ONZE MESES ANTES

4227 Words
–– Viva Las Vegas!! – Gritei ao me jogar na Queen Size do luxuoso Caesar Palace. –– Amigaaaa... o que é issoooo? Estou eufórica meninas! – Sol se jogou ao meu lado. –– Meu-Deus-Do-Céu! ­– No meio do quarto, Nanda ficou paralisada com as duas mãos na boca.        Ficamos as três, feito crianças no parque de diversões curtindo todas as delícias e comodidades de nosso quarto. Era minha primeira viajem internacional, de todas sou a única que nunca esteve em um quarto de hotel tão luxuoso. **** Nanda e Sol são irmãs com um ano de diferença respectivamente, a primeira além de mais velha, também é a mais tímida, centrada, elegante e digamos, um pouco séria; Sol é a caçula que estudou parte de sua vida na capital de São Paulo, por isto é mais moderna, desencanada, despojada e extrovertida. Elas são filhas do cirurgião mais requisitado da nossa cidade que tem algumas especializações fora do País. Casado com uma ex Miss dos anos 80, eles são um dos casais mais influentes na cidade. Ambas herdaram a beleza da mãe e a inteligência do pai, mas é inegável que Nanda, seria uma substituta a altura da “tia” Mariana, de uma beleza escultural com brilhantes e enormes olhos azuis é a mulher mais linda que já vi. Eu, sou apenas a amiga de infância que teve sorte de crescer ao lado das meninas mais ricas do lugar onde nascemos. Meus pais morreram quando eu era criança, fui criada pela minha avó que era diretora do colégio particular mais conceituado de Paulínia. Conheci a família Sobral no colégio, durante os eventos sociais que minha vó organizava, eles claro, sempre participando ativamente e fazendo as maiores doações. Depois estudei com Nanda e através dela também conheci Solange a espevitada baixinha. Nossos laços de amizade se estreitaram com o passar dos anos, comecei a frequentar a casa delas, passar os finais de semana e com o tempo acompanhá-las em viagens de férias pelo Brasil.  Mas só depois de quase vinte anos juntas é que estava realizando o sonho de conhecer outro País na companhia delas. O plano inicial era passar um mês nos Estados Unidos e tentar conhecer alguns lugares do sul da América. Fora isto não tínhamos mais nada em mente além de nos divertir muito e aproveitar ao máximo nossa aventura. Chegamos nas terras gringas duas semanas antes, aterrissamos em San Diego, Califórnia e na semana seguinte reforçamos nossos bronzeados em Los Angeles. Nossas simples acomodações em hostéis foram todas pagas por nós três com a grana que economizamos durante alguns anos, desde que decidimos fazer a mesma faculdade e tornar nossa formatura uma comemoração para toda a vida... algo inesquecível!! Diferente de toda a nossa viagem, a estada em Las Vegas ficou por conta dos pais das meninas, os Sobral sabendo do nosso sonho desde a adolescência, resolveram participar dessa loucura e nos presentear com a cereja do bolo. Só tomamos ciência do que seria nosso presente de formatura após desembarcamos no aeroporto e sermos recepcionada por um chofer de uma imensa e luxuosa limousine branca. Até aí, nada mais típico no local, algo como "arroz com feijão" para nós brasileiros. Obviamente não diminuiu a nossa surpresa, ainda mais depois de abrirmos a champanhe gelada, Dom Perignon 1955. –– c*****o Sophia, sabe quando vimos uma desta pela última vez? – Sol perguntou histérica. –– Não consigo sequer me lembrar de ter bebido algo parecido. – Respondi rindo. –– Amada, papai abriu uma quando inaugurou a última clínica lá em Campinas! – Virou na boca a garrafa mais cara que todos os meus pertences na mala. –– p***a Sol, papai ficaria muito orgulhoso em ver como trata com respeito o mimo que ele nos deu! – Nanda retrucou, retirando a garrafa da mão da irmã, aparentemente chateada. –– Mas, como ele não vai saber nada sobre isto mesmo... – imitou Solange, nos fazendo cair na gargalhada. –– Vocês são perversas... muito perversas! – Aplaudi o ato de rebeldia, sorrindo de orelha a orelha.   