Capítulo 4

1583 Words
Eu me sentia uma adolescente de novo, sentindo borboletas no estômago por pensar num cara que eu conheci. E eu nem sabia quem era ele. E muito menos sabia que eu tinha essa capacidade de gostar de alguém tão rapidamente quanto eu acabara de perder outra pessoa. A real é que eu me sentia confortável com o Ramon, o conforto de não ter o trabalho de conhecer outra pessoa, de construir tudo de novo um relacionamento, de passar pelas inseguranças, brigas, e reconciliações, isso era muito trabalhoso, e por isso eu me contentei com o que eu tinha. Mas havia algo que eu não tolerava, e isso era a traição, eu podia ser sangue de barata mas não á esse ponto. Por isso fiquei surpresa quando percebi que superá-lo foi tão fácil, em tão pouco tempo. Precisava mesmo era me livrar da sua obsessão. Encarei o céu começando a ficar rosado, enquanto o dia amanhecia, e eu havia terminado o meu turno. Não vi mais o Viego na boate, talvez ele tenha ido embora depois da briga ou apenas se escondeu demais de mim pois não o vi uma única vez. As borboletas no meu estômago não me deixava em paz, a todo momento aquela sensação voltava, junto com a imagem dele em minha cabeça. Seu ar sério, sua postura rígida, e seu sorriso de canto discreto, aquele não fazia meu tipo, ou pelo menos não costumava fazer. Eu estava me metendo em encreca, não estava? Respirei fundo, seguindo meu caminho até a estação de trem pra ir para casar dormir, descansar, que o final de semana m*l tinha começado e eu tinha muito trabalho pela frente. Só que eu não conseguia pensar em nada além da voz dele me pedindo para me ver de novo. Sorri sozinha, no meio da estação, parecendo uma louca, pensando nisso, nele. E eu não me importava muito com os olhares curiosos das pessoas, provavelmente me achando uma louca, eles que se f0dam, nenhum deles pagavam minhas contas. O caminho não foi longo até em casa, como de costume, e assim que eu cheguei a primeira coisa que fui conferir foi a caixa de correio. Minhas contas estavam na data para chegar e essa semana tinha sido tão doida que eu m*l conferi minhas cartas. Contas. Contas. Contas. Encarei por um momento os planfetos de faculdade que sempre aparecia por ali e suspirei sabendo que eu nunca iria conseguir pagar uma, pra me profissionalizar, pra ter um emprego melhor. Joguei aquele pequeno papel no chão mesmo e segui meu caminho, vendo os outros papeis que chegaram enquanto eu subia as escadas pro meu apartamento. Estava pensando nas contas que eu teria que pagar este final de semana, e que o salário que eu pegaria no domingo, quase não sobraria nada para mim depois de pagar tudo. Suspirei frustrada, entrando em casa e jogando minhas coisas no sofá, tirando o sapato e deitando no chão gelado, enquanto encarava o teto. A vida adulta era uma merda, contas, amigos falsos, trabalho, falta de grana pra pagar e relacionamentos tóxicos. A vida era assim pra sempre? Uma m3rda? Fechei os olhos sentindo um alívio nas pernas, finalmente descansando depois de uma noite inteira em pé. E por mais incrível que parecesse eu estava sem sono nenhum. Senti meu celular vibrando e suspirei, achando que seria Ramon mais uma vez. A raiva subiu na cabeça por um momento pelo que ele fez e eu decidi pegar o celular dessa vez, e responder ele como ele merecia. Porém para minha surpresa, ao desbloquear o celular a mensagem que tinha ali não era de Ramon. Me levantei do chão e sentei no sofá, em meio as bagunças, pra ler a mensagem que chegou. "Aquele bab4ca teve o que merecia, uma ordem de restrição foi feita contra ele, não se preocupe que ele nunca mais vai se aproximar de você. Enviei um presente pra você, espero que goste, e use comigo hoje á noite. Estarei te esperando. Viego." Mal terminei de ler a mensagem, alguém bateu á porta. Até levei um susto com isso mas fui conferir quem era, olhei pelo olho mágico da porta e vi que era um entregador, com uma caixa em mãos. Abri a porta para receber. - Luna Fortune? - Perguntou ele, e apesar de receber o pacote em mãos, fiquei preocupada. Como ele sabia meu nome completo? e meu endereço? e telefone? - Assine aqui por favor. Ele me estendeu o papel e eu assinei, ainda sem falar nada, eu não tinha palavras. Logo que o entregador foi embora eu entrei, e fiquei encarando aquela caixa estática. E se fosse uma bomba? Mas por que ele teria motivos pra me m4tar? eu não era ninguém importante. Deixei a paranoia