Uma exaustiva, porém, produtiva semana depois, com fisioterapias diárias, terapia fonoaudiológica, atendimento psicológico com dois profissionais e todos os exames devidamente prontos, o dr. Alonso resolveu me dar alta com a condição de que o tratamento tivesse prosseguimento domiciliar.
"Será um trabalho de equipe intenso, diário e seus esforços serão o que vai determinar o seu progresso. Não será fácil, mas vou te dar meu aval, desde que... se comprometa com tudo que combinamos." Foi com essa ressalva que ele assinou minha carta de alforria.
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— Com licença! – Aaron bateu à porta e colocou metade do corpo para dentro.
— Entre! – Respondi animada.
— Vejo que já deram a boa notícia. – Ele já estava fechando a porta atrás de si, quando notou meu sorriso bobo.
— Sim! O doutor me deu alta logo após o café da manhã. Já estou prontinha e não vejo a hora das meninas virem me buscar.
— Bem... eu...
— Tóc tóc! – Sol enfiou a cabeça entre a fresta da porta e o batente, obrigando Aaron a afastar-se da entrada. — Interrompendo alguma coisa, pombinhos?
— Claro que não, sua palhaça – fritei ela com os olhos. — Cadê a sua irmã? Preciso que uma de vocês assine a minha alta.
— Ué? Mas eu achei que...
— Eu ia dizer isto agora a ela! – Aaron levou a mão à boca como se pretendesse evitar uma tosse.
— Me dizer? O que foi gente? Por favor, não vão me dizer que o médico mudou de ideia... sem essa, eu vou sair daqui nem que seja pela janela. – Ameacei e estava realmente disposta a cumprir.
— Amiga, calma! – A irmã de Nanda sinalizou com a mão. — Sem dramas, ok? Você vai ter sua liberdade hoje, mas só quem pode assinar o seu "alvará de soltura" é esse gostosão aqui! – Deu dois tapinhas nas costas de Aaron.
— Ele? Por que ele?
É! Por que ele?
— Oras, por quê? – Deu os ombros. — Por que foi ele quem a trouxe até aqui e quem deu entrada na sua internação, pagou todas as custas das suas férias neste hospital e por que ele é o seu responsável legal também – depois de enumerar nos dedos todos os grandes feitos do meu "herói", soltou uma tossezinha incômoda. — E amiga, ele é seu marido. Esqueceu?
Meu marido!
Minha ficha, minha pulseira de identificação e o tratamento de toda a equipe que me atendeu sempre foi pelo sobrenome de Aaron. Estava tão empenhada em me livrar deste lugar que não me dei conta do pequeno detalhe.
— Marido? Gente esta brincadeira já foi longe demais. Eu até entendo e agradeço imensuravelmente por todo respaldo e ajuda financeira que você vem prestando a mim por quase um ano. Mas gente... acabou! Eu vou devolver toda a grana que você gastou comigo. Não sei bem como vou fazer isso... talvez com o dinheiro que eu ganhei no cassino, possa pagar uma bela parte do que... Perai! – Uma coisa reluziu na minha cabeça defasada. — Este dinheiro ainda existe, certo?
— Sim, ele existe. Já disse que sou um homem de palavra. Esse dinheiro é seu e está rendendo bons juros em aplicações que meu advogado cuidou de fazer em seu nome.
Eu o ofendi com minha pergunta repentina e ele fez questão de deixar isso bem claro. Mas não me senti culpada, afinal passei meses em coma e não tive tempo de conhece-lo, então que ele perdoasse as minhas desconfianças, eu teria que acreditar na sua palavra, mas, nada me impedia de perguntar sobre o que me deixava intrigada. Aliás, muita coisa me intrigava e com o tempo, todas as perguntas seriam feitas.
— Eu não quero que você se preocupe com nada disso agora... na verdade, não quero o seu dinheiro, mas cuidei de todas as suas coisas e vou continuar a fazer até que possa se virar sozinha, sra. Dutra.