Abrimos o teto solar e colocamos nossos corpos para fora. Abri meus braços e deixei a cidade iluminada e festiva me receber. Se isto é um sonho, não me acordem jamais! **** Na porta do hotel cutuquei Nanda e apontei para o gigante Caesar à nossa frente. –– NÃO! – Tapei minha boca com as duas mãos. –– Eles não fizeram isto! –– Ah sim sister, eles fizeram! – Sol saltou da limousine e revelou um belo sorriso. Depois de todas as pompas na recepção, fomos deixadas na suíte dos sonhos com todas as regalias e luxos que nunca em todos os meus vinte e três anos de vida me permitem imaginar. Bebemos alguns drinques, fizemos o reconhecimento de todo o local, tomamos banhos de espuma em uma hidro que caberia seis pessoas confortavelmente. –– Quanto seu pai deve ter pago por esses cinco dias aqui? ­– Perguntei em meio a um rompante de consciência. –– Não consigo pensar sobre isso agora, Sophia... apenas curta suas férias! – Sol ronronou, com uma rodela de pepino em cada olho e uma taça de champanhe na mão. ­­–– Pense que presentes não são algo que precisamos saber o valor, apenas apreciá-los da melhor maneira possível. – Nanda completou a frase da irmã. –– Ok. Sendo assim... vou me esforçar ao máximo para satisfazer seus pais! – Entrei na brincadeira. **** A noite já dominava o céu e as estrelas incontáveis faziam coro com a lua. Nada poderia ser mais perfeito. Após uma hora trabalhando nos nossos looks estávamos lindas e super produzidas para a grande noite. –– E então? – Levantei mais uma taça de champanhe. – Estão prontas? –– Com certeza! – Nanda respondeu unindo sua taça a minha. –– Eu já nasci pronta, queridas! – Sol juntou-se a nós. –– A o que brindaremos? – Nanda pergunta. –– À vida! – Sol propôs. –– A nós! – Emendou a irmã. –– A o que essa noite nos reserva! – Completei, cheia de esperança no peito e um friozinho gostoso na barriga. –– "O QUE ACONTECE EM VEGAS, FICA EM VEGAS!" ­– Gritamos ao fazermos nosso brinde. **** E assim começou a nossa noite, sobre nossas altíssimas sandálias, desfilamos nossos micros modelitos pelos corredores do hotel nos sentindo as próprias Panteras, nos divertindo horrores com os olhares dos outros hospedes. Fizemos um "esquenta" no Shadow Bar e provamos os drinques mais exóticos possíveis, apreciamos os simpáticos barmen que nos serviram alegremente, Nanda por sua vez voltou a atenção às dançarinas que aparecem exibindo seus corpos de topless através de telas distribuídas pelo bar. –– Tem um cara ali, babando em você Nandinha! – Apontei discretamente um gringo poucos metros de nós. –– É? ­­– Respondeu sem tirar seus olhos das moças sensualizando. –– Pena que ele não tem s***s iguais àqueles! –– Fecha a boca maninha... vai acabar babando na sua bebida todinha. – Sol bateu no queixo da irmã. Desviamos de algumas cantadas furadas porque nosso foco naquele lugar era única e simplesmente diversão e algumas histórias para contar. Depois das 10h da noite e boas doses de álcool na cabeça decidimos conhecer o cassino e experimentar um pouco das mesas de jogos. –– Não podemos gastar muito, hein?! Vocês sabem que isso é um pega-trouxas cheio de profissionais prontos pra levar toda nossa grana! ­– Nanda nos advertiu no caminho. ­­–– Relaxa gata, vamos apenas m***r a curiosidade. – Sol a tranquilizou. ­­–– E eu nem tenho essa grana toda pra sair gastando atoa. ­– Eu disse. –– Então vamos estipular um valor... – Nanda pareceu não estar tão confiante assim em nossas palavras. –– Apenas cinquenta dólares e nada mais. Não importa se ganharmos ou perdermos, só poderemos gastar este valor cada uma. –– Ok, mamãe! Agora dá licença, há uma linda roleta me esperando! – Sol estalou os dedos e afastou o corpo da irmã de sua frente, abrindo a grande porta "da felicidade". Uauuuu!! Fiquei tão