e preciosa gota de energia que ainda lhe restava no corpo frágil. Ela apertou os meus dedos uma última vez, os olhos castanhos transbordando um misto de dor pela revelação e de um alívio profundo por ter tirado aquele fardo da alma. A sua respiração, antes ofegante e desesperada, foi se tornando pesada, arrastada, mas um pouco mais calma. — Descanse, mãezinha... por favor, não fale mais nada. Durma um pouquinho, eu estou aqui com a senhora, não vou sair do seu lado — eu sussurrei, com a voz completamente embargada, passando a toalhinha úmida no rosto dela com toda

