ANANDA ANANDA Mariah me encarou por alguns segundos, como se estivesse viajando no tempo, seus olhos, cansados mas vivos, ficaram mais úmidos. Um brilho diferente tomou conta do rosto dela. — Você se parece com ele, sabia? — disse, com um sorriso lento. — Com o Nataniel. Franzi o nariz, confusa. — Meu irmão? — perguntei, ajeitando o corpo na cadeira. — Você o conheceu? Quando? Ela soltou um suspiro longo, e nele havia carinho, dor e algo mais — uma ternura tão intensa que me deu um arrepio. — Não só conheci. — Sua voz baixou, mas cada palavra soou com clareza. — Ele foi o amor da minha vida. Fiquei paralisada. O tempo parou. — O quê? — Eu e o Nataniel — ela continuou, com um sorriso que parecia aquecer até a pele dela — a gente se apaixonou assim… como você e o Pedro. De repente.

