O que foi que eu acabei de fazer?
Saí do quarto dele com as pernas bambas, o coração em disparada e uma pergunta martelando dentro da minha cabeça: Cecília, você enlouqueceu?
Aceitei o convite de um homem que m*l conheço. Um homem com uma aura intensa, dominadora... perigosa.
E mesmo assim, aceitei.
Não foi medo o que senti quando o vi. Foi curiosidade.
Era como se aquele olhar dele, sombrio e certeiro, enxergasse até o que eu mesma escondia de mim.
Ele era lindo. Alto, com uma presença que ocupava todo o ambiente. A voz grave, o olhar escuro... E havia algo nele — algo no jeito como me observou, como falou — que me puxava para perto.
Um ímã de mistério e perigo.
Hoje é minha última noite no hotel. Amanhã, eu volto para a rotina, para os livros, para a correria da universidade e o aluguel atrasado.
Então, por que não?
“É só um jantar, Cecília. Nada demais.” — eu repetia para mim mesma.
Quando o turno terminou, fui com Zoe para o refeitório dos funcionários. Pegamos nossos pratos e nos sentamos como sempre, dividindo comida, risadas e reclamações sobre hóspedes barulhentos.
Foi então que soltei, como quem não quer nada:
— Acho que vou sair hoje à noite.
Zoe me olhou com a boca cheia, quase engasgando com o suco.
— Sair? Com quem?
— Com um hóspede… o da suíte presidencial. Aquele que chegou no domingo. Dante.
Ela largou o garfo com um baque.
— Dante? — repetiu, arregalando os olhos. — Dante Morelli?!
— É… ele se apresentou assim. Por quê?
Zoe quase gritou.
— CE-CÍ-LI-A! Você tá me dizendo que o homem que te convidou pra jantar é o Dante Morelli?
— Eu não sei quem ele é. Só sei que é... muito bonito.
— "Muito bonito?" — ela me imitou, escandalizada. — Amiga, você conheceu o homem mais perigoso e desejado da Itália! O Don da máfia italiana! O comandante da Camorra! O homem que manda nesta costa inteira com um estalar de dedos!
Eu pisquei, confusa.
— Espera. Você tá dizendo que aquele homem é da máfia?
— Não da máfia qualquer, querida. Ele é o chefe da máfia! O nome dele é tipo lenda. Rico, poderoso, assassino, frio... c***l. E um verdadeiro deus grego!
Arregalei os olhos. A imagem que eu tinha dele não combinava com "assassino". Tudo bem que havia uma arma no quarto, mas... ele parecia tão calmo. Quase gentil.
— Ele não me pareceu c***l — murmurei.
Zoe me encarou, chocada.
— Claro que não! Ele usa o charme como arma! É assim que ele domina tudo — com aquele olhar fatal, aquele cabelo penteado de propósito e aquela voz... ai, aquela voz...
— Zoe! — interrompi, rindo. — Para de babar!
— Me deixa! Eu tô emocionada! — Ela se abanava com o guardanapo. — Você não tá entendendo. Você não só conheceu o Dante Morelli. Você vai jantar com ele.
— Só um jantar. Só isso. — Cruzei os braços, tentando parecer firme.
— Só um jantar? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Amiga... você é virgem.
Gelei.
— E daí?
— E daí? — ela repetiu. — E SE ele te convidar pro quarto e depois?
— Ele só convidou pro jantar. Não pro sexo. — Digo.
Zoe bufou.
— Cecília... você é tão inocente que às vezes eu duvido que somos amigas. O homem te convidar pra jantar já é o aviso. Não é jantar… é preliminar. Ele vai querer muito mais.
— Zoe!
— Olha só — ela se inclinou, baixando o tom como se estivesse me contando um segredo precioso —, se é pra perder a virgindade, que seja com o Dante Morelli! Não é todo dia que você pode dizer que foi deflorada pelo homem mais cobiçado da Itália. Você tem noção do currículo desse homem? Se existe uma chance de fazer história, é essa.
— Você é completamente louca.
— E você é completamente cega! — Ela riu. — Mas é por isso que nos damos tão bem.
Ela segurou minha mão, com aquele sorriso traquina de sempre.
— Agora levanta. Vamos pro quarto. Você vai estar deslumbrante hoje. O Dante nem vai te reconhecer. Vai te ver e cair de joelhos.
— Zoe…
— Shhh… Não discute. Hoje você vai brilhar. E eu vou te ajudar a ficar mais gata do que nunca.
No quarto, Zoe virou uma verdadeira estilista de emergência. Revirou malas, achou um vestido que nunca usei — justo, mas elegante —, passou maquiagem em mim com mãos experientes, e ainda fez um penteado improvisado com os grampos que viviam perdidos no fundo da bolsa.
Quando olhei no espelho, quase não me reconheci.
— Uau… — sussurrei.
Zoe me abraçou por trás, sorrindo.
— Cecília Monteiro… essa noite, você vai parar o coração do Don da máfia.
Eu ri nervosa, o estômago já cheio de borboletas.
Mas dentro de mim… havia algo mais.
Uma faísca.
Uma sensação de que aquela noite não seria apenas um jantar.
Seria o começo de algo que eu ainda não sabia nomear.