ANANDA O caminho de volta é feito em silêncio. Pedro dirige como se estivesse com pressa, o vento bate no meu rosto enquanto a moto desliza pelas ruas da ilha, mas mesmo com o capacete, eu sinto o peso da ausência dele. Ele não olha pra mim. Não fala. Não toca. Só pilota. Como se ontem nunca tivesse acontecido. Como se eu fosse só mais uma passageira. Quando estamos a poucas quadras da minha rua, toco levemente no ombro dele. — Me deixa aqui. — Aqui? — Ele lança um olhar rápido por cima do ombro, confuso. — Sim. — Minha voz sai firme. — É melhor assim. Ele não insiste. Só reduz a velocidade e encosta a moto. Desço sem pressa, devolvo o capacete e o entrego sem encará-lo. Ele pega com uma das mãos e segura por alguns segundos. Mas não diz nada. E então, sem sequer me olhar de vol

