Mar
Ah, eu estava tão feliz porque Tómas havia voltado pra casa, e Nico estava tão contente com o filho, ai, como eu queria poder ter um pai como Nico, e uma mãe como a Emilia, pois eles são os tipos de pais que eu sempre quis ter.
Algumas semanas haviam se passado, e a gente seguia roubando para Bernardo e Júlia, ah, eu não aguentava mais isso. Quando os dois não estavam por perto, a gente cantava para conseguir dinheiro, mas as vezes eles ficavam nos vigiando, daí não podíamos cantar porque senão com certeza eles iriam implicar, pois preferem trabalho sujo.
(...)
Era uma quarta - feira, 24 de dezembro, véspera de natal. Para mim essa sempre foi uma data triste, pois eu nunca tive família ou amigos para celebrar o natal, mas agora… Agora eu sentia que seria diferente, pois por mais que eu fosse obrigada a fazer coisas que não quero, eu tinha amigos, e pela primeira vez, eu tinha pessoas que gostam de mim, que querem o meu bem.
Nico e Emilia estavam preparando tudo para a ceia, e eu estava me arrumando. Emilia havia dado roupas novas para todo mundo para passarmos o natal, achei legal da parte dela.
Assim que terminei de me arrumar, bateram à porta do meu quarto. Era Gastón, logo autorizei o garoto a entrar.
- Uau! Você está… linda! - Falou.
- Obrigada. - Eu disse meio tímida.
- Hã… Eu… Eu queria te dar algo. - O garoto disse para a minha surpresa.
Gastón pegou algo do bolso da bermuda e me entregou. Era uma pulseirinha, era simples, mas muito linda.
- Que amor! - Falei ao olhar cada detalhe da pulseira.
Coloquei a pulseirinha e me pus a olhá-la, era linda.
- Obrigada! - Falei ao abraçá-lo.
- Gostou? - Perguntou meio tímido por conta do abraço.
- Muito! - Desfiz o braço e pude ver seu rosto corado. - Ah, eu também tenho algo para você.
- Sério? - Perguntou surpreso.
Peguei uma caixa de bombom que eu havia comprado para Gastón. Euge me falou que todos os anos, Nico dá dinheiro pra todos comprarem presentes pra quem quiserem, e com o dinheiro que ele me deu, eu comprei para algumas pessoas.
- Pra você! - Falei.
- Uau! É os meus bombons preferidos.
- Eu sei! Você me disse uma vez!
- Obrigado! - Sorriu meio tímido. - Feliz natal, Mar.
- Feliz natal!
O garoto me lançou um sorriso tímido, e em seguida, saiu do meu quarto.
Eu havia comprado presente pro Gastón, pro Juan, pro Tato, pra Euge, pro Nico e pra Emilia, comprei coisas simples e baratas, mas foi o que deu com o dinheiro, e o que vale é a intenção, não é? Também ganhei presentes deles.
Me pus a me pentear quando Juan apareceu em meu quarto.
- Mar?
- Sim?
- Hã… Isso tudo é pra ceia de natal ou é pra mim? - Deu um sorriso travesso.
- Pra ceia, né? - Segui me penteando. - E eu só coloquei uma roupa nova e fiz um pouco de maquiagem.
- Está linda! - Falou sem tirar os olhos de mim.
- Obrigada! - Sorri meio sem graça.
Segui me penteando sem olhar para o garoto, porém, pude senti-lo parado em pé na porta do quarto.
- Mar… - Falou chamando a minha atenção para si.
- Sim? - Guardei a minha escova de cabelo e me pus a olhá-lo.
- Eu te comprei algo.
- Mesmo? - Perguntei surpresa.
Por mais que eu tivesse comprado algo para o garoto, não esperava que ele pudesse ter comprado algo para mim.
Juan me entregou uma caixa de tamanho médio, e eu a abri, e era… era… era a coisa mais linda que eu já havia visto, nem sabia se eu poderia aceitar, e devia ter sido uma fortuna, diferente do presente simples e medíocre que eu havia comprado pra ele.
- Juan… isso é… um colar de diamante. Deve ter sido o olho da cara.
- Você merece! Deixa que eu coloco em você.
Me virei de costas para o garoto, coloquei o meu cabelo para o lado e ele colocou o colar em mim. Me olhei no espelho e me senti uma madame com um colar tão chique.
- Ficou lindo! - Falou o garoto.
- Eu… Não sei se posso aceitar.
- Se você não aceitar, ficarei muito chateado porque comprei pensando em você.
- Obrigada. - Dei um leve sorriso. - Eu… Também comprei algo pra você, mas não é uma joia tão cara assim.
- Seja o que for, eu vou amar.
Peguei o presente e dei para Juan. Era uma caneca personalizada com o nome dele e o desenho de um violão, instrumento que o garoto adora.
- Uau! Eu amei. É o melhor presente que eu já ganhei.
- Até parece… Você já deve ter ganhado inúmeros presentes melhores e mais caros que esse.
- Mas nenhum foi dado por você. - O garoto disse ao me olhar nos olhos, me deixando sem jeito.
- Gostou mesmo?
- Eu amei!
Juan me deu um beijo no rosto, me deixando totalmente tímida. Nisso, Nano apareceu, avisando que a ceia estava pronta. Pedi que Juan fosse na frente e aleguei que eu precisava ir ao banheiro, mas na verdade, eu não queria que Bernardo visse Juan e eu chegando juntos.
Aguardei por alguns minutos, e em seguida, desci, onde avistei todos reunidos aguardando a contagem regressiva.
(...)
Jazmin
Assim que deu meia noite, todos nos abraçamos e felicitamos uns aos outros. Eu já havia passado alguns natais no abrigo, mas eu sentia que esse seria diferente e especial. Tomara que eu esteja certa.
Após nos felicitarmos, sentamos à mesa para comer. Nico e Emilia que haviam preparado tudo, e estava tudo tão delicioso, nem sei do que eu mais gostei.
Assim que terminamos de comer, ficamos conversando e Nico ficou contando as suas histórias de criança e adolescente, eu gostava de ouvi-lo contar, pois era tão engraçado.
De repente, senti alguém cutucar o meu ombro, me virei e avistei Tato, que sem dizer nada, fez sinal para eu acompanhá-lo. Então nós dois saímos de fininho, enquanto Nico seguia contando as suas histórias, fazendo todos rirem e nem notarem a nossa ausência.
O louro me levou até a sala, onde estava a árvore de natal que havíamos montado há alguns dias.
- O que houve? - Perguntei.
- Hã… É que você me deu aquele livro irado, que vou me amarrar em ler, mas eu ainda não te dei nada.
- Ah, não se preocupe com isso. - Falei.
- Bom… É que… Comprei algo e espero que você goste.
Nisso notei que Tato estava o tempo todo com as mãos para trás. Ele colocou as mãos pra frente e então, eu pude ver um pequeno ursinho de pelúcia, que estava segurando um coração.
- Eu queria comprar um maior, mas não deu. - Falou meio envergonhado.
- É perfeito. - Falei ao pegar o ursinho.
Era tão fofo, fiquei fascinada com ele. Abracei o garoto, e logo abracei o ursinho.
- Vou dormir com ele todas as noites.
- E quando fizer isso, pense em mim.
- Com certeza! - Sorri, arrancando um terno sorriso de Tato.
- Euge…
- Sim?
- Eu queria te dar mais uma coisa, mas eu não sei se posso.
- Por quê?
- É que… - Se aproximou de mim e pegou na minha mão que estava livre, já que a outra eu estava segurando o ursinho.
Olhei para o garoto e nesse instante senti do que ele estava falando. Eu nunca tinha beijado ninguém, mas acho que não teria lugar melhor pra um primeiro beijo do que em uma noite de natal, embaixo de uma árvore natalina e com o garoto que você gosta.
- Eu… Você…
- Euge, posso te dar um beijo?
- Hã… Pode!
O garoto sorriu, fazendo eu sorrir também, e então, me beijou. O meu primeiro beijo de amor. Ah, nem acredito que isso estava acontecendo, com certeza esse foi o meu melhor natal.