NARRADO POR BENJAMIM O sol m*l tinha acabado de rasgar o negrume do horizonte, e a neblina densa e cinzenta ainda descia preguiçosa sobre a extensão da restinga, quando eu já estava ali, largado e imóvel na areia gelada e úmida daquela praia deserta. O barulho estrondoso das ondas revoltadas quebrando com força bruta nas pedras ecoava sem parar dentro da minha cabeça, mas aquele som da natureza não chegava nem perto da p***a do barulho ensurdecedor que a minha própria neurose estava fazendo. Eu estava sentado na areia com os cotovelos apoiados pesadamente nos joelhos, as mãos calejadas, grossas e cravadas de resquícios de cimento cobrindo inteiramente o meu rosto. A brisa salgada e cortante batia direto no meu couro cabeludo, mas o suor frio e viscoso que escorria pelas minhas têmporas nã