de lado e abri a caixa, me deparando com um vestido lindo, um salto alto e uma bolsa, todos pretos. Uma caixinha menor tinha algumas joias, um par de brincos, um colar e uma pulseira. E seu eu suspeitava bem, aquilo era diamante. Abri a boca no mesmo instante, percebendo que aquele "presente" comprava meu apartamento e ainda sobrava. Não vou mentir que havia gostado, muito, mas também fiquei zangada. Ele nem me conhecia direito e já estava me presenteando assim, com coisas caras, falando para eu usar com ele. Quem ele achava que eu era? Peguei o celular e liguei para o número que ele me enviou mensagem na mesma hora, esperei ele atender e na mesma hora que eu ouvi sua voz fiquei estática. - Luna. - Meu nome parecia derreter em sua voz, que bruxaria era aquela? - Você está ai? Ele chamou minha atenção depois que eu fiquei em silêncio, aprecisando sua voz. - Eu, eu tô...- Falei, tentando encontrar minha voz. Eu estava constrangida? - tô brava. - Brava? - Conseguia perceber a confusão na sua voz. - Não gostou do seu presente? - Christian não foi claro o suficiente com você? - Falei toda eufórica. Nem sabia o que estava rolando comigo. - Não entendi, Luna, precisa ser mais clara. - Revirei os olhos para sua serenidade enquanto eu explodia em nervosismo por ter uma conversa com ele. - Não sou acompanhante, Viego, quando disse que queria me ver, eu não imaginava que você pensava assim. Ele riu, cínico, como se o que eu tivesse contado tivesse sido a melhor das piadas. Eu fiquei ainda mais brava. - Você acha que eu mandaria Louis Vuitton para uma acompanhante, Luna? - O humor que estava em sua voz á segundos atrás havia desaparecido, e ele estava sério. Fiquei sem o que falar. Ele tinha um ponto. Mas meu orgulho estava ferido, tinha certeza que ele tinha pensado que eu era acompanhante. - Não conheço você o suficiente pra saber, Viego. - Também tentei manter a seriedade na minha voz, por mais que eu estivesse me tremendo por inteira sentindo o grave de sua voz deslizar por meu corpo. - Por que mandaria pra uma completa estranha? - Você tem um ponto. - Ele me deu razão, e eu suspirei baixinho, aliviada. - Mas eu convidei você pra sair para que possamos nos conhecer melhor, quem sabe. - E por que pensou que eu não poderia pagar por uma roupa para sair? - O lugar que vamos, você não costuma frequentar, não gostaria de te ver se comparando com garotas ricas e mimadas com roupas de grife, sendo que você é linda. - Ele tinha falado aquilo com tanta convicção que meu coração palpitou forte. Suas intenções eram as mais puras possíveis e eu acabei ficando eufórica sem motivo nenhum. Agora ele ia achar que eu era louca. - Só tem um problema, eu trabalho o final de semana inteiro. Não tem como nos encontrarmos. - Mordisquei minha unha, vagando meu olhar pelo chão da sala, esperando sua reação. Ele ficou em silêncio por alguns instantes. - Você gosta mesmo de trabalhar ali? - Paga as contas. - Tentei não parecer muito rude. - Posso te conseguir um emprego melhor. - Você me deu coisas demais. - Falei fitando as roupas na minha mesinha de centro, ainda mordendo a unha.- Não preciso de ajuda. Ele suspirou de outro lado da linha. Frustrado. - Você é difícil. - Murmurou bem baixinho, mas eu ouvi, embora fingir que não ouvi era mais fácil do que confrotá-lo, ele parecia bem o tipo de pesssoa que tinha uma resposta pra tudo na vida.- Folga? - Vou tentar. - Avisei. - Sem muitas chances de conseguir. Nossa conversa parecia tão intima, como se nos conhecessemos á tempos, e isso estava longe da verdade. Tirei a mão da boca antes que eu acabasse estragando todas as unhas e suspirei. - Me avise, ok? - Ok, Senhor.- Debochei, ele parecia que gostava de dar ordens. Acabei soltando um riso com minha própria piada. Mas não esperei por resposta, desliguei o telefone e fiquei encarando o nada, sonhando alto. Era um sonho não era? Só podia ser um sonho. Não esperei muito e mandei mensagem para o Chris, sem muitas esperanças de conseguir uma folga. "Chris, meu amor, poderia me deixar folgar hoje a noite? É caso de vida ou morte, juro que trabalho algumas horas extras depois." Segurei o celular contra o peito, torcendo pra que ele disesse sim. Por mais que minha cabeça insistia em dizer que era encreca, meu corpo inteiro pedia para eu ir. Eu merecia isso, não é? Merecia uma nova chance. Vai que dessa vez dá certo.
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