chocada com a grandiosidade e luxuria do lugar que m*l consegui me mexer. Travei na porta e contemplei aquele paraíso da jogatina. **** O Palace Court Casino era um lugar com pessoas bem vestidas, sensuais, cafonas, excêntricas, homens pobres se passando por ricos, homens ricos, homens podres de ricos, garotas ricas, garotas ricas que se vestem como prostitutas, prostitutas e nós. Garçonetes lindas de pernas compridas e vestidinhos menores que minha minissaia, transitavam entre os jogadores distribuindo bebidas "gratuitas" como forma de animar os clientes a gastarem seus dólares ou os dólares que elas pensavam que eles tinham. Duas horas depois, Nanda gritava a todos pulmões comemorando mais uma vitória minha na roleta. –– Vai Sofis... arrasa gostosa... mostra para esses gringos quem é que manda nesta p***a! – Vibrou. –– Sophia, não quero cortar sua onda não, só que, pelas minhas contas você já gastou quatro vezes o combinado. – Sol cochichou em meu ouvido. –– Gastei? – Perguntei espantada. –– Mas qual o problema Solange? Ela acaba de ganhar uma bolada... o que são míseros cinquenta dólares perto de toda essa grana preta aqui? – Nanda jogou algumas fichas na cara da irmã caçula. –– O que você colocou na bebida dela? – Sol perguntou a uma das garçonetes que passou por nós sem entender nada. –– Sério gente, a Fernanda está completamente bêbada. Não, na verdade ela está muito bêbada. –– Confesso que nunca a vi tão animadinha assim em toda a minha vida – sorri. – Mas estou achando o máximo. – Bati as mãos nas de Nanda. –– Senhoritas, vocês vão participar da próxima aposta? – O elegante croupier quis saber. Nós três nos olhamos e agindo com máximo bom senso e responsabilidade, fomos unânimes: ­­–– SIM! Todos na mesa se animaram e outras pessoas se aproximaram, algumas aplaudiam nos incentivando e outras diziam palavras desafiadoras. –– Mandar ver Sofis, hoje é seu dia de sorte menina! – Bradou Nanda, entornando sua milésima taça de champanhe. Coloquei todas as minhas fichas sobre a mesa e em um ritual já me achando a verdadeira jogadora profissional esbanjando experiência, empurrei todas elas para cima do número vinte e um vermelho. Após todos apostarem o croupier deixou a bolinha correr na roleta e nós cruzamos os dedos, fechei meus olhos e esperei o resultado. Não deu outra. O funcionário do cassino gritou meu número e nós explodimos eufóricas. Pulamos como crianças e nos abraçamos completamente descontroladas. –– Pague aqui minha fortuna, benzinho! – Disse ao rapaz. –– U-A-U! – Sol arregalou os olhos. –– É muita grana Sophia! –– Deve ter bem mais de duzentos mil dólares aí, parabéns! – Uma voz masculina comentou conosco em inglês. Enquanto recebia as minhas fichas olhei para o homem que se intrometeu no nosso momento de glória. Instalou-se à mesa e nos encarava sorrindo com o canto dos lábios. Ele era simplesmente a coisa mais perfeita que eu nunca havia visto antes em qualquer vida que eu possa ter vivido. Vestindo um smoking preto com gravata borboleta ele era muito alto, ombros largos e tinha os olhos exoticamente de uma cor âmbar, cílios delineados de fazer inveja a qualquer mulher, cabelos caramelo, nariz reto e os lábios mais perfeitamente desenhados, volumosos e aparentemente macios para um homem de porte tão imponente. Digo, um homem de verdade, por que esse que estava na minha frente parecia uma miragem. Nos fitamos por alguns segundos, mas então pensei: "Qualquer uma com duzentos mil dólares se torna atraente!" Com certeza é mais um destes caras que passam a noite nos cassinos, esperando a roleta agraciar uma tonta qualquer e assim, se usar covardemente de sua beleza agressiva para limpar a moça em uma só noite. Desencanei e voltei a festejar com minhas amigas. –– Caramba Sophia, que sorte é essa? Passe um pouco pra cá agora! – Sol esfregou sua mão em meu braço. –– Estou tão feliz