O símbolo

518 Words
Capítulo 10 — O Símbolo O silêncio voltou a dominar a sala de estudos. Clara colocou o anel de volta na mochila, sem perceber que Lúcio ainda o observava. Aquele símbolo. Ele o reconheceria em qualquer lugar. Era o brasão antigo da família Moretti, gravado apenas em joias feitas especialmente para os membros da família. Não era um objeto que pudesse ser comprado ou encontrado por acaso. "Ela ainda o guardou...", pensou. Mas sua expressão permaneceu completamente neutra. Clara voltou a sentar-se. — Obrigada por pegar. — Não foi nada. Ela abriu um livro de Direito e tentou se concentrar. Por alguns minutos, os dois trabalharam em silêncio. Até que Clara fez uma pergunta sem sequer levantar os olhos do caderno. — Posso te perguntar uma coisa? — Pode. — Você sempre é tão... fechado? Lúcio ergueu o olhar. — Fechado? Ela sorriu, sem graça. — É que você quase nunca conversa com ninguém. Ele respondeu depois de alguns segundos. — Conversar nem sempre é necessário. Clara soltou uma pequena risada. — Acho que isso explica muita coisa. Pela primeira vez, o canto dos lábios de Lúcio quase se moveu. Quase. --- Duas horas depois, o trabalho estava bem adiantado. Clara fechou o notebook. — Acho que fizemos bastante hoje. — Sim. Ela começou a guardar os materiais. Ao se levantar, sentiu uma leve tontura. Segurou discretamente a borda da mesa. Lúcio percebeu. — Está bem? Clara forçou um sorriso. — Só levantei rápido demais. Ele continuou olhando para ela por alguns segundos. Não acreditou totalmente na resposta. Mas não insistiu. --- Os dois deixaram a sala e caminharam pelo corredor. Mariana os esperava perto da escada. Assim que viu Clara, sorriu. — Finalmente! Depois olhou para Lúcio. — Obrigada por ajudá-la no trabalho. Lúcio apenas fez um leve aceno. — Não há de quê. Foi embora logo em seguida. Mariana esperou que ele desaparecesse no fim do corredor. Então virou-se para Clara. — Ele é diferente do que eu imaginava. — Também achei. — Continua assustador... Clara riu. — Um pouco. As duas seguiram para a saída da universidade. Sem perceber, Lúcio ainda estava parado no estacionamento, observando-as de longe. --- Naquela noite... Lúcio entrou no escritório particular da mansão. Abriu uma gaveta trancada. Lá dentro havia uma pequena caixa de madeira escura. Ele a abriu lentamente. Dentro dela havia outro anel. Idêntico ao que Clara guardava. Exceto por um detalhe. O anel de Clara era o par daquele. Lúcio fechou a caixa devagar. Seus pensamentos voltaram à sala de estudos. Ao momento em que o anel caiu no chão. À forma como Clara dissera que apenas o havia encontrado. Ela realmente não se lembrava. Nem dele. Nem daquela noite. Nem de como aquele anel tinha ido parar em suas mãos. Pela primeira vez desde o reencontro, Lúcio percebeu que manter distância talvez fosse mais difícil do que imaginava. E, sem saber, um perigo ainda maior começava a se aproximar. Na manhã seguinte, Vittorio Moretti pisaria na universidade para uma reunião com a direção. Se seus olhos encontrassem Clara... o destino de todos poderia mudar para sempre.
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