Quando estacionei na frente da delegacia Jessica ameaçou abrir a porta, mas eu as travei rapidamente e ela me olhou.
- Eu tenho compromisso agora, mas quando eu retornar. Vai me contar tudo.
- Porque se importa? - eu a encarei.
- Porque eu devo! - falei destravando as portas. - Estou atrasada já.
- Até logo, obrigada Alice. - apenas sorri e ela saiu do carro.
Vi Jessica parar e conversar com Jesse que a recém havia estacionado. Segui para o gabinete da governadora Wather, e tinha avisado Haward que chegaria mais tarde.
- Olá, bom dia - falei para secretária. - Alice… - ela me interrompeu.
- Bom dia, a governadora já está a sua espera. - disse sorrindo e levantou-se. - pode me acompanhar, por favor.
A secretária me conduziu até a sala de Wather que me esperava sentada atrás da mesa.
Ela era alta, morena, tinha algumas rugas, a maioria escondidas com botox e maquiagem, não era muito velha. Tinha o corpo de uma jovem de vinte anos e os olhos eram castanhos bem claros e vivos.
- Governadora Wather - estendi a mão para cumprimentá-la e ela retribuiu.
- Um prazer finalmente conhecer você comandante Alice Hank - sorriu e fez sinal para me sentar.
- Só Alice por favor - sorri.
- Claro!
- Então, o que quer comigo?
- Direta, gosto disso e é isso que procuro. - a encarei sem entender. - Lembra quando foi para o distrito e foi designada a abrir uma inteligência sua, prendendo o sargento Russel?
- Sim, disseram que eu deveria escolher as pessoas, analisá-las e ver se eram confiáveis.
- Exatamente, quero abrir uma inteligência independente, uma força tarefa. Se reportariam somente a mim, eu serei a única superior. Sem jurisdição, neste estado, permitidos a lidar com os casos da forma legal que acharem certa e para isso é preciso pessoas em que se possa confiar.
- A senhora está me dizendo que… - ela me interrompeu.
- Sim, quero que você comande e leve seus companheiros, em que confia, para que trabalhem e façam dessa cidade, mais segura. Existem muitos policiais corruptos, que não solucionam casos e que, em sua maioria, estragam de alguma forma.
- Por que eu? - perguntei e ela sorriu.
- Você tem feito muita diferença na cidade de Jersey, sua fama a precede. Shaw e eu somos velhos amigos, levei um tempo para convencê-lo a lidar com seus antigos superiores para que fosse dispensada e pudesse lhe dar esta oportunidade.
- Por isso disseram ser temporário? - ela assentiu e eu suspirei.
- Eles não queriam perder você, você era a melhor deles.
- Posso pensar?
- Sim, esse é meu número pessoal e se aceitar só me ligar. - ela me deu um cartão visita com o nome dela e logo abaixo seu número.
- Obrigado governadora - sorri. - Aliás. - ela me olhou sorrindo. - foi a senhora quem apagou meus registros todos?
- Que registros? - disse ela sorrindo e piscou. Havia entendido o recado que teria sido e apenas assenti.
- Nada não.
Assim que saí do prédio pude finalmente respirar, era como se lá dentro não houvesse oxigênio. Era uma grande oportunidade, mas Haward tinha sido bom para mim, assim como toda a equipe provavelmente era leal a ele, como foram a mim.
Fui o caminho todo até a delegacia repassando cada palavra que a Governadora havia me dito, como falaria a eles isso tudo o que tinha acontecido e como falaria para o Haward. Com toda certeza aceitaria a proposta dela, desde que ao menor Parker viesse comigo, caso contrário, continuaria na inteligência.
Cheguei na delegacia e todos tinham saído para ver um corpo, chamados por uma patrulha. Parker mandou uma foto de uma suspeita pedindo para que eu verificasse.
- Jeff - o chamei enquanto me aproximava da mesa. Ele sorriu assim que me viu. - Pode pesquisar uma mulher?
- Claro, manda - disse já digitando alguma coisa que eu claramente não fazia ideia. Passei o nome para ele que logo achou e imprimiu uma ficha de mais de cinco páginas.
- Jeff, vocês vão para o bar hoje? - perguntei e ele me encarou sem entender.
- Sim, tá tudo bem? Você nunca pergunta isso e também não vai lá - ele continuava me olhando sem entender.
- Obrigado Jeff!
Pisquei para ele que gargalhou, mandei mensagem para Haward avisando que ia ao endereço da suspeita. Quando cheguei lá, em seguida Jesse, Kyera e Matthew chegaram.
- Essa é a casa? - perguntou Jesse.
- Sim - respondi confirmando o endereço no telefone.
