— Patrão, já peguei a visão. Vou meter o pé, fazer a ronda na parte alta, bater nos becos e conferir os contenção da entrada. Qualquer fita torta, qualquer movimentação estranha, eu chamo no radinho na mesma hora — Jorge falou rápido, num tom estritamente profissional, abaixando a cabeça e metendo o pé. Assim que o Jorge virou a esquina da viela, sumindo no meio dos vapores e da poeira que subia do asfalto, o Lucas deu um passo pra frente, saindo da sombra da laje. O moleque tava com aquela marra de sempre, inconfundível. Camisa de time colada no corpo, um cordão de prata grosso pendurado no pescoço que brilhava no sol do meio-dia, e um cigarro aceso no canto da boca. Ele soltava a fumaça bem devagar, cerrando os olhos contra a claridade, enquanto dava aquele sorriso de canto, um sorriso

