Após todos terem ido dormir, eu fui pé por pé até o quarto da Júlia, Euge foi comigo, porém, ficou vigiado para ninguém aparecer, pois estava com medo que eu me ferrasse e alguém me visse, eu achei que isso seria meio difícil de acontecer, já que todos já haviam ido dormir, e Gastón havia se certificado de que ninguém estava acordado, mas acho que a loura era meio paranóica.
Euge ficou no corredor espiando para ninguém aparecer, e enquanto isso eu entrei no quarto de Júlia, que parecia um trator quebrado, pelo barulho que fazia, parecia estar em um sono pesado, talvez não fosse tão difícil assim pegar a chave. Tato havia me dito que a víbora sempre deixava a chave embaixo do seu travesseiro, e por isso que eles não arriscavam a pegar, e claro, também porque eles tinham medo de serem pegos.
Me aproximei vagarosamente de Júlia, que estava imóvel. Respirei fundo, enquanto criava coragem para pegar a chave para fugir daquele lugar, e assim, poder ser livre, que era tudo o que eu mais queria, se bem, que sentiria muita saudade da Emilia, do Nico e do i****a do Juan.
Fui quase em câmera lenta até o travesseiro da mulher, coloquei a minha mão embaixo dele, me certifiquei que Júlia ainda dormia, acho que o remédio havia feito efeito, e assim que senti a chave, a peguei com muito cuidado para não fazer barulho, e então sai do quarto pé por pé. É, a primeira parte do plano havia sido concluída com sucesso.
Em seguida, fui até a porta de entrada, onde avistei os meus amigos, que me aguardavam ansiosos e preocupados.
- Conseguiu? - Matteo perguntou.
Mostrei a chave pra eles, que vibraram de alegria.
- Você é demais, Mar. - Falou Gastón. - Eu sabia que você ia conseguir.
- Deixa que eu abro. - Tato pegou a chave da minha mão.
O louro abriu a porta, para nossa alegria e logo fomos até o portão. Matteo, Lupita e Euge olhavam a todo instante para trás, pois estavam morrendo de medo que Bernardo ou Júlia aparecessem, bom, eu também estava com medo, mas estava com fé que iríamos conseguir escapar.
E de repente, Tato conseguiu abrir o portão, para a nossa alegria.
- Estamos livres. - Comemorou Nano.
- Nunca mais vamos ter que roubar. - Vibrou Lupita.
E então saimos correndo. Para onde estávamos indo? Não fazíamos ideia, estávamos sem rumo, sem saber pra onde ir, mas o importante é que de agora em diante não precisaríamos mais ter que roubar ou entregar drogas, e sério, eu queria ser uma mosquinha para ver o que aqueles dois fariam sem a gente e sem ter quem fizesse o serviço sujo pra eles, ah, essa eu pagava para ver…
- Pra onde vamos? - Perguntou Lupita.
- Pra qualquer lugar longe daqui, irmãzinha. - Respondeu Gastón.
- Vou sentir saudade do Tomás, da Flor, da Emilia e do Nico. - Falou Matteo.
- Sim, todos sentiremos falta de alguém. - Disse Tato. - Mas estamos fazendo isso para não sermos mais explorados por aqueles dois infelizes.
Ficamos caminhando por algum tempo sem rumo, até que já cansados, decidimos parar e ficamos embaixo de uma ponte, pois achamos que podia ser um pouco mais seguro, e já estava esfriando, e não tínhamos levado muita roupa, na verdade, levamos pouca coisa, cada um de nós havia levado apenas uma mochila com algumas peças de roupa e algumas coisas de comer, não duraria muito, mas creio que daria para os primeiros dias, e depois a gente teria que dar um jeito de nos virarmos para conseguirmos mais comida, mas claro que sem roubar, pois isso era algo que não queríamos fazer nunca mais.
- Está frio! - Falei.
- Pode ficar com o meu casaco. - Gastón tirou o seu casaco e fez menção em me entregar.
- Obrigada, mas não posso aceitar, não quero que você fique com frio.
- Não estou, eu não sinto muito frio. - Alegou o louro.
- Mesmo? - Ele acenou positivamente com a cabeça, e eu peguei o seu casaco.
Olhei para Euge em busca da minha amiga, e a vi abraçada com Tato, ah, os dois eram tão fofos juntos, e era meio engraçado porque todo mundo sabia que um gostava do outro, menos eles.
Me pus a olhar para o céu que estava todo estrelado, e me pus a pensar o que Juan iria fazer, ou como iria reagir quando visse que eu fugi. Ah d***a, eu nem sei o porquê de estar pensando nesse i****a, com certeza, ele nem ligaria, talvez até comemorasse com o papai dele que havia se livrado de mim e dos meus amigos, acho que os únicos que sentiriam saudade de verdade da gente seriam a Emilia e o Nico.
(...)
No dia seguinte acordamos assim que o sol se fez presente, estávamos sem relógio, mas devia ser bem cedo, acho que no abrigo ninguém deveria ter acordado ainda.
Eu fui uma das primeiras a acordar, e assim que acordei, vi Gastón, já desperto, olhando para o horizonte, e resolvi ir até o garoto.
- Acordou cedo. - Falei.
- Nem consegui dormir.
- Por quê? O que houve?
- Estou com medo que nos encontrem, você sabe que se isso acontecer, o nosso castigo será o pior possível.
- Eu sei, mas não vão nos encontrar. - Falei.
- Tomara.
O garoto me olhou, sorriu e logo me abraçou pelo ombro. Eu sorri também.