- Vocês por trás - disse Jesse para Kyera e Matthew. - Vamos - assentimos e eu fui para porta da frente com ele.
- Alisson Bell? - gritei enquanto batia na porta. Logo ela abriu e tinha altura mediana, era morena e os cabelos curtos na altura dos ombros.
- Quem são vocês? - perguntou com a voz embargada.
- Polícia - disse Jesse mostrando distintivo. - Temos algumas perguntas para você.
- Sobre o que? - sua voz ficou mais firme e cruzou os braços.
- Teve um assassinato hoje - mostrei a foto para ela que ficou chocada.
- Aí meu Deus, Andrew - levou as mãos sobre a boca e começou a chorar. Jesse e Eu nos encaramos rapidamente.
- Conhece ele? - perguntou ele.
- Estávamos juntos a um ano, depois que cumpri minha pena fui para reabilitação - disse nos dando espaço para entrar. Tinha várias fotos dela com ele pela casa. - Ele tinha largado a vida de antes…
- Nem tanto pelo visto - a interrompi cochichando, foi involuntário e apenas um pensamento. Jesse me encarou com cara f**a.
- Sei que estão pensando, mas ele estava bem - disse ela.
- Sabe de alguém que poderia querê-lo morto? - perguntou Jesse.
- Não sei, se quiserem podem ver nas coisas dele, mas juro, não sei nada - apenas assenti para Kyera e Matthew que entraram na casa e subiram até o quarto da vítima.
- Eles vão verificar se tem algo, qualquer coisa que lembrar nos ligue - falei lhe entregando meu cartão. - Fique na cidade - continuei e saímos da casa dela.
- Pensando alto hoje Alice - falou Jesse e eu o encarei.
- Acontece - sorri. - Jeff disse que vão ao bar hoje - falei e ele me encarou sem entender.
- Sim, por que? Você não vai lá. - ri.
- Porque todos vocês adoram dizer que não vou lá? - perguntei sem esperar por uma resposta.
Entrei no carro e voltei para a delegacia. Pessoal já estava lá, Parker estava no telefone falando com a balística, me cumprimentou com apenas um aceno e Jessica escrevia no quadro. Estava largando meu casaco quando Haward saiu da sala dele me chamando, todos olharam dele para mim, mas ficaram em silêncio, fui até a sala dele e ele fechou a porta.
- Alice eu sei que a governadora Wather falou com você e sobre o que. - o encarei.
- Tenente eu… - ele me interrompeu.
- Sabe Alice, quando aceitei este emprego sabia que vocês seriam temporários. Eu sabia porque veio para cá, porque escolheu essas pessoas para trabalhar com você e, assim como você, eles também estão prontos para dar um passo à frente na carreira. Essa inteligência vai continuar, comigo comandando mas com outros detetives ou policiais novos e que também merecem a oportunidade, espero que aceite esta oportunidade, ela é incrível e eles - aponto o dedo para porta, como se estivesse apontando para toda equipe. - irão seguir você, porque confiam em você, vocês são família. - continuou e sorriu.
- Eu agradeço Tenente, não quis tomar nenhuma decisão sem falar com o senhor antes - sorri. - irei aceitar a oferta.
- Obrigado agente Alice.
- Acha que estou pronta? - perguntei antes de sair e ele sorriu.
- Você esteve pronta desde que nasceu comandante Alice Hank. Você será a mulher mais nova a ter uma inteligência independente, será só mais uma conquista, como quando conseguiu o posto de comandante.
- Mas eu consegui porque era determinada e confiante. - falei calma e ele assentiu.
- Você continua sendo, só amoleceu um pouco esse coração - ele riu.
- Obrigado Tenente.
Saí da sala dele e todos me encararam, mas desviaram o olhar rapidamente. Fui para a cozinha e telefonei para a governadora, informei que aceitaria a oportunidade e ela parecia mais feliz do que eu, disse ja estava tudo providenciado e mandaria por mensagem o novo local de trabalho, que poderíamos já dar inicio amanhã.
- O que está acontecendo? - perguntou Parker entrando na cozinha.
- Você não perde uma né - falei rindo.
- Nunca, você não esconde nada de mim.
- Bar aqui do lado hoje, no final do trabalho - falei saindo.
- Mas você nunca vai lá - disse abrindo os braços para demonstrar que não estava entendendo nada.
- Eu sei - gritei não muito alto e voltei à minha mesa.
O caso não foi assim tão difícil, mas no final das contas Andrew tinha mesmo largado a vida do tráfico de antes, porém, está vida não tinha largado ele e voltaram para acertar as contas. Seu antigo chefe o assassinou e conseguimos uma confissão.