que sou capaz de... de... – penso em algo realmente improvável. ­–– Me casar com o primeiro louco que aparecer na minha frente! – Dei uma sonora gargalhada acompanhada das duas irmãs. Todas nós sabíamos que eu jamais me envolvi sentimentalmente com alguém, não que eu não fosse aberta para isto ou tenha evitado. Apenas não aconteceu. Fui levando minha vida sem muitos planos amorosos, alguns envolvimentos aqui, outros ali, s**o casual, amassos de apenas uma noite, nada de muita importância. Mas uma coisa eu tinha certeza: não nasci para ser esposa, dona de casa ou carregar o sobrenome de qualquer outro homem que não fosse o meu pai. Sempre tive isto muito certo em minha mente, jamais me casaria pelo simples fato de não me imaginar vestindo branco, planejando uma cerimônia, o grande dia, toda aquela parafernália para agradar os convidados e não era só isto... a ideia de dividir minha vida com alguém, ter uma rotina em comum é uma coisa que sempre me pareceu... sufocante e inviável. Ou, vai ver que por não ter me apaixonado por ninguém até o momento, acabei me focando em mim mesma, numa vida sozinha onde meus planos não tinham espaço para outro alguém. –– Vamos outra? – Nanda propôs. –– Alguém tire o copo da mão dela por favor. – Sol só podia estar mesmo preocupada, para fazer esse pedido. –– Já chega, dona Fernanda. Esqueceu que temos um trato? – Adverti. –– Que já foi quebrado há mais de cento e cinquenta mil dólares atrás... ­– insistiu. –– Podemos apostar uma pequena parte, apenas. – Sol mostrou-se mais sensata. –– Não sei, gente. É muito tentador, mas também muito arriscado. Tudo que vem fácil, vai fácil... eu sei que pode ser indiferente para vocês, mas essa grana poderia dar uma guinada e tanto na minha vida! – Tive um momento reflexão. –– Verdade, amiga. Pensando por esse lado, acho que já é o bastante. – Nanda, voltando a ser a racional da turma, entendeu minha posição. –– Desculpem-me a intromissão, mas, não pude deixar de ouvi-las... – preparando-se para receber todas as nossas fichas e cair fora dali antes que a tentação falasse mais alto, fomos novamente interrompidas pelo gato que encostou em nossa mesa, dessa vez falando um português impecável.   –– Brasileiro? – Fiquei surpreendida. –– De São Paulo, para ser mais preciso! – Respondeu. –– Caraca... que mundo pequeno! – Sol assoviou. –– Apostas encerradas. – O cara responsável pela mesa anunciou. –– Bom eu ia desafiá-la para uma aposta mas acho que perdemos a chance. – Disse ele, aproximando-se de nós. –– Não tem problemas. Nós já estávamos de saída. ­­– Dispensei. –– Que tal ficar e me acompanhar na próxima rodada então... – ele me olhou com seus olhos reluzentes e eu fiquei a um passo de aceitar. –– Não! – Meu "não" saiu um tanto fraco. –– Sete vermelho! – Cantou o croupier. O homem ergueu as sobrancelhas, pareceu satisfeito com o que ouviu. –– Veja só... hoje realmente é seu dia de sorte – comentou maliciosamente. –– Que bom para mim! – Sorriu de lado. –– Que bom... pra você? – Sol ficou curiosa. –– Sim, ela parou bem na hora que fiz minha segunda aposta, e acabo de ganhar alguns dólares sozinho. Isto significa que graças a sua amiga, pude reaver algum valor do que perdi para ela na rodada anterior. – Dá os ombros, despretensioso. –– Ótimo! Fico feliz que tenha ganhado também. Boa sorte. – Virei-me de costas pronta para seguir até o caixa. –– Mas ainda... – interrompeu nossa saída –– mereço uma revanche. Você não acha justo? – Continuou insistindo. –– Cara, ela já disse não. – Nanda interviu. –– Assim é muito fácil. Mas eu acho que seria mais emocionante um jogo de igual para igual. –– Deixa disso. Eu tive o que chamam sorte de principiante. Não vou arriscar essa grana com um jogador profissional. – Comecei a me irritar. Era cada vez mais óbvio o que ele pretendia. De certo essa era a sua profissão, no mínimo um apostador