NARRADO POR JORGE A caminhada pela mata fechada e escura na encosta do morro foi uma prova de fogo infernal, um teste sádico que esmigalhou cada centímetro da minha carcaça já moída. A cada passo arrastado que eu dava na lama escorregadia e traçoeira, o meu corpo inteiro doia por dentro. A costela fraturada estalava a cada respiração mais funda, e o sangue seco e empedrado do meu supercílio e do nariz torto insistia em reabrir, pingando sem parar na gola cinza do meu moletom. O desgraçado do Lucas achou que tinha me transformado em lixo inútil e me jogado para apodrecer na sarjeta, mas o cachorro velho aqui ainda tem dente afiado para morder a jugular de quem cruzasse o meu caminho. Eu sabia perfeitamente que não podia procurar nenhum hospital clandestino na Nova Esperança. O morro intei