— Mas eu insisto. – Não me importo se o ofendi. Não quero ser taxada de aproveitadora ou caloteira. — Eu quero devolver. E por favor, estou começando a ficar irritada com essa piadinha. Meu sobrenome não é Dutra. Vamos começar parando com isso...
— Amiga, seu sobrenome é Dutra! – Sol insistiu sem dó.
— Não, não é. E eu não quero mais brincar dessa coisa. Talvez se a gente não tivesse começado com essa história ridícula de aposta e casamento de mentira, eu não estaria neste hospital hoje. – Sem perceber, já estava alterada e acabei deixando sair coisas que não queria dizer na verdade. Não conscientemente.
Silêncio.
— Eu sinto por isto! Sinto por ter causando indiretamente todo o seu sofrimento. Você não sabe o quanto me arrependo amargamente por ter tido a ideia i****a de te propor aquela aposta... quero que você me desculpe – verbaliza o que seus olhos denunciaram dias atrás. Porém, diferente do que eu supus, ele não tem raiva, apesar de arrependido. Muito pior que isto: ele tem remorso. Com certeza também tem pena de mim. — Ainda teremos muito tempo para falar sobre tudo, eu apenas te peço calma.
Se afastou e encostou na parede, colocou as mãos nos bolsos.
Dei mancada, reconheço. Não podia trata-lo mau por conta da minha frustração. Ele estava se esforçando, mesmo não tendo responsabilidade alguma comigo.
E talvez fosse isso. Talvez ele estivesse esperando o meu perdão ou algo parecido, para se sentir aliviado e livre para seguir seu caminho.
— A culpa não foi sua. Me desculpe, estou exaltada. Ainda um pouco confusa. Eu devia ter prestado mais atenção no que estava fazendo, não devia ter atravessado no farol aberto. Foi uma fatalidade... – tentei desfazer o m*l-entendido de minhas palavras cruéis.
— Aaron, a Nanda está certa. Acho que você precisa dizer a ela. – Sol, angustiada, o cutucou com o indicador.
— Não. Ainda não é o momento! – Senti que ele a encarava ameaçadoramente.
Opa. Opa. Opa. Isto sim me causa estranheza.
— Dizer o quê? – Intrigada, examinei bem os dois.
A dupla segurou os olhares ríspidos entre si. Mas então ela cedeu.
— Sobre o casamento. – Solange sorriu tristonha. — Aaron, conte pra ela. – Empurrou o braço dele, o olhar era desafiador.
— Ah... o casamento! Certo... – passou a mão pela nuca e mudou o apoio das pernas. — Não foi de mentira.
Minhas sobrancelhas se ergueram e as dele, caíram.
— Nós somos marido e mulher perante a lei. Você é minha esposa, oficialmente a sra. Dutra, esse casamento realmente é verdadeiro...
O nervosismo me fez rir.
— O quê? Ah, por favor... não me venham com essa. Eu não sou tão burra quanto pareço, eu sei muito bem que para esse casamento ter sido validado precisaria ser registrado aqui no Brasil...
— E foi. – Ele não riu.
— Como assim? Foi? – Minha voz era um tanto aguda quando perguntei a Sol, que não moveu um músculo da face, me deixando completamente no vácuo.
— Bem, você sofreu o acidente e eu precisava cuidar de você, da sua internação e todos os outros trâmites... – Aaron foi quem começou a explicar, me tirando da ignorância. –– Nós não sabíamos o que poderia acontecer, você não tinha nenhum parente próximo e nos Estados Unidos as coisas são bem mais burocráticas que aqui, nesse quesito... você precisava de um responsável para qualquer eventualidade e eu usei nossa certidão de casamento, contatei meus advogados e eles cuidaram de tudo para tornar nosso matrimônio válido, até por que nós também precisávamos trazê-la de volta e eu precisava contratar um jato especializado, remoção, hospital... estando dentro da lei, eu tinha os documentos para tratar de tudo sem ter que precisar de autorização judicial.
