Eu franzi a testa, tentando manter a leveza, mas não compreendendo aonde ela queria chegar. — O trabalho não me diminui, Carla. É daqui que eu tiro o sustento para mim e para a minha mãe. Ela bufou, revirando os olhos, cruzando os braços de um jeito quase indignado. — Ah, qual é? Eu sei da tua mãe. A coroa tá doente, maior função cuidar dela, gasta mó grana, não sai da cama. Serena, se fosse eu no teu lugar, com a tua idade e a tua beleza, eu já tinha colocado ela num asilo, numa clínica dessas do governo, sei lá! Ia viver a minha vida, curtir, arrumar um cara com grana que me bancasse, botar um biquíni e ir pra praia! Tu tá enterrando a tua juventude pra ser enfermeira de uma pessoa que nem tem mais conserto! O ar pareceu faltar nos meus pulmões por uma fração de segundo. As palavras

