Juan e eu ficamos nos olhando por alguns minutos e ele me olhava de um jeito… Porém, em seguida, eu caí em mim e me afastei bruscamente dele.
- i****a! - Falei ao lhe dar um leve empurrão.
Eu deixei o garoto sozinho e fui para meu quarto, me joguei em minha cama e comecei a socar o meu travesseiro de raiva, por que esse filho do cruz credo tinha que mexer tanto comigo? Eu odiava cada vez que ele se aproximava de mim, e odiava tudo o que ele fazia eu sentir, quando eu estava com ele, eu sentia coisas… Coisas que eu nem sei explicar o que era, e eu detestava isso.
- Mar… - Ouvi uma voz familiar atrás de mim.
Me virei e vi Gastón parado na porta do meu quarto.
- Gas… - Me sentei na cama. - Como você está?
- Um pouco dolorido. - Sentou ao meu lado. - Quando o Bernardo começou a me bater, eu pensei que ele fosse me m***r.
- Ai, não fala isso!
- Eu fiquei com muito medo de não ver nunca mais a Lupita, e… você. - Me olhou fixamente, me deixando sem graça.
Gas se aproximou de mim, e foi ficando cada vez mais e mais perto de mim, era como se ele fosse me beijar, então me levantei, me afastando dele.
- Hã… Eu estava pensando numa coisa. - Falei.
- No quê? - Perguntei.
- Eu estou cansada, sabe? Da gente ter que roubar, entregar drogas, e eu nem suporto o cheiro dessas porcarias. E agora isso com você… Eu estava pensando… E se a gente fugisse?
- Mar, não é tão fácil. Se nos pegarem…
- Mas não vão. É só a gente fazer tudo direitinho, e pode deixar que eu vou pensar em um plano.
- Só você… - Falou ao balançar a cabeça.
(...)
Eu falei com Euge, Tato, Nano, Lupita e Matteo sobre a minha ideia de fugir e todos estavam com bastante medo, mas acabaram aceitando a ideia, Matteo foi o mais relutante e era o mais medroso, mas não o julgo por isso, era criança e até eu estava com um pouco de medo, porém, mesmo assim, ele acabou topando a ideia.
Tato falou que a chave da porta de entrada e do portão ficavam com Júlia e que um de nós teria que pegar à noite, e eu acabei ficando com essa missão, já que a ideia foi minha e já que era a parte mais difícil, já Tato ficou encarregado de vigiar para ninguém nos ver.
Se eu estava com medo? Muito, mas também estava confiante e com fé de que iríamos conseguir e que seríamos livres, e na boa, eu preferia morar na rua e não ter o que comer do que ter teto e comida, mas ter que fazer coisas ilegais. Mas por outro lado… Ah, eu sentiria falta do Nico, da Emilia, e do… Juan, ah, bom, de todos, quer dizer, exceto do Bernardo, da Júlia e da Gimena.
Eu fui até a cozinha para beber algo, e vi Emilia preparando o jantar. Sem ela me ver, fiquei a olhando por alguns segundos. Eu não sabia como era ter uma mãe de verdade, mas se eu pudesse escolher, gostaria que Emilia fosse a minha mãe, se bem que ela era meio jovem pra ser mãe de uma adolescente de 16 anos, mas tenho certeza de que ela seria uma mãe incrível, pois era tão boa, generosa e carinhosa, com certeza qualquer um gostaria de tê-la como mãe. Ah claro, e se eu pudesse escolher um pai, com certeza eu escolheria o Nico, que era como um verdadeiro pai pra todos nós, e se fosse assim, Tomás seria o meu irmãozinho, ah, até que seria legal ter um irmão mais novo e tão fofinho.
- Mar… - A mulher disse ao notar a minha presença. - O que está fazendo?
- Hã… Vim beber água. - Coloquei o meu copo na pia. - O que terá de jantar?
- Macarronada. Quer me ajudar?
- Ah… - Dei de ombros. - Eu quero.
- Sabe fazer carne moída?
- Sei fazer de tudo. Aprendi a cozinhar no quinto abrigo.
- Legal. Então, prepara a carne moída, que eu farei a massa. - Falou a loira.
- Ok.
Eu ajudei Emilia a preparar todo o jantar e depois preparei o suco de maracujá, como a mulher havia me pedido, e modéstia a parte, tudo ficou muito bom. Todos gostaram muito e elogiaram bastante, confesso que fiquei feliz por isso.
(...)
Após o jantar, cada um foi para o seu quarto. Euge e eu ficamos conversando sobre a fuga, estávamos com medo, mas muito ansiosas e torcendo para dar tudo certo.
Ah, Gas ficou com muito medo de Júlia se acordar quando eu fosse pegar a chave, pois ai eu seria uma Mar morta, e por isso, ele sugeriu que a gente desse um remedinho pra ela dormir melhor. Júlia sempre toma um pouco de água antes de dormir e deixa o copo de água na sua escrivaninha, ao lado da sua cama, e assim que ela foi tomar banho, Gastón e Nano foram até o quarto da bruxa, e enquanto o menor vigiava para ninguém ver, Gas entrou e colocou um remedinho na água da víbora, e depois os dois saíram sem serem vistos.
Esperamos todos irem dormir, e depois os menores e os meninos vieram até o nosso quarto para combinarmos tudo. Eles me esperariam perto da porta de entrada, mais precisamente embaixo da escada do corredor, para não correrem o risco de alguém os ver enquanto eles me esperassem.
É, acho que estava na hora de pôr em prática o nosso plano.