Capitulo 16

1293 Words

O sol já estava a pino, inclemente, e o calor refletia intensamente no asfalto castigado da rua quando dobrei a esquina para chegar à pequena lavanderia da Dona Zélia. Minha amiga era uma daquelas mulheres de fibra inabalável, daquelas que a vida definitivamente não poupou das maiores dificuldades, mas que, ainda assim, mantinha um sorriso largo e aberto, mesmo com as mãos calejadas, enrugadas e esbranquiçadas pelo trabalho sem fim com sabão, água sanitária e tanques cheios de roupas alheias. Ela me viu de longe, através do vapor que subia das máquinas, e, antes mesmo que eu me aproximasse da porta, já foi limpando um canto na bancada de ardósia com um pano úmido, um gesto de carinho silencioso e habitual para que eu pudesse apoiar o meu peso. — Sena, minha menina! Achei que você não foss

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