Eu preciso de uma dose de vodca!
Não, uma dose não. Me lembrei que estava tomando remédios fortes e controlados. Então o que eu precisava mesmo era de dois comprimidos de Rivotril, na dosagem mais alta e... uma garrafa de vodca!
— Caramba, quanta coisa aconteceu enquanto eu "dormia"! – Ainda não processei a novidade.
— Olha eu pensei que seria uma coisa passageira e que logo nós poderíamos entrar com o pedido de anulação... só que...
— Nem sei o que te dizer... estou tão estarrecida – segurei a cabeça, desconcertada. — Então era isto que o médico não queria que vocês me dissessem quando se referiu a revelações e emoções?
Comecei a entender as coisas.
— Sim! Amiga, eu desejo de todo coração que nos perdoe por esconder algumas coisas... nós não queremos mentir pra você, só queremos poupá-la de certos traumas que possam lhe causar algum mau irreversível... eu sei que é a sua vida, mas nós queremos apenas assegurar que você esteja completamente bem e segura, sem nenhum risco pra poder seguir em paz quando for a hora. – Sol quando é séria, me assusta.
— Obrigada! Eu realmente estou bem confusa agora. Mas as peças vão se encaixando aos poucos, sei que vocês fizeram todas essas coisas pensando no meu melhor. Serei eternamente grata por isso. O que inclui você, marido! – Flagrei Aaron absorto em seus pensamentos.
Ele também precisava de uma bebida.
— Bom, quando for a hora podemos entrar com o pedido de divórcio e em pouco tempo você voltará a ser solteira.
— Solteira não... divorciada! – Sorri, corrigindo-o. — Bem, então agora você precisa assinar minha alta e a Sol vai me levar pra casa.
E tudo voltará ao normal.
— Não vou, não... – ela enrolou uma mecha de cabelos entre os dedos.
— Olha, você terá que fazer a reabilitação, fisioterapia, o acompanhamento médico ainda continuará por algum tempo, eu tomei a liberdade de incluí-la no meu plano de saúde... – o homem que hoje é meu marido, cheio de argumentos, volta a enumerar as coisas que vem pela frente.
— E... – isto não explica Sol querer me largar por aqui.
— E as suas amigas e eu, juntamente com os médicos, por questões óbvias e praticas, achamos por bem que você fique na minha casa até que esteja completamente restabelecida.
— Como assim vocês decidiram? – Aponto de um ao outro. — Vocês não podem decidir por mim... estou fisicamente debilitada, mas tenho exames que comprovam que minha mente está funcionando a pleno vapor. – Posso estar enganada, mas por uma fração de segundos, notei uma troca rápida de olhares, porém o ignorei. — Eu não irei para a casa de um estranho nem fodendo.
— Sim, nós podemos. – Aaron começou a demonstrar sinais de irritação. — Eu posso! – Afirmou com propriedade, apontando para si. — Eu tenho decidido por você por todo o tempo em que ficou inconsciente. Tenho sido seu responsável e o mais próximo de família que você possa ter, isso me torna bem íntimo, o que me lembra que como minha esposa, você tem que ficar ao meu lado... na nossa casa! Então enquanto você não tiver a alta definitiva, com o juízo completamente restabelecido... eu não lhe darei o divórcio e você continuará morando comigo!
O homem parecia um sargento dando ordens, apontava o dedo para mim e esbravejava. Quase me encolhi feito criança acuada.
— Mas eu...
— Não estamos em negociação. Está decidido e ponto! Agora eu vou assinar a sua liberação enquanto vocês recolhem suas coisas... estarei esperando por vocês na recepção. Também já estou de saco cheio deste hospital! – Contrariado, ameaçou sair do quarto.
— Escuta aqui seu maluco, não vou com você a lugar nenhum. Eu tenho casa e é pra lá que eu... – a porta se fechou na minha cara.
Maldito seja!
