- Juan, eu… - Olhei no fundo dos olhos do garoto, que me olhava de um modo curioso. - Hã… Eu acho que… O Bernardo…
- Mar, esquece o meu pai. Ele não precisa saber. - Me olhou tão fundo nos olhos, que eu quase pude ver a sua alma.
- Eu… E se ele descobrir?
- Não vai.
- Mas e a Júlia?
- Também não precisa saber, nem a Gimena, o Márcio e a Dolores. Mais alguém?
- Hum… - Pensei um pouco. - Acho que não.
Eu dei um sorriso travesso, e o garoto sorriu e logo me deu um beijo ardente, de me tirar o fôlego. Acho que seria emocionante essa coisa de namorar escondido, porém, não seria nada emocionante se Bernardo ou Júlia descobrissem o nosso namoro, até porque, digamos que eu não sou a nora que Bernardo gostaria de ter e ele tampouco, era o sogro que eu pedi à Deus.
Aaaaaaah, eu estava namorando com o Juan, nem dava para acreditar, parecia um sonho, do qual eu não gostaria de acordar.
O garoto e eu ficamos nos beijando por algum tempo, e quando fomos sair, eu sai primeiro e ele saiu minutos depois, pra evitarmos de alguém nos ver.
Subi as escadas correndo e fui para meu quarto, Euge estava deitada em sua cama, lendo um livro.
- Amigaaaaaa! - Me joguei em cima dela.
- Ai!
- Desculpa! - Me sentei ao lado dela. - Adivinha! Adivinha! Adivinha!
- O quê? O quê? O quê?
- Adivinha quem é que está namorando.
- Como é? - Ficou boquiaberta. - Me conta essa história direito. Eu quero saber de tudo!
Eu contei para Euge o que havia acontecido entre mim e Juan, e ela ficou chocada, e disse que me ajudaria com isso do namoro escondido. Eu havia contado para Tato também, afinal, toda ajuda para Bernardo e Júlia não descobrirem seria bem vinda, porém, quando eu contei para o cabeludo, Gas acabou escutando, nem havia o visto chegar.
- Você e o Juan estão namorando? - O garoto me perguntou.
- Estamos. - Falei meio cabisbaixa, não consegui olhá-lo, pois sabia o que o garoto sentia por mim.
- Ah… Espero que ele te faça feliz.
- Obrigada! - Falei meio sem graça. - Ah Gas, o Bernardo e a Júlia não podem saber.
- Eu sei! Fica fria! Não vou contar. Prometo.
- Eu sei, confio em você. Obrigada!
O garoto sorriu meio sem jeito, mas estava com um olhar triste, o que me deixou meio m*l, não queria vê-lo assim.
Pouco depois, fui até o quarto da Emilia, bati à porta e ela logo me deu permissão para entrar. Adentrei o seu dormitório e a vi secando os seus cabelos úmidos, obviamente recém havia saído do banho.
- Emilia… Hã… Podemos conversar?
- Claro, meu bem. - Se sentou na cama. - Senta aqui! - Me sentei ao lado dela. - Aconteceu algo?
- Se eu te contar um segredo, você promete que não conta pro Bernardo e nem pra Júlia?
- Claro. - Falou parecendo preocupada.
- É que… Hã… O Juan e eu… estamos juntos. Estamos namorando.
- Sério? - Abriu um imenso sorriso. - Ai, que maravilha! Isso é ótimo!
- É… Mas… O pai do Juan não pode nem sonhar, ele não acha que eu sou a garota ideal para o filho dele. - Revirei os olhos.
- Não se preocupe com isso. - Sorriu docemente.
- Eu… Eu queria te contar, porque pra mim, você é a mãe que eu não tenho.
- Oh, meu amorzinho… - Acariciou as minhas mãos. - Mas fiquei muito feliz de saber disso, viu? - Falou a loira, ao me arrancar um sorriso tímido.
(...)
À noite Euge, Tato, Juan e eu resolvemos fazer um jantar de casais. Os garotos arrumaram tudo em uma sala, que não era usada para nada, e Emilia até nos ajudou, pois foi orientando os garotos na cozinha, porque se dependesse deles, comeríamos só carvão. E Emilia e Nico foram nossos garçons, nos serviram tudo, e isso tudo foi ideia do Juan e do Tato, ah, eu estava me sentindo em um restaurante super luxuoso.
Após terminarmos de jantar, Emilia e Nico foram dormir, e nós quatro ficamos mais um pouco conversando e trocando beijos.
- Acho que está ficando tarde, né? - Comentei.
- Ah não, está cedo, não são nem 3h ainda. - Disse Juan.
- A Mar está certa, está tarde. - Disse Euge.
- Mas nem temos aula amanhã. - Falou Tato ao abraçar a namorada.
- E eu não deixo você ir. - Juan disse ao me abraçar fortemente, mas com cuidado para não me machucar.
- Já sei! E se vocês dormissem com a gente? - Tato disse ao dar um sorriso travesso para Juan.
- Grande ideia! Dorme comigo, Mar?
- Quê? Cê perdeu o juizo, garoto? Como você acha que… - Comecei a metralhar as palavras.
- Não Mar… Não vamos fazer nada.
- Claro que não! - Disse Tato. - É só pra dormir juntinho, abraçadinho.
Olhei para Euge, que deu de ombros. Pedi licença para os dois e chamei minha amiga em um canto, perguntei o que ela achava e Euge também estava em dúvida, mas resolveu confiar neles.
Assim que voltamos para onde os garotos estavam, a loira disse:
- Ok, nós aceitamos, mas é só para dormir e mais nada.
Os dois sorriram e nos abraçaram. Pouco depois, guardamos todas as coisas e fomos para o nosso quarto, não quisemos ir para o quarto dos garotos por conta de Gastón e Nano.
Euge e Tato se deitaram na cama da garota, e Juan e eu nos deitamos em minha cama.
- Amanhã bem cedinho, vocês vão para seu quarto. - Falei.
- Relaxa, ninguém vai nos pegar aqui. - Disse Tato.
Nos ajeitamos para dormir e Juan me abraçou, fazendo o meu coração acelerar.
- Boa noite, princesa! - Falou.
- Boa noite!
Me deu um selinho e fechou os olhinhos para dormir. Fiquei vendo-o dormir enquanto pensava o que ele havia visto em mim. Pouco depois acabei dormindo.