ANANDA Eu devia estar acostumada com surpresas ruins. Vindo de Duma, onde as marés mudam mais rápido do que a política local e os boatos se espalham como fumaça, era de se esperar que eu já tivesse criado uma casca grossa. Mas não. Nada me preparou para cena que encontrei assim que empurrei a porta de casa. Minha mãe estava no sofá, sorrindo. Sorrindo. Um sorriso inteiro, largo, tão raro quanto trovão em dia de sol. E no colo dela… Tomas. Com as mãozinhas enterradas no cabelo dela, como se estivesse desbravando um novo mundo. Ele parecia hipnotizado. E ela? Ela estava viva. Presente. Linda, com o vestido floral de mangas soltas e o cabelo caindo como uma moldura leve ao redor do rosto. A mulher que eu passei meses tentando resgatar de um lugar escuro e fundo demais… estava ali. E

