CAPÍTULO 56 RAEL NARRANDO: O silêncio ficou entre nós dois como uma terceira presença. Pesado. Denso. Só o barulho leve da água da piscina batendo nas bordas e o som distante do morro respirando madrugada adentro. Eu puxei mais uma vez o baseado, sentindo a fumaça descer queimando devagar. Não olhei pra ela, mas sentia a presença da Luna ali do meu lado como se fosse calor irradiando. Ela quebrou o silêncio. — Você deve ser podre de rico, né, Rael? — a voz dela saiu quase leve. — Olha só essa casa. Soltei a fumaça pro alto. Olhei em volta. A piscina iluminada. A varanda enorme. O jardim bem cuidado. Segurança armada lá fora. A vista privilegiada do morro inteiro. — Tem coisas que o dinheiro não compra. Falei baixo. Ela virou o rosto pra mim. — Tipo o quê? Pensei por um segu

