Capitulo 98

1489 Words

O trampo no depósito do Seu Zé naquele dia não foi serviço de ser humano; foi castigo de presidiário jogado no inferno. Eu joguei a minha carcaça estropiada no modo automático, desliguei a mente e deixei o demônio da força bruta tomar o controle de cada músculo. O sol rachava o coco no asfalto, um mormaço asfixiante subia do cimento batido e estalava na minha cara igual a bafo de fogueira, mas eu não recuei um único milímetro. A cada saca pesada de cinquenta quilos de areia e cimento que eu erguia e jogava no ombro rasgado, eu tentava esmagar, na base da porrada e do suor, a lembrança maldita do beijo da Serena e a voz do fantasma da Larissa que continuava assombrando a p***a do meu juízo. O suor escorria grosso, lavando a poeira cinzenta e entrando nos cortes abertos e infeccionados da m

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