Capítulo 5 - Cecília Monteiro

1041 Words
Entramos no carro, e antes mesmo de sairmos do restaurante, mais dois carros pretos surgiram atrás de nós, como se tivessem sido convocados por mágica. Fizeram uma espécie de escolta discreta, mas inegável. — Meu Deus... Quando chegamos em frente à boate, o carro m*l tinha parado e quatro homens já haviam saltado dos carros de trás, abrindo caminho à nossa frente como se a rua inteira fosse propriedade privada. Um deles abriu a porta do meu lado e me ajudou a sair. Os outros dois foram direto para a entrada, afastando qualquer um que estivesse por perto. Não houve fila. Não houve espera.
A simples presença de Dante Morelli era o bilhete de entrada para qualquer lugar. A fachada da boate era um espetáculo à parte — cheia de luzes, com carros de luxo estacionados em fila e um ambiente que exalava riqueza. 
Mas nada me preparou para o que vi por dentro. Lustres de cristal, paredes espelhadas, sofás de veludo escuro, música vibrante. Era como entrar num universo paralelo de luxo e poder. Dante segurou a minha mão com firmeza e me guiou até a área VIP, passando por seguranças que se curvavam discretamente ao vê-lo. O espaço era reservado, com visão ampla da pista. Ao nosso lado, estavam dois casais e três rapazes bem vestidos — provavelmente filhos de famílias ricas, mas ainda assim, nada se comparava à presença de Dante. — Bebes alguma coisa? — ele perguntou, inclinando-se até mim, com aquele sorriso torto. — Bebo… mas prefiro bebidas doces, com pouco álcool. Não sou muito boa com bebidas fortes — confessei, meio envergonhada. Ele riu, genuinamente. — Melhor ainda. Amo mulheres que não bebem demais. Brindamos. Conversamos. Rimos. Dançamos. A música me envolvia como um abraço e, mesmo com tanta gente ali, eu só conseguia olhar para ele. A forma como ele me tocava pela cintura, como me olhava como se eu fosse o centro de tudo… era hipnótico. Até que o telefone dele tocou. — Um segundo — ele murmurou. O semblante já tinha mudado. Subiu até uma sala de vidro, no piso superior, e de lá de cima, consegui vê-lo ao telefone, andando de um lado para o outro, claramente irritado. Havia algo sombrio em seu olhar naquele momento. Algo que me fez lembrar de quem ele era. Dante Morelli.
O homem que todos temem.
O nome que sussurram em silêncio. Foi quando um dos rapazes da ala ao lado se aproximou de mim. — Uau… você é linda demais. Não quer se juntar a nós? — disse ele, com um sorriso presunçoso. — Por favor, poderia me deixar em paz? Estou acompanhada. — Com aquele ali? — ele apontou com a cabeça. — Você ia se divertir muito mais conosco. Acredite, sei como satisfazer uma mulher. Revirei os olhos, mantendo a calma. — Eu, se fosse você, não diria isso. Você não sabe quem ele é. — Já eu te digo o contrário: você é que não sabe quem eu sou. — Não sei, e nem quero saber. Obrigada. Agora, me deixe em paz. Mas ele ignorou. Segurou minha mão com força e tentou me puxar. — Vamos dançar um pouco. Você vai amar… Antes que eu pudesse reagir, senti. 
A mudança no ar.
A presença dele. Dante estava atrás do rapaz. Alto. Imponente. Olhar de aço. As mãos nos bolsos, mas o perigo pulsando em cada centímetro do corpo dele. Ele virou o rapaz com um puxão firme. — Que merda você está fazendo aqui? O rapaz engoliu seco. — Só… só estava conversando com a moça. Qual o problema? — Você não viu que ela está acompanhada? — Quando eu cheguei, ela estava sozinha. Só quis convidá-la pra dançar. Estamos numa boate, certo? Foi quando Dante, com a mesma naturalidade com que se toma um gole de vinho, deu-lhe uma cabeçada seca no nariz. O som foi abafado, mas impactante. O rapaz cambaleou para trás, sangrando. Os dois amigos se levantaram, assustados, mas os seguranças já estavam na frente deles antes que pudessem dar um passo. — Eu não vou estragar a minha noite por tua causa. Mas estás proibido de entrar em qualquer uma das nossas boates — disse Dante, sem alterar o tom. O rapaz, agora pálido, arregalou os olhos. — Dante Morelli… meu Deus. Me perdoa, por favor. Eu não te reconheci… foi um erro, juro por tudo. Perdão! — Não quero desculpas. E se eu te vir outra vez… não haverá segunda chance. Você estará morto. Meu coração batia acelerado. Olhei para ele, ainda atordoada.
Mesmo naquele momento de tensão, havia algo nele que me deixava segura. Como se aquele instinto perigoso que assustava os outros… me protegesse. — Dante… eu não me sinto bem em continuar aqui. Podemos sair? Talvez… caminhar na praia? Ele olhou pra mim, ainda tenso, mas assentiu. — Melhor assim. Esse i****a estragou o clima. Ele pegou na minha mão, firme, e saímos. Os seguranças mantinham distância, respeitando o espaço que agora era só nosso. A noite estava fresca. A brisa do mar batia suave contra o rosto. Tirando os sapatos, pisamos na areia. — Espero não ter te assustado — disse ele, com um olhar mais calmo. — Não te preocupes. Por acaso… amei. Aquele i****a era um babaca. Ele sorriu. Um sorriso verdadeiro. Lindo. Encantador. De quem já se mostrava por inteiro. Então, ele me puxou levemente pela mão e me fez parar. Olhou dentro dos meus olhos por alguns segundos e, sem aviso, tomou os meus lábios. O beijo foi intenso, forte, quente.
Cheio de desejo, de fogo, de algo que eu ainda não entendia, mas sentia na pele.
Quando ele se afastou, eu m*l conseguia respirar. — Cecília — disse ele, com a voz rouca —, posso te ter essa noite? Posso te levar comigo… para os meus braços? Não sei o que aconteceu comigo.
Talvez fosse o momento.
Talvez fosse ele. Mas eu disse sim.
Com o coração disparado, com a alma acesa.
Eu disse sim. Dante não esperou por mais nada. Pegou-me nos braços, como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo, e me levou até o carro. Partimos, de volta para o hotel. E eu sabia que aquela noite…
Ia mudar tudo.
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