Capítulo 10 — O Símbolo
O silêncio voltou a dominar a sala de estudos.
Clara colocou o anel de volta na mochila, sem perceber que Lúcio ainda o observava.
Aquele símbolo.
Ele o reconheceria em qualquer lugar.
Era o brasão antigo da família Moretti, gravado apenas em joias feitas especialmente para os membros da família. Não era um objeto que pudesse ser comprado ou encontrado por acaso.
"Ela ainda o guardou...", pensou.
Mas sua expressão permaneceu completamente neutra.
Clara voltou a sentar-se.
— Obrigada por pegar.
— Não foi nada.
Ela abriu um livro de Direito e tentou se concentrar.
Por alguns minutos, os dois trabalharam em silêncio.
Até que Clara fez uma pergunta sem sequer levantar os olhos do caderno.
— Posso te perguntar uma coisa?
— Pode.
— Você sempre é tão... fechado?
Lúcio ergueu o olhar.
— Fechado?
Ela sorriu, sem graça.
— É que você quase nunca conversa com ninguém.
Ele respondeu depois de alguns segundos.
— Conversar nem sempre é necessário.
Clara soltou uma pequena risada.
— Acho que isso explica muita coisa.
Pela primeira vez, o canto dos lábios de Lúcio quase se moveu.
Quase.
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Duas horas depois, o trabalho estava bem adiantado.
Clara fechou o notebook.
— Acho que fizemos bastante hoje.
— Sim.
Ela começou a guardar os materiais.
Ao se levantar, sentiu uma leve tontura.
Segurou discretamente a borda da mesa.
Lúcio percebeu.
— Está bem?
Clara forçou um sorriso.
— Só levantei rápido demais.
Ele continuou olhando para ela por alguns segundos.
Não acreditou totalmente na resposta.
Mas não insistiu.
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Os dois deixaram a sala e caminharam pelo corredor.
Mariana os esperava perto da escada.
Assim que viu Clara, sorriu.
— Finalmente!
Depois olhou para Lúcio.
— Obrigada por ajudá-la no trabalho.
Lúcio apenas fez um leve aceno.
— Não há de quê.
Foi embora logo em seguida.
Mariana esperou que ele desaparecesse no fim do corredor.
Então virou-se para Clara.
— Ele é diferente do que eu imaginava.
— Também achei.
— Continua assustador...
Clara riu.
— Um pouco.
As duas seguiram para a saída da universidade.
Sem perceber, Lúcio ainda estava parado no estacionamento, observando-as de longe.
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Naquela noite...
Lúcio entrou no escritório particular da mansão.
Abriu uma gaveta trancada.
Lá dentro havia uma pequena caixa de madeira escura.
Ele a abriu lentamente.
Dentro dela havia outro anel.
Idêntico ao que Clara guardava.
Exceto por um detalhe.
O anel de Clara era o par daquele.
Lúcio fechou a caixa devagar.
Seus pensamentos voltaram à sala de estudos.
Ao momento em que o anel caiu no chão.
À forma como Clara dissera que apenas o havia encontrado.
Ela realmente não se lembrava.
Nem dele.
Nem daquela noite.
Nem de como aquele anel tinha ido parar em suas mãos.
Pela primeira vez desde o reencontro, Lúcio percebeu que manter distância talvez fosse mais difícil do que imaginava.
E, sem saber, um perigo ainda maior começava a se aproximar.
Na manhã seguinte, Vittorio Moretti pisaria na universidade para uma reunião com a direção.
Se seus olhos encontrassem Clara... o destino de todos poderia mudar para sempre.