- O que vocês fazem aqui? - Perguntei.
- Ué, viemos falar com o Juan. - Disse Dolores.
- Pelo visto alguém não está sabendo dos últimos acontecimentos. - Falei em tom irônico.
- O que tá pegando, esquisita? - Márcio perguntou.
- Esquisita é teu…
- Mar! - Euge se aproximou de mim. - Acho que eles não souberam que o Juan se foi. - Olhou para os dois. - Pra sempre.
- Ai, meu Deus! Ele morreu! - Disse Dolores. Em seguida, abraçou o Márcio. - Eu fiquei viúva!
Eu tentei me controlar para não rir, diante do drama da garota, e notei que Euge também estava segurando o riso.
- O que aconteceu com ele? - Márcio perguntou. - Foi acidente de carro? Eu sempre disse pra ele não dirigir tão rápido.
- Não sejam idiotas! - Disse Euge. - Ele não morreu!
- Não? - Dolores perguntou parando de chorar no mesmo instante.
- Claro que não! - Falou a loira. - Ele só voltou pros Estados Unidos, mas não sei se volta pra cá, não.
- De novo? Puxa, logo agora que estávamos quase namorando…
- Estavam? - Márcio perguntou, fazendo Euge e eu rirmos.
- Estávamos! - O fuzilou com o olhar. - Bom, vou ligar pra ele.
A garota se retirou, sendo seguida por Márcio, e Euge e eu caímos na gargalhada, Eugenia é demais!
(...)
Eu não parava de pensar no Juan, e confesso que eu sentia tanta saudade dele, não tinha um dia sequer que eu não pensasse nele, será que Juan voltaria algum dia? E uma nova etapa do concurso estava se aproximando, e eu não sabia o que faríamos, pois éramos seis e não, cinco, e se isso fosse algum problema? E se fôssemos desclassificados pela falta de um integrante?
As coisas com Júlia e Bernardo seguiam iguais, a gente roubando pra eles, e os dois nos castigando por tudo, ah, que vontade de contar tudo…
Eu estava na sala vendo os pequenos brincarem, estavam jogando Uno.
- +4? - Flor perguntou com falsa indignação.
- Desculpa. - Lupita deu de ombros. - Eu não tinha nenhuma carta verde, foi m*l.
- Você vai ver só, ainda vou me vingar. - Falou em tom de brincadeira.
Eu ri da cena. Ah, essas crianças… Eles são tão incríveis, e pensar que Lupita e Matteo, com tão pouca idade já estavam passando por toda essa coisa dos roubos, e tal, nenhuma criança deveria passar por isso, ou melhor, ninguém merece ser obrigado a roubar.
Notei quando Bernardo me chamou discretamente. Revirei os olhos e fui até ele, já sabendo que boa coisa não era.
O homem me entregou uma sacola e um papel, com um endereço, e ordenou que eu fosse entregar aquelas porcarias.
Fui até o local combinado e entreguei para o homem, que apareceu cerca de 10 minutos depois. Era um rapaz de cerca de 25 anos, parecia já estar drogado, era um jovem, que poderia muito bem estar trabalhando, e não usando essas porcarias.
Assim que entreguei o "produto" para ele, voltei para o abrigo, e logo Euge apareceu, me chamando para ajudá-la a escolher uma roupa bonita, pois ela sairia com Tato naquela noite. Ajudei a garota a escolher uma roupa bacana, e em seguida fui me ajeitar para dormir. Deitei em minha cama e fiquei pensando no Juan, ah, como eu sentia saudade desse garoto.
Euge recém havia saído com Tato, quando bateram à porta do meu quarto. Era Gastón.
- Posso entrar? - Perguntei.
- Claro! - Falei meio sem graça.
O garoto entrou em meu quarto vagarosamente e sentou ao meu lado. Ficou um pouco em silêncio, e logo disse:
- Hã… A Euge me contou sobre… ontem à noite. E… Me desculpa.
- Tudo bem… - Falei dando de ombros.
- Eu não sei o que me deu. Sério mesmo. Mas prometo que vou tentar não beber tanto na próxima vez.
- Seria melhor mesmo. - Sorri.
- É, seria… - Deu um meio sorriso. - Hã… Boa noite!
- Boa noite!
Se levantou da minha cama e saiu do meu quarto.
Euge voltou cerca de umas 3h e falou o quanto havia sido incrível a noite e tal, fiquei tão feliz por ela.
(...)
No dia seguinte, uma sexta - feira, pela parte da manhã fomos ao ''colégio'', e pouco depois que retornamos da "nossa aula", a campainha tocou. Me dirigi para abrir a porta, porém, Emilia foi mais rápida, e assim que ela abriu, eu tive uma enorme surpresa, não podia ser!