ANANDA O hospital tinha aquele cheiro estéreo e gelado que grudava na pele como uma camada de poeira. A luz da manhã atravessava os vidros altos da recepção, misturando-se à palidez branca das paredes e dos rostos cansados que iam e vinham. Eu odiava hospitais. Darlene estava ao meu lado. Tensa, como eu. Talvez mais. Ela não parava de olhar para a porta automática, como se esperasse por alguém e quando Diego apareceu, vestindo camisa azul clara e expressão austera, o sorriso que escapou dela foi quase involuntário. Tão doce, tão exposto. Quase doeu ver. Porque ele não percebeu. Nem piscou na direção dela de um jeito diferente. Só nos cumprimentou com um aceno educado, sério como sempre. — Obrigado por ter vindo, Ananda — disse ele, com a voz baixa e gentil, quase ensaiada. Assenti, ap

