- Juan?! - Disse Emilia ao abraçar o garoto.
Juan? Como assim? Não, não podia ser. Sim, era ele. E estava tão… lindo. Lindo como sempre. Eu fiquei ali parada, completamente imóvel, sem reação, não sabia o que dizer, eu me aproximava e falava com ele? Ou o ignorava?
Juan também abraçou Emilia, e parecia feliz, animado…
- Como foi a viagem? - A mulher perguntou.
- Foi…
E nisso o garoto me viu ali parada, e paralisou, parecia que havia visto um fantasma. Baixou o olhar, mas logo voltou a me olhar.
- Oi, Mar.
- Hã… Oi. - Falei meio sem graça.
Em seguida, o garoto se dirigiu para Emilia.
- O meu pai está?
- Está sim, querido. Está lá no escritório dele. - Disse a mulher.
- Valeu. Vou largar as minhas coisas no meu quarto e depois vou falar com ele.
- Pode ir, eu guardo as suas coisas.
- Valeu, Emi. - Deu um beijo no rosto da mulher e saiu.
Ah, ele me odeia! Ele m*l falou comigo, me tratou como se eu fosse um ninguém, e tudo por culpa do infeliz do pai dele. Eu estava feliz por Juan estar de volta, mas não queria que as coisas fossem assim, não queria que ele me odiasse, que m*l falasse comigo… Se bem que, talvez as coisas fossem melhor assim, já que o filho da p**a do Bernardo não queria que a gente fosse nem amigos.
Eu subi correndo para o meu quarto, pois queria contar a novidade para Euge, e a garota ficou super contente com a história.
- Eu não acredito que ele voltou. - Disse Euge.
- Voltou, sim. E m*l falou comigo…
- Ai amiga, não fica assim! Dê um tempo a ele. - Assenti com a cabeça. - Vou lá falar com ele.
A garota saiu rapidamente do quarto e eu me sentei na cama, estava meio pensativa.
(...)
Bernardo parecia muito feliz com a volta do filho, e antes que eu pudesse pensar em qualquer outra coisa, ele já me advertiu para que eu ficasse longe do garoto, mas acho que ele nem estava fazendo muita questão de ficar perto de mim mesmo.
Eu fui até a sala e vi Gimena e Nico conversando, a mulher parecia estar incomodando ele, que parecia estar desconfortável com a situação.
- Gime, chega! Eu já falei que não temos mais nada, e agora estou com a Emilia.
- Mas eu te amo. - Argumentou a morena.
- Mas eu não!
Fui até a porta da entrada principal, e quando ia abrir para sair, me deparei com Juan, Dolores e Márcio, que estavam entrando. Ao me ver, Juan desviou o olhar, já os outros dois me olharam com cara de nojo, ah, eu não suporto eles.
Fui até o pátio, me sentei em um banco e fiquei vendo Nano e os pequenos jogando futebol, pareciam estar se divertindo.
- Mar, quer jogar com a gente? - Nano perguntou.
- Não, obrigada, prefiro só ficar vendo. - Respondi.
- Você que sabe! - Disse Flor dando de ombros.
Pouco depois, o trio saiu de casa e se sentaram em umas cadeiras de praia, que tinha perto da piscina, Dolores ficou tomando banho de sol enquanto conversava com Márcio e dava em cima do Juan.
Em seguida, Euge veio até mim, e disse.
- Mar, hoje está tão quente. Por que não tomamos banho de piscina?
Olhei para Dolores, e disse para minha amiga:
- Acho uma ótima ideia!
Entramos em casa e colocamos os nossos biquínis. Ao voltarmos para o pátio, notei que os três ainda estavam no mesmo lugar, dei um sorriso sarcástico ao vê-los, me aproximei de onde eles estavam e me joguei na piscina, fazendo a água jorrar nos três, principalmente em Dolores, que deu um grito estridente.
- Olha o que você fez, sua infeliz!
- Ops, foi m*l! - Dei um sorriso sínico, e mergulhei.
A garota saiu batendo o pé, e Euge e eu ficamos nadando na piscina, pouco depois Gastón e Tato se juntaram a nós.
(...)
No dia seguinte, eu estava caminhando pelos corredores quando alguém cobriu a minha boca com uma mão e me puxou por trás, me levando para dentro de uma sala, fiquei com medo, pois pensei que fosse Bernardo ou Júlia, porém, ele logo me soltou.
- Juan? O que você quer comigo?
- Precisamos conversar. Hã… A Euge me contou.
- Contou? Contou o quê? - Perguntei sem entender do que ele estava falando.
- Que você fez tudo aquilo por conta do meu pai.
Quê? Como assim? Como Euge havia dito isso? Será que ela havia contado tudo? Não, acho que não, Juan não parecia furioso ou revoltado, ou assustado, ele parecia sereno, natural…
- O que exatamente ela te disse? - Perguntei com um certo receio.
- Que o meu pai não quer que a gente fique junto, e que você fez tudo o que fez por causa dele. Mas Mar… O meu pai não é mau, o problema é que ele adora a Dolores e quer que eu fique com ela, e não entende que eu não gosto dela, e que eu gosto de… - Se aproximou de mim. - De você.
O garoto estava com o olhar fixo no meu, e as suas palavras me passavam tanta verdade. E… Eu… Eu também gostava dele, eu queria estar com ele, mas tinha Bernardo nisso tudo, e se ele visse a gente conversando? Com certeza, ele não deixaria barato.
- Juan, eu…
- Mar… - Me interrompeu. - Eu quero ficar com você.
- Mas não podemos. - Falei.
- Eu tenho uma ideia! E se a gente ficasse junto, mas em segredo, sem meu pai saber?
- Como é? - Perguntei curiosa.
- Tipo… Na frente dele, podemos brigar, discutir… Se quiser, pode até me bater, eu não ligo. Mas quando ele não estiver por perto… - Se aproximou de mim, pegou em minhas mãos e olhou no fundo dos meus olhos. - A gente fica juntinho. O que você acha?
Ai, meu Deus! O que fazer diante de uma proposta dessas? Eu queria e queria muito, mas eu também tinha tanto medo. Ah, o que respondo?