- Eu não acredito nisso. - Meu coração palpitou, diversas vezes, vendo o homem do qual ele pertencia e minha melhor amiga na minha cama, aproveitando a noite enquanto eu me matava de trabalhar para conseguir um futuro melhor para nós dois. Que trouxa.
- Luna, calma, não é o que você está pensando. - Ramon veio tentando se explicar, enquanto m*l conseguia colocar as calças de volta. As lágrimas já começavam a se apossar dos meus olhos, deixando minha visão mais turva.
- Não, Ramon? - Falei incrédula, ele seria capaz de mentir á aquela altura? Que tipo de b0ba ele achava que eu era? - Então eu devo estar ficando louca e cega ao mesmo tempo.
- Eu vou explicar pra você, calma. - Ele ainda insistia enquanto tropeçava para vir atrás mim. Enquanto isso a loura em cima da minha cama, olhando para baixo, com lágrimas, como se ela tivesse sido a vitima ali. Eu não consegui deixar de rir amargurada. O que eu fiz para merecer aquilo?
- Para de achar que eu sou idi0ta, Ramon, meu deus, eu peguei vocês no ato, que explicação tem pra isso? - Me exaltei, apontando para Keila, que só então levantou os olhos para encarar os meus.- Eu sempre confiei em vocês, caralh0! Como eu sou burr4.
- Nunca mais vai acontecer, Luna, eu juro. - Ramon se ajoelhava na minha frente, tentando agarrar minhas pernas, mas eu recuei antes que ele pudesse me acalçar.
- Não vai mesmo. - Passei a mão nos olhos, secando as lágrimas e tentando recuperar a dignidade que ainda me restava. - Quero que vocês saiam da minha casa, quando eu voltar não quero ver mais nada de vocês aqui. Ou se não vou chamar a policia pra vocês.
Olhei dentro dos olhos dos dois, com o coração partido, me sentindo a pior pessoa do mundo e virei as costas, sem olhar para trás, sem rumo, apenas querendo me distanciar daqueles dois o mais rápido possível, escutando meu coração quebrar a cada passo.
Meu peito doía enquanto a cena se repetia na minha cabeça, e eu só queria que eu pudesse esquecer disso, mas como isso não era possível eu deixava as lágrimas rolarem para ver se levavam junto essas memórias.
Eu tinha sorte, era tarde da noite e não tinha tanta gente andando na rua, pra me julgar, pra tentar desvendar que tipo de problema eu estava passando, era eu, o céu estrelado, a brisa fria que corria no meu rosto e as lágrimas insistentes.
Em outra circustância aquela noite seria perfeita para uma caminhada, o silêncio das ruas, onde eu podia ouvir apenas meu soluço, era meu paraíso. Mas naquela noite, aquilo era meu pesadelo, me sentia sozinha, sem rumo.
Meu relacionamento havia acabado nessa noite, depois de 3 anos de dedicação da minha parte, trocada por um rostinho bonito que nem sequer tinha planos para o futuro. Frustrada? Eu estava demais. Por que eles sempre tinham que ser babacas assim?
Pensar no futuro, estudar e trabalhar para conseguir as metas era um defeito assim tão r**m? Estava começando a suspeitar que sim. Keila não tinha nada além de um rostinho bonito, não fazia nada em casa e nem gostava de estudar, muito menos trabalhar, então por que os garotos sempre escolhiam ela?
Eu nem era tão r**m assim...
E pensar que eu colocava aquela filha de uma mãe dentro do meu apartamento, confiava nela, e no final das contas ela estava se deitando com meu, agora ex, namorado na minha própria cama.
Meus pêlos se arrepiaram só de se lembrar da cena de novo, e as lágrimas voltaram com tudo para meus olhos. Eu era a garota mais azarada do mundo.
Ou era apenas idi0ta mesmo, por quanto tempo eles estavam fazendo isso por minhas costas sem que eu percebesse? Revirei os olhos para mim mesma e passei a mão pelos olhos.
Estava tão distraida com minha vida horrível que nem percebi que tinha alguém andando por ali além de mim, e acabei esbarrando na pessoa sem querer, caindo em seguida, de b***a no chão.
Era só o que estava me faltando.
Não sei se foi devido aos recentes fatos, mas eu nem cheguei a levantar, cai no chão sentada e ali fiquei, deixando as lágrimas saírem com tudo.
- Ei, tá tudo bem? - Foi só então que eu percebi que esbarrei em um cara, mas nem me dei ao trabalho de olhá-lo. Minha cara devia estar tão inchada de chorar que era capaz de assustá-lo. - Você se machucou?
Apesar da voz parecer preocupado, seu tom era tão grave, m*l parecia que ele me fazia uma pergunta.
- Sim, mas não foi culpa sua. - Falei, tentando fazer ele ir embora, entre os soluços que saiam da minha boca.
Por um momento tudo ficou em silêncio de novo, só conseguia ouvir de longe algumas pessoas conversando, e apesar de não ter ouvido os passos dele indo embora, eu deduzi que ele tinha feito isso.
Suspirei, tentando afastar de mim aquela sensação r**m que se apossou de mim, eu precisava me recompor, não era herdeira que podia passar semanas sem sair da cama e chorar por causa de um relacionamento. Mesmo que tenha me dedicado com sangue e suor pra que aquilo tivesse dado certo.
