Capítulo 4 - Cecília Monteiro

906 Words
O toque do meu celular me tirou do devaneio. Mensagem de um número desconhecido.
“Estou à porta do quarto dos funcionários. Pode sair.” — Dante. Arregalei os olhos, o coração disparando.
Como ele tinha o meu número? — Meu Deus… a Zoe tinha razão. Ele sabe de tudo mesmo — sussurrei para mim mesma, ainda pasma. Respirei fundo, alisei o vestido que Zoe tinha escolhido com tanto entusiasmo e saí do quarto, como se estivesse entrando numa cena que não era da minha vida. Lá estava ele. Encostado casualmente na parede do corredor, usando uma camisa branca dobrada até os cotovelos, calças de alfaiataria escuras e um relógio que cintilava sob a luz fraca do corredor — provavelmente mais caro do que todo o nosso apartamento.
E o cabelo… um caos milimetricamente calculado. Bagunçado o suficiente para parecer relaxado, mas lindo demais para ser acidental. Assim que me viu, ele soltou um “Uau”, com aquele sorriso de lado que parecia perigoso demais para ser genuíno. — Estás linda, Cecília. Corri os olhos pelo chão, sem saber onde enfiar o rosto.
Era só um elogio. Mas parecia uma promessa. — Obrigada… — murmurei, corando. Ele se aproximou, olhos escuros cravados em mim. — Hoje, vou te fazer viver um dia incrível. — Espero que sim… — respondi com um sorriso tímido. — Não é todos os dias que uma pessoa como eu sai com qualquer um. Ele arqueou uma sobrancelha, divertido. — Qualquer um? Eu sou o melhor homem que vai passar pela tua vida. Não contive o riso. — Tão arrogante… tão convencido… como tão lindo que és. Ele se inclinou levemente, com um olhar cheio de malícia. — Então, admites que me achas lindo. — Sei que sabes que és lindo, Dante. Nem precisas que eu diga. Aposto que recebes elogios o tempo todo e tens dezenas de mulheres atrás de ti. Não és exatamente alguém que passa despercebido. Ele apenas sorriu. Um sorriso que dizia: "Sim, eu sei." Descemos até o estacionamento. E lá estava o seu carro. Uma Range Rover preta, última geração. O tipo de carro que eu só via em filmes ou desfiles de celebridades. Meus olhos brilharam . — eu amava aquele modelo. — Gosta? — ele perguntou, abrindo a porta para mim. — Gosto é pouco — confessei. — Hoje vou ser cavalheiro. Entra. Melhor aproveitar, porque não sou assim todos os dias. Sorri e entrei. O motor ronronou como um felino elegante, e partimos. — Vamos a um dos meus restaurantes — disse ele, casualmente. — Está a ser muito comentado pelos turistas. Decidi experimentar o atendimento… especialmente com uma companhia como a tua. Me senti ruborizar de novo. Ele era tão direto, e mesmo assim, havia algo genuíno por trás daquela arrogância natural. O restaurante era espetacular. Quando chegamos, o manobrista pegou a chave do carro como se estivesse tocando uma relíquia. Dante estendeu o braço, e eu segurei, sentindo a firmeza da sua presença. Por onde passávamos, olhares nos seguiam.
Quer dizer, olhavam para ele. Era impossível não notar o homem imponente que andava ao meu lado. Alto, corpo atlético, olhar penetrante… ele exalava poder e beleza. E, de alguma forma, também medo. Mas medo era a última coisa que eu sentia ao seu lado. 
Era como se o mundo todo ficasse em silêncio quando ele falava comigo. Subimos para uma área reservada. Não havia ninguém ali além de nós. — Reservei o andar de cima — ele explicou. — Não gosto de ser incomodado. O garçom chegou e nos entregou o menu com um sorriso simpático, mas o olhar dele demorou um pouco demais em mim. — A sobremesa da casa é fantástica. Acredito que a senhorita vai amar — disse, com um certo entusiasmo nos olhos. Antes que eu pudesse responder, Dante olhou para ele com um olhar gelado. — Ela vai escolher o que quiser. Pode se retirar. A voz dele era cortante, sem espaço para gentilezas. Quando o garçom saiu, olhei para Dante, surpresa. — Que foi isso? Ele deu de ombros. — Ele estava babando por ti. E não admito isso. Essa mulher à minha frente hoje é minha. E não gosto de quem cobiça o que me pertence. Arregalei os olhos. — Dante… exagerado, não? Ele não respondeu. Pegou o telefone, fez uma ligação rápida e disse apenas: — Não mandem mais esse funcionário à nossa mesa. Se insistirem, eu mesmo resolvo — e desligou. — Você é maluco. Ele sorriu, como quem escuta um elogio. — Não quero estragar nada hoje. Só quero aproveitar a tua companhia. O gerente nos serviu depois disso, e o jantar correu melhor do que eu poderia imaginar. A comida era deliciosa, mas o que me surpreendeu mesmo foi Dante. Ele era… interessante. Tinha histórias, sabia manter uma conversa, fazia piadas sarcásticas que me arrancavam sorrisos e, o mais estranho… me fazia sentir confortável. Ele era intenso, mas não me pressionava. Dominador, mas atento. Quando terminamos, ele limpou os lábios com o guardanapo e me olhou, com aquele brilho desafiador nos olhos. — Cecília, que tal irmos a uma balada? É nova, fica aqui perto. Uma das casas do meu irmão. Acredito que vais gostar. — Já estamos aqui… — sorri. — Qual é o m*l de dançarmos um pouco? Qual é o m*l de aceitar? Era só uma balada? — O que pode acontecer disse para me mesma
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