— Sol, pelo amor de Deus, não me diga que você e sua irmã estão sendo coniventes com isso... eu não acredito que vocês fizeram esse acordo pelas minhas costas. É por isso que a Nanda não está aqui? – Provavelmente minha melhor amiga não tinha coragem de me olhar nos olhos, pois sabia que estava cometendo uma grande m***a.
— Você sabe como minha irmã é – dá de ombros — ela concordou, descordando... ficou toda cheia de coisa, acho que o falso moralismo dela as vezes é algo gritante. Mas ela, assim como eu, entende que você precisa de cuidados, você não teve um leve desmaio. O que aconteceu com você foi grave, você quase morreu, a batida da cabeça foi coisa séria. Nós quase a perdemos!
Os olhos encheram de lágrimas e a voz fraquejou.
— Sofis, aquele homem esteve debruçado na sua cabeceira todos os dias desde que você foi internada. Ele tem velado seu sono, dado banho, ajudado a te trocar, cuidado de tudo... já até o flagrei penteando seu cabelo. Nós não seríamos tão loucas assim de deixá-la nas mãos de algum criminoso. Amiga ele é do bem. Ele vai cuidar de você.
— Seu pai também é médico. – Combato seus argumentos. — Ele pode me ajudar.
— Meu pai é cirurgião plástico, Sophia. O máximo que ele pode te fazer é uma lipo ou colocar um silicone e acho que não é disso que está precisando agora.
— Mas ele tem bons amigos médicos que são neurocirurgiões, clínicos... sei lá.
— Aaron está pagando os melhores do País – cruza os braços. — E até os de fora! – Assegura.
— Mas eu não quero ir com ele – forcei minha melhor cara de criança abandonada. — Vocês o conhecem, eu não! Eu não tenho essa confiança... estou com medo!
— Não tenha! Eu irei visitá-la com frequência, acompanharei suas fisioterapias, não vou deixar que ele te faça nada de m*l. Mas amiga, fora a Nanda e eu, você só tem ele neste momento. – Alisa meu braço. — Meus pais estão morando na Europa, papai está fazendo alguns cursos de atualização – explica. — Aaron vai cuidar de você como Nanda e eu não podemos no momento!
— Por que não? O que eu farei na casa dele que não poderei fazer no nosso apartamento?
— Amiga não existe mais apartamento.
— Não?
— Não ... eu estou dividindo outro apê com uma pessoa – ela falou receosa. — Aquele que dividíamos estava muito grande para a Nanda, não sabíamos quando você iria "voltar", ia...
Parou por alguns instantes, estava ansiosa, engolindo seco, não precisava completar a frase, eu anuo para que continuasse.
— Então ela se mudou para um flat. Nós temos um emprego agora, somos oficialmente assessoras de eventos e isso nos toma muito tempo porque atendemos clientes em todo o País, o que nos faz ficar longe de casa, não tem mais final de semana e feriados livres. É uma correria danada. Neste momento você precisa de um lugar com espaço, facilidade de locomoção... Aaron tem uma casa com acessibilidade e conforto, nós fomos até lá e preparamos um cantinho para você no térreo, tem uma academia e ele adaptou tudo para que você pudesse fazer sua fisio, haverá uma home care e outras coisas bem legais, você vai curtir... – Ela tentou me passar esperança e segurança ao mesmo tempo. Eu não tive coragem de dizer na lata, que ela havia falhado em seu intento.
— Meu Deus quanta coisa eu perdi? Eu não sei mais nada da vida das minhas amigas. Minha única família. Não tenho mais uma casa. Vocês já têm até emprego... isso por que nada de importante aconteceu nestes meses, né? – O sarcasmo foi inevitável.
— Quando tudo aconteceu, nós precisávamos voltar, por conta de vistos e sem trabalho, ficar por lá durante um tempo indeterminado ia sair bem caro para o papai, você sabe o que ele acha sobre sermos independentes financeiramente... Aaron ficou com você, todo essa etapa. Nós voltamos, tivemos que continuar as nossas vidas, muitas coisas aconteceram sim, e eu não queria falar disso agora. Por favor... me desculpe. – A voz dela é um suspiro desanimado.
