Capitulo 15

834 Words

Voltei a andar pela calçada, agora com a cabeça erguida e o peito transbordando de uma luz radiante. Focar na minha missão de cuidar do próximo era a minha cura diária. O meu próximo destino era a pequena relojoaria do Seu Antunes, que ficava a duas quadras dali. Ele era um senhorzinho de oitenta anos, de cabelos ralos e brancos como algodão, que consertava relógios antigos em uma lojinha escura e empoeirada. Ele vivia sozinho desde que a amada esposa falecera, e a minha visita diária era, quase sempre, a única conversa de verdade que ele tinha o dia todo. Quando empurrei a porta de vidro da relojoaria, o sininho de latão tocou suavemente, anunciando a minha chegada. O ambiente cheirava a metal polido, óleo de máquina, tempo guardado e saudade. — Com licença, Seu Antunes! Olha quem chego

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