acostumado a fazer isso todas as noites. –– Poderia ao menos ouvir minha proposta e depois julgar se vale a pena ou não. Sol, Nanda e eu nos olhamos. Tenho certeza que todas quiseram ouvir o que ele tinha a dizer, mas nenhuma delas teria a coragem de passar por cima do que eu já havia dito. –– Está bem! Mas apenas a nível de curiosidade. – Esclareci. –– Eu te desafio a apostar toda as suas fichas contra todas as minhas – beijou uma ficha. –– Se você vencer, além de levar tudo o que ganhar eu ainda dobro o valor que você jogou! –– Deus! Isto é... muito, muito dinheiro! – Nanda ficou horrorizada. Mas eu ainda não estava convencida. Sua proposta era boa demais para ser verdade. Eu não tinha a intenção de ganhar todo aquele dinheiro, porém, agora que o tinha não iria jogar fora por conta de um belo par de olhos de pelo menos um metro e noventa de altura. –– Ok! Se eu vencendo levo tudo isso... o que você leva se ganhar? –– Levo tudo que eu joguei e as outras fichas da mesa, claro! Mas devolvo todas as suas. – Disse como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo. Com o canto dos olhos pude observar o queixo das meninas despencando. –– Assim? Tão fácil? – Faço uma cara incrédula. –– Não... eu não posso crer que seja apenas isto. –– Mas é! – Respondeu com uma suspeita tranquilidade. –– E qual a finalidade desta aposta então? – Ele não pode estar falando sério. –– Achei que a vibração de vocês é muito boa. Os outros jogadores já estão desaminados, bêbados e eu gosto de jogar com pessoas confiantes, que torcem, se divertem e também por serem minhas compatriotas... lindas – sorriu como um s****o. –– Olha eu poderia passar a noite dizendo inúmeros motivos, e o seu dinheiro não está entre eles. Eu não preciso dele. Quero apenas uma companhia para me divertir. As meninas seguraram meus braços com força. –– O que vocês acham? – Olhei para cada uma delas. –– Bom, se de toda forma seu dinheiro está garantido... que custa ajudar o moço a ter um pouco de diversão? – Sol votou a favor. –– Tudo bem, mas só por ele ser brasileiro não significa que temos que confiar nele, pelo contrário. E tem mais, quem nos garante que ele está dizendo a verdade? E se ele simplesmente resolver levar todo o dinheiro da Sofis embora? – Fernanda foi contra. Me virei para ele e fiz mais uma tentativa de dissuadi-lo. –– Ainda corremos o risco de qualquer outra pessoa na mesa levar tudo. Não vou perder essa grana, já disse! – Me abracei às fichas. –– Se isso acontecer, mantenho a proposta inicial. Te devolvo o que jogou e dobro o valor. Te dou a minha palavra! – Assegurou. –– Como prova disso, posso entregar meu cartão do cassino a chave do meu quarto no Bellagio e... – começou a tirar um relógio dourado e pesado do braço. –– Meu Rolex. –– E depois vai acionar a segurança dizendo que foi roubado por três lindas mulheres. – Conclui com descaso. “Tão clichê”! –– Seria difícil provar já que se olhar ao seu redor, estamos sendo observados por centenas de câmeras e olheiros do Hotel. – Defendeu-se. –– Ai gente, pelo amor de Deus, parem com essa lengalenga... ou vai ou racha, Sofis. – Nanda perdeu a paciência. –– Calma. Calma. Esperem... – me senti pressionada. –– ainda está muito fácil. – Espreitei os olhos deixando bem clara a minha desconfiança. Minhas palavras pareceram acender uma luz em sua mente misteriosamente sombria. Ele não fez questão de esconder que era exatamente isto que estava esperando, uma brecha minha para chegar onde queria. Jogador! –– Então vamos deixar as coisas mais emocionantes para você! – O suposto ricaço esbanjador coçou as mãos, animado. –– Eu lhe darei um motivo para jogar e querer muito me vencer... –– Depois de me entregar tudo isso? – Segurava seus pertences em minhas mãos. –– Reformulando... eu proponho: se perder, com exceção das suas, eu levo todas as outras fichas... e você! –– EU? – Engoli