Dias atuais...
Acordo assustada, esse sonho novamente, aquela noite horrenda. Na verdade, desde que Belle disse que Cae vinha para o casamento eu venho tendo esses sonhos ou melhor pesadelos com a noite em que ele me deixou e com o dia que papai me obrigou a fazer o ab0rto, dias na verdade levou 5 dias, desde que começaram a me dar medicação, até que tão cansada de lutar pela vida dele, meu corpo exausto se permitiu ceder.
Meus pais me levaram pra fora da cidade na manhã seguinte à minha tentativa de fuga. Fomos para São Paulo onde tinha um médico amigo de papai que fez o ab0rto. Durante a viagem eu consegui pegar o celular da minha mãe escondido e ligar para Belle. Para infelizmente descobrir que Cae foi para os Estados unidos estudar, um intercâmbio ou algo do tipo, foi que falaram para eles, antes da faculdade, não sabia descrever o tamanho da minha dor. Sendo tratada com animal. Dói pensar nisso até hoje. E de fato acho que vai doer para sempre.
Meu dia passou rápido, não estava afim de nada hoje esses sonhos me deixava melancólica demais, e infelizmente o de hoje foi mais intenso que os outros, talvez pela sobra de rever ele no casamento, hoje eu me sinto realmente destruída por tudo que ele fez comigo, vou tentar com todas as minhas forças ser forte pela Belle nesse período, mas a minha intenção é de nunca mais ver ele. Ainda não consigo esquecer a forma que ele me abandonou.
Amanhã será o casamento e a primeira vez em um pouco mais de 5 anos que eu vou reencontrar ele. Pelos menos pessoalmente, não contei toda a história para Belle, apenas pedi que não falasse mais dele, e quando ele estivesse para vir ao Brasil me avisasse, eu sempre viajava para não ter que encontrar com ele, Ele esteve no Brasil algumas vezes, mas felizmente eu sempre consegui evitar nosso encontro. Não queria estragar o momento da Belle, ela sofreu demais com tudo que aconteceu na vida dela nos últimos meses, sei que se contasse ela não o convidava para ser padrinho comigo. Mas eu também não quero mexer nessa ferida, vou está perto dele só durante a cerimônia e depois disso não preciso nem ao menos falar com ele novamente...
Meu celular toca me trazendo de volta a realidade.
- Oi, Nike. - atendi animada, qualquer coisa que me tirasse desses pensamentos é boa.
- Paty, tudo bem?
- Sim! O que quer?
- Estou faminta! E entediada. Que tal uma pizza? - dou risada, ela sempre é assim..
- Perfeito. Estava mesmo pensando no que iria fazer agora à noite.
- Te pego em vinte minutos.
- Ótimo.
Troco de roupa. Opto por uma calça jeans, blusa rosa. Bolsa e sapatilhas nudes. Em menos de 20 minutos estou pronta e à espera da Nik.
- Onde vai, querida? - minha mãe pergunta.
- Comer pizza com uma com a Nik.
- Paty... - ela pronuncia meu nome de forma estranha.
- Sim?
- Amanhã é o casamento da Isabelle. - acho que sei onde ela quer chegar.
- É, uma pena mesmo vocês não poderem ir. - tento ser o mais natural, mas a verdade é que ver o Cae sem meus pais por perto pode ser mais fácil de lidar.
- Sim. É... E provavelmente o primo dela vira... - aí está, sabia que essa é sua preocupação.
- Não mamãe, não quero falar sobre Isso.
- Eu sei, e só que eu preciso te contar uma coisa...- graças aos céus a buzina me tira de lá, não quero falar sobre qualquer coisa relacionada a isso com eles nunca mais.
- Nik chegou. Até mais mamãe. – corro de lá como se a casa estivesse pegando fogo.
- Quando voltar teremos essa conversa Patrícia, até mais. – Nunca mais falamos nesse assunto, desde o dia em que tive que entregar o bebê sem vida para as enfermeiras, nem mesmo uma única vez. E justo agora que a ferida está querendo inflamar ela quer falar sobre. Ela não tem esse direito, ela não pode falar dele ou de qualquer assunto que envolve Cae, ou o Felipe.