— Tudo bem... eu também não sei se quero saber sobre todas essas "novidades", agora... não neste momento, neste hospital! Eu já estou começando a me sentir esgotada.
— Sophia, acredite em mim. No tempo certo, tudo ficará esclarecido. Você saberá tudo, eu prometo! – Segurou minhas mãos com força. — E as coisas vão voltar ao lugar!
— Eu estou com medo Sol... estou aterrorizada. – Reafirmo.
— Medo? Do Aaron?
— Não. – Repenso. — De sair por aquela porta... e dele também – no fim, precisei admitir — de sair daqui, de recomeçar, de encarar as coisas lá fora... p***a, eu perdi um ano praticamente. Não tenho mais uma vida, não tenho emprego, não tenho casa... eu sei lá, estou me sentindo um E.T.
— Você tem a mim – sua mão pequena, acalenta meus cabelos malcuidados — tem a Nanda, meus pais, mesmo que distantes por um tempo e agora tem seu marido. Tá! Não me olhe assim... ele já deixou bem claro que assumiu a responsabilidade de cuidar de você até que fique completamente curada. Isso não significa que precise se prender a ele pra sempre, mas neste momento somos tudo o que você tem e vamos nos unir para ajudá-la.
— Já que ele não quer a grana que eu ganhei em Vegas, poderia me devolver e assim eu posso dar entrada num apê pequeno e ir segurando as pontas até voltar a trabalhar...
— Sophia por favor... não seja cabeçuda.
— Se eu não fosse, já teria morrido! – Apontei minha cabeça e dei risada da minha desgraça. — Não estou afim de ficar com esse cara... ele pode ter passado todo esse tempo me pajeando e tudo mais, só que eu não estava consciente, eu não tenho i********e com ele.
— Deixe ele cuidar de você, ok? Afinal de contas tem sua parcela de culpa por tudo isso – há ressentimento em sua fala. — Então nada mais justo que se redimir cuidando para que tudo fique bem com você.
— Sol, eu só disse aquilo porquê estava com raiva, ele não tem culpa de nada. Eu que fui fazer gracinha no meio da rua e acabei dando azar!
— Tá... não vamos mais falar sobre isso... – definitivamente ninguém quer falar sobre aquele maldito acidente. — Nós não estamos te dispensando. Estamos apenas pensando no melhor para você! Quando tudo se resolver então nós sentaremos e traçaremos uma estratégia para que você volte a ativa, ter sua independência... mas antes, deixe as coisas rolarem. Muita água vai passar por baixo dessa ponte! – Profetizou.
— Não me assuste...
— Anda – afasta-se desconcertada. — Vou te ajudar a sentar nesta cadeira. Venha, se apoie em mim!
— E ainda tem isso... nem andar sozinha, eu posso. – Olhei com desanimo para meu novo meio de transporte.
— É temporário. Em pouco tempo você estará correndo. – Sol também estava desanimada assim como eu, mas preferiu esconder para que eu me sentisse bem.
Aaron voltou para meu dormitório de primeira classe com alguns papéis em sua mão esquerda, ele usou a mão livre para pegar minha pequena bolsa, jogou-a sobre os ombros e conferiu o lugar para ver se não estava esquecendo nada, acredito eu.
Sol e eu, o observamos silenciosamente enquanto eu começava a perceber que ele se movimentava inquieto, disfarçando sua ansiedade, talvez ganhava tempo para ter que me dizer o inevitável.
Bem. Chegou o momento de fazer esse "faz de conta" virar realidade!
— Estou pronta! – Do alto da minha cadeira de rodas, dei o primeiro passo. Foi a forma que encontrei de encorajá-lo.
— Ok! – Ele parou instantaneamente. — Já está tudo certo. Hora de irmos para casa.