NARRADO POR LUCAS O clima na Nova Esperança tava pesado, um ar denso pra c*****o, sufocante, que cheirava a pólvora velha, maconha barata, esgoto a céu aberto e medo puro. Os dias tavam se arrastando numa lerdeza irritante desde que eu sentei a b***a na cadeira do QG e botei a coroa de ouro e o ferro do meu irmão na cabeça. Mas o papo reto é que a favela inteira não tava sabendo lidar com o novo regime. O fluxo nas bocas de fumo caiu pela metade, despencou bonito. Os playboys do asfalto tavam com o cu na mão de subir o morro pra comprar o flagrante, porque o rádio-peão rodou na velocidade da luz: o novo dono da boca não tinha simpatia, não desenrolava com ninguém, não dava boi e não passava a mão na cabeça de morador folgado. A pista tava secando. O dinheiro no cofre já não era a mesma mo