toda a saliva até secar a garganta. –– Estou passada! – Sol engasgou com a bebida. –– Que piada ridícula! – Nanda bufou. –– Você só pode estar tirando onda com a minha cara. – Falei irritada. –– Não. Sou um homem de negócios, senhorita. E nos meus negócios a palavra conta muito. Então eu a desafio a me vencer e levar uma bela grana que a deixará em situação confortável por bastante tempo. Mas se perder, vai ficar com o que já tem – molhou os lábios sarcasticamente. –– Com o grande bônus de ter que se casar comigo! –– Eu não vou me casar com você nem por todo o dinheiro do mundo! –– Amiga, eu casaria de graça! – Sol sussurrou em meu ouvido. Dei uma cotovelada em sua costela. –– Oras, você disse que se casaria com o primeiro que aparecesse... acho que a oportunidade está aí... pelo menos vai se casar com um homem rico e modéstia a parte, um excelente partido também – com as mãos, apresenta seu corpo, como um vendedor de televisões. –– Qual o problema nisso? Não tem coragem de casar com um homem bonito? – Sua voz rouca é desafiadora. –– Meu bem, bonito é o cara que limpa a piscina lá em casa, você é a divindade em pessoa. – Sol suspirou descaradamente. Ele se achava acima de todos. Eu tinha que dar um fim àquilo. –– Quer saber? – Dei alguns passos em sua direção. –– Cheguei aqui dura, nunca contei com essa grana mesmo e se você está me garantindo que vou voltar pra casa com ela... eu topo! – Aceitei. Os gritinhos histéricos das minhas amigas ecoaram pelos meus ouvidos. –– Sofis você enlouqueceu e isso merece um brinde! – Sol comemorou feito louca. Voltei para a mesa e devolvi as fichas sobre ela. –– Eu aposto tudo! – Estava segura. Olhei desafiadoramente para aquele homem abusado. Estava decidida a mostrar à ele quem é que não tinha coragem. Observei com calma para todos os números e não tive dúvida ao escolher o meu. –– Treze, preto! – Arqueei uma sobrancelha para ele –– é meu número de sorte. –– Boa, Sophia! – Disse Nanda. –– É isso aí menina, manda ver. Mostra pra esse cara todo o seu talento! – Sol fez coro. –– Quatorze, vermelho! – Colocou todas as suas fichas ao lado das minhas me devolvendo o olhar de desafio. O maldito estava adorando toda aquela ceninha. –– É a data do nosso casamento. – Piscou. Revirei os olhos. –– Mais alguém? – Perguntou o responsável pela roleta. Mas as pessoas da mesa haviam me assistido jogar a noite toda, alguns já não tinham o que gastar, outros perceberam que aquele embate era apenas nosso, então ninguém ousou interferir. O que não impediu de se aglomerarem ao nosso redor, a fim de assistir aquele desafio. –– Muito bem. Apostas encerradas. – Anunciou. No momento em que a bolinha caiu na roleta e começou a girar, as vozes ao meu redor ficaram abafadas, minha respiração, no entanto ecoou forte em meus ouvidos, meu coração pareceu uma pedra de gelo e eu não consegui pensar em nada. Apenas fitei com força aquela bola e torci para que minha sorte não me abandonasse. Como cena de filme de ação, naqueles momentos decisivos em que as imagens começam a passar em câmera lenta a bola começou a diminuir a velocidade e ricochetear nas casas, foi passando devagar pelo dez, onze, doze e ao chegar no treze parou e eu comecei a ensaiar um grito de vitória. Queria sambar, literalmente na cara daquele apostador gostoso. –– Quatorze, vermelho! – Cantou o homem da roleta. Fechei os olhos e não pude acreditar que no último milésimo de segundo a maldita bolinha escorregou para a casa ao lado e levou minha sorte junto com ela. –– Acho que precisamos nos apresentar... – ele bem que tentou, mas não conseguiu esconder o sorriso presunçoso. –– Muito prazer, sou Aaron Fernandes Dutra, seu futuro marido. Levou minha mão gelada até os lábios e sem tirar os olhos dos meus, plantou um beijo suave nela. Eu sabia que eram macios!
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD