O Resgate

1399 Words
Nico Finalmente eu havia conseguido arrecadar todo o dinheiro necessário para o resgate do meu filho. Ah, eu não aguentava mais essa angústia, sem ter uma notícia dele, sem vê-lo, sem ouvir a sua voz, sem saber se estava bem, se estavam maltratando-o. Eu nunca imaginei que algo assim pudesse acontecer com o meu filho, e quem pode ter feito isso com ele e por quê? O Tomás sempre foi um bom menino e uma criança tão alegre e comunicativa, ah, isso não faz sentido pra mim, e eu nem era rico ou algo do tipo. Gimena insistiu muito para ir comigo, porém, eu achei que não seria uma boa ideia, pois poderia ser perigoso, tendo em vista que eu iria me encontrar com criminosos, e sem falar que Gimena nem era a mãe do Tomás, não teria o porquê ela ir. (...) Cheguei no local no horário combinado, por volta de 20h, eu estava tão nervoso e ao mesmo tempo, ansioso para ver o meu filho, queria muito poder abraçá-lo e beijá-lo. Porém, assim que cheguei no local, olhei pelo retrovisor, e avistei um táxi atrás de mim, e de repente, avistei Gimena, que desceu do veículo. - O que ela está fazendo aqui? - Me perguntei. - Não acredito que ela me seguiu. Sai do meu carro e fui até Gimena. Questionei a morena sobre o fato de ter me seguido e ela alegou que não queria que eu fosse sozinho e que queria ir comigo, e então, eu pedi que pelo menos, ela ficasse escondida para os sequestradores não a verem e assim ela fez. Pouco depois, um carro preto parou no local, e do veículo saíram dois homens encapuzados, era impossível ver os seus rostos. E meu filho estava com um deles, porém estava vendado. - Filho! - Gritei. - Papai! O homem que estava com o Tomás ficou com o meu filho próximo ao carro, e o outro veio em minha direção. - Trouxe o dinheiro? - Ele perguntou. Peguei a mala que estava em meu carro, e entreguei para o homem, que pegou e abriu para ver se eu não estava enganando-o. - Agora me dá o meu filho. - Falei com sangue nos olhos. Eu estava furioso, e prestes a partir pra cima do homem a qualquer minuto. O infeliz do sequestrador riu e olhou para o outro, que estava com o meu filho, do outro lado da rua. - Mudança de planos. - Falou o que estava em minha frente. - O quê? - Perguntei sem entender. O homem que estava com o Tomás, fez menção em sair, e nisso eu parti pra cima do que estava a minha frente. Como assim "mudança de planos"? Eu fiz a minha parte, entreguei o valor combinado e agora eles não iriam devolver meu filho? Ah não mesmo! E enquanto eu saia no soco com o homem, pude avistar quando Gimena saiu do seu esconderijo com um pedaço de p*u enorme, e bateu na cabeça do homem que estava com o Tomás, o pegando por trás. O homem desmaiou na hora. A morena disse algo para meu filho, que consentiu com a cabeça, e então, ela deu uma paulada na cabeça do homem com quem eu estava brigando. Ele também desmaiou. Rapidamente peguei meu filho no colo e corremos para o meu carro. No caminho, Gimena ligou para a polícia, que conseguiu prender os sequestradores, porém a morena disse que não conseguiram pegar o meu dinheiro, pois não encontraram a mala, talvez eles tivessem a escondido, mas isso não me importava, pois o mais importante era que eu estava com o meu filho de novo em meus braços. Gimena foi dirigindo até o abrigo, pois eu só queria saber de curtir com o meu filhote. - Te machucaram, campeão? - Perguntei. - Não papai, me trataram bem, me deram comida, comi pizza, e me deram uns carrinhos pra brincar, mas fiquei com muito medo de nunca mais te ver. - Oh, meu amor… - Falei ao abraçá-lo. Logo olhei para Gimena, que seguia dirigindo. - Gime, muito obrigado. Eles iam fugir de novo com o meu filho, e você o salvou. - Não foi nada. - Sorriu. - É, obrigado Gime. - Disse o garoto. (...) Assim que chegamos no abrigo, os pequenos já vieram correndo e abraçaram o Tomás, que ficou muito feliz por ver os amiguinhos novamente. - Que bom que você voltou! Você fez falta. - Disse Lupita. - Eu senti muita saudade. - Disse Flor com um sorriso tímido. - Eu também. - Falou meio envergonhado. E de repente todos apareceram e abraçaram o meu filho, fiquei muito feliz por ver o quanto ele era amado e querido por todos. - Como você está? - Emilia perguntou ao pegar o garoto no colo. - Estou bem. - Sorriu docemente. - Todos sentimos a sua falta, viu? E fizemos de tudo pra você voltar logo pra casa. - Obrigado, pessoal. - Falou ao olhar para todos. (...) Mais tarde, eu fiquei na sala vendo filme com o meu nnfilho, porém, pouco depois ele acabou pegando no sono. Fiquei lhe fazendo cafuné, enquanto o menino dormia. Em seguida, Emilia apareceu e sentou ao meu lado. - É tão bom tê-lo de volta. - Falou. - Nem me diga! Eu amo esse menino mais do que tudo no mundo. - Senti os meus olhos ficarem úmidos. Eu queria contar toda a verdade à Emilia, eu confiava nela, o que era estranho, já que fazia pouco tempo que nos conhecíamos, mas eu sentia que podia confiar nela, e eu queria contar pra ela aquilo que eu nunca contei pra ninguém, nem pra Gimena, com quem eu namorei por alguns anos. - Sabe… Eu conheci a Carla, mãe do Tomás, ainda adolescente, estudamos na mesma escola, ficamos amigos, porém quando terminamos o ensino médio acabamos perdendo o contato. Nos reencontramos alguns anos depois, ela estava diferente, mas continuava bonita. - Notei que a loura não parou de me olhar desde que eu comecei a falar. - E então começamos a namorar, e alguns meses depois, ela me contou que estava grávida, havia engravidado de outro pouco antes de começarmos a namorar, e o cara havia lhe abandonado, não quis saber dela e nem da criança. - Notei o seu olhar atento e confuso. - O Tomás não é meu filho de sangue. - Pude notar o seu olhar surpreso. - Mas eu amava tanto a Carla, que resolvi registrar e assumir a criança, e quando o Tomás nasceu, eu tive certeza de que ele era meu filho. - Fiz uma curta pausa. - Faz uns 5 anos que a Carla nos deixou para ir exercer a sua profissão de médica em países da África, e desde então, eu cuido sozinho dele. Tomás e eu nascemos um para o outro. - Senti algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto. - Com certeza não há ninguém nesse mundo que ame mais esse menino do que eu, e podem falar o que for, mas jamais poderão dizer que esse garoto não é meu filho. Notei que Emilia estava chorando, e então, em pleno silêncio, a loura me abraçou, me pegando um pouco de surpresa, embora eu tenha gostado. - Você é incrível. - Falou ao desfazer o abraço. - Não sou, não. - Falei meio tímido por conta do olhar azul da loura que pairava sobre mim. - Com certeza o Tomás tem o melhor pai que ele poderia ter. - Obrigado. E… Valeu… Por tudo. Emilia e eu ficamos nos olhando em silêncio por alguns segundos, até que eu notei que já estava ficando tarde. Então dei "boa noite" para a loura, e peguei o meu filho no colo. O levei até o seu quarto, o coloquei em sua cama e depois fui em direção ao meu quarto, porém antes de entrar nele, acabei vendo Gimena sair do seu dormitório. - Gime… - A mulher se virou para mim. - Muito obrigado, você salvou o meu filho… Se você não estivesse lá… - Não foi nada, eu só quis ajudar. - E ajudou. Muito. - Que bom! E fico feliz que o Tomás esteja em casa de novo. - Eu também. Boa noite. - Boa noite. Entrei em meu quarto, deitei em minha cama e sorri. Foi um dia e tanto, mas ainda bem que ocorreu tudo bem.
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