Abri os olhos e levantei a cabeça pra continuar a minha breve viagem pelas ruas da Califórnia.
Mas na mesma hora meu coração palpitou de novo, mas não foi pela mesma razão e sim por que ele ainda estava ali. O cara que eu esbarrei, ainda estava ali, em pé, me observando como se eu fosse algum tipo de aberração.
- Oi. - Foi a única coisa que ele disse, abrindo um sorriso simpático, que se eu podia comentar, não fazia muito o tipo dele. Pelo menos na minha cabeça.
Observei ele por completo, barba feita, olhos escutos, cabelos perfeitamente cortado, e de terno, ele parecia um pouco mais velho que eu, diria que uns 5 anos? Bem, isso era bem provável.
- Por que você ainda está aqui? - Perguntei, enquanto ainda me levantava. - Não esbarrei em você por quis, me desculpa.
Achei que era isso que ele estava esperando, um pedido de desculpas, por que esse tipo dele era bem assim que funcionava, né?
- Tudo bem, eu não me machuquei, só queria saber se estava tudo bem com você. - A sua voz era grossa, aveludada, fazia minha pele arrepiar de ouvir e ao mesmo tempo encarar seus olhos escuros. - Não é muito normal eu esbarrar em alguém e a pessoa começar a chorar muito, sem levantar.
- Mas eu disse que estava bem.
- Um Obrigada por se preocupar, já estaria de ótimo tamanho. - Ele me corrigiu, audacioso, rude. Ele nem me conhecia, como era capaz de falar assim comigo? Abri a boca algumas vezes, surpresa por suas palavras, mas no final das contas ele tinha razão, eu estava sendo m*l educada.
- Obrigada pela preocupação. - Murmurei, baixo, envergonhada. Onde já se viu, uma mulher da minha idade parecer uma adolescente assim?
- Você precisa conversar? - E apesar da aparência de outro mundo, ele realmente parecia estar preocupado, apesar de não demonstrar nenhuma expressão direito, ele estava sério, seus olhos praticamente conversavam comigo.
- Você é sempre assim? Generoso com todo mundo?
Ele abriu um sorriso, era mais como se tivesse rindo de mim, mas eu sabia que não tinha contado nenhuma piada.
- Digamos que no geral, eu nunca sou assim.
- E hoje foi excessão por quê? - Eu estava curiosa, tinha até me acalmado um pouco, esquecido um pouco do que tinha acontecido á algumas cenas atrás.
- Você sempre rebate com perguntas assim? - Ele revidou e eu soltei um riso leve, era a primeira vez no dia que eu tinha feito isso. Tinha saído tão cedo que nem tinha falado com Ramon, e voltei tão tarde que quando eu achei que seria a minha hora de ser feliz, foi totalmente o oposto. - Tão fechada.
- Na verdade não, só estou em um péssimo dia. - Comentei, suspirando fundo e abraçando a mim mesma, agora com o sangue mais frio, sentindo que foi uma péssima ideia ter saído assim furiosa sem pegar uma blusa de frio. - Péssimo mesmo.
Ele me analisou de cima abaixo por uns segundos, que pareceram horas, e meu corpo inteiro se arrepiou. Eu não costumava conversar com estranhos, ainda mais um estranho que parecia estar deslocado, meu bairro não era lá um bairro de nobres, que aparentemente ele era.
- Eu percebi. - Ele comentou, bem sério.
- E você parece deslocado, o que faz aqui?
- Fugindo da minha realidade. - Deu de ombros, como aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. - Não tem nada haver com você, não é culpa sua.
- O quê? - Perguntei confusa sobre o que ele estava querendo dizer. Ele estava ficando maluco? Ele não aparentava que tinha alguma doença da cabeça.
- Seu namorado, vocês terminaram não por que tem algo de errado com você. - Ele falou como se fosse intimo meu, trazendo de volta os sentimentos ruins que tinham se apossado de mim. Como ele sabia sobre isso? Fiquei encarando ele por algum tempo, um misto de sentimentos tomando conta de mim, medo era um deles. - Você fala sozinha..
Ele se explicou e uma luz se acendeu na minha cabeça, eu sabia desse meu defeito, mas quanto ele tinha ouvido?
- É.. - Eu não sabia muito o que falar, ainda estava meio assustada por causa de suas palavras, e ele apesar de não demonstrar muito ficou parado, olhando para mim tentando decifrar alguma coisa.
- Você se dedicou e eu achei isso incrível em você, desculpa se eu estava ouvindo. Não foi culpa sua, ele que não deu valor. - Eu abri um sorriso murcho, conformada com a situação. E embora eu sentisse uma vontade absurda de chorar, suas palavras me trouxeram conforto. - Bom, eu tenho que ir, foi um prazer te conhecer.
- Obrigada pelas palavras. - Eu agradeci, de verdade. Ele apenas sorriu, acenou com a cabeça mas antes que começasse a sair, tirou seu blazer e colocou sobre meus ombros.
Eu o encarei confusa, e ele apenas lançou mais um sorriso antes de virar de costas e andar pra longe de mim, me deixando confusa, com um misto de sentimentos que eu jamais tinha sentido antes, quem era ele? Eu estava delirando?