- Oi. Tudo bem? Está com uma cara. - Nik diz assim que eu entro no carro.
- É, sim... por que não estaria? - dou de ombros.
- Ok. Podemos? - Nik levanta as mãos em sinal de rendição.
- Por favor.
Fui calada grande parte do trajeto, apenas respondendo com poucas palavras as suas perguntas.
- Tem certeza que está tudo bem? Posso te levar de volta pra casa. - coitada era para eu ser uma boa companhia.
- Não. Eu estou bem Nik. - respiro fundo.
Paramos em uma pizzaria bem agradável na orla. Estava uma noite quente e a brisa gostosa. Deixo de lado meus pensamentos em tudo que aconteceu no passado, sei que Nik também está em um momento delicado.
- Aí Nik, não sei como consegue tomar cerveja e comer pizza. – ela rir.
- Não é qualquer tipo, e um chopp. Deveria experimentar.
- Não, não mesmo. Massa tem que ser acompanhada de um bom vinho.
- Cae! – ela chama. A menção do nome me deixa paralisada. Ela se levanta e vai cumprimentar ele.
- Oi Nik- sua voz não havia mudado nada. Era realmente ele se eu tivesse dúvidas agora não tenho mais, essa voz ainda me causa arrepios.
- O que faz por aqui? - Nik pergunta animada.
- Mantando a saudade do lugar, tantos anos fora, vim dar um passeio e resolvi comer uma pizza antes de voltar para o hotel.
- Nos também, amanhã é o grande dia, Quer sentar com a gente?
- Não! – quando me viro ele leva um susto.
- Patrícia? – ficamos ali parados olhando um paro o outro no que me pareceu horas. Ele continuava lindo como sempre. Seus olhos castanhos continuavam penetrantes. Não tem mais o rosto de menino, uma leve barba serrada fazia sobra no seu rosto agora, dando um ar mais maduro, sexy.
- Eu tenho que ir Nik. – me liberto do encanto de ver seu rosto novamente. preciso sair daqui, não estou pronta para esse encontro, eu me preparei para amanhã no casamento não para esse encontro repentino.
- Não espera... – ele tenta segurar o meu braço.
- Não me toque, não ouse me tocar! - minha voz sai alta e estérica. respiro antes de continuar - Por favor, solte o meu braço. - digo mais controlada.
- Patrícia, por favor vamos conversar. Eu estou a dias tentando falar com você, tentando um contato, precisamos...
- Não! Eu não quero conversar, Caetano eu não quero te ver, eu não quero nada! Me escuta bem, nada que venham de você! Fui clara. Nada... – minha última palavra sai em meio ao choro que estava segurando, minha garganta queimando. era exatamente isso que eu queria evitar, dar a ele a chance de saber que eu estou ferida pelas suas atitudes.
- Isso não e justo Patrícia, você precisa me dá uma chance de explica. Te contar o que aconteceu. - ele insiste.
- Você está a mais de 5 anos atrasado não acha? Agora você quer conversar? Não temos nada pra ser dito um ao outro. - respiro me recompondo.
- Eu tenho muito pra dizer, eu preciso...
- Você precisa esquecer essa história como eu esqueci. Me faz um favor, não me dirija mais a palavra, vamos fazer isso amanhã pela Belle e depois volta a ser como está nos últimos anos, cada um no seu canto seguindo a sua vida.
Corri para onde Nik estacionou o carro, não demora muito para que ela me alcance, ela abre a trava e eu entro.
- Paty me desculpa. A Belle comentou que vocês namoraram quando adolescentes. Mas eu não sabia que o fim foi tumultuado. Não pareceu uma história ru1m, já que eles falaram com naturalidade sobre o assunto.
Finalmente sedo as lágrimas, eu não conseguia parar de chorar. Nik encosta o carro e me abraça. Depois de logos minutos finalmente me acalmo.
- Melhor? – apenas assinto.
- Me desculpe por isso. - estou m0rta de vergonha mas eu precisava por para fora.
- Sem problemas. Quer conversar?
- Não.
- Tudo bem. Se precisar...
- Obrigada Nik. - ela liga o carro e seguimos em silêncio para minha casa.
Depois de um bom banho e uma pílula gigante eu consigo dormir.