ANANDA Ele me arrastou pelos corredores como se o mundo estivesse prestes a explodir. A mão firme no meu braço, os passos largos, duros, o maxilar travado. A cada segundo que passava, eu sentia a raiva crescer dentro de mim, não só pela força com que ele me puxava, mas pelo absurdo de tudo aquilo. Atravessamos uma porta lateral que dava para os fundos da casa, perto do jardim dos fundos. O lugar era silencioso, escondido, cercado por arbustos altos e sombras pesadas de árvores velhas. — Você perdeu completamente o juízo? — Pedro disparou, soltando meu braço, como se só agora percebesse que me segurava. — Eu? — minha voz saiu alta, indignada. — Eu perdi o juízo? Você mentiu pra mim, Pedro. Você me enganou, você me deixou acreditar que... — Você não devia ter vindo! — ele interrompeu,

