Eu estava em meu quarto quando Euge entrou, parecendo agitada.
- Você ficou sabendo? - Me perguntou.
- Não. - Respondi. - O que houve? O Juan vai voltar?
- Não, Mar. - Deu um sorriso tristonho. - O Gas e o Tato vão sair hoje à noite, vão a uma festa e nos convidaram para irmos com ele. O que você acha?
- Ah, eu não gosto desse tipo de festa. - Falei. - E nem estou com ânimo pra isso.
- Ai amiga, por isso mesmo que eu acho que você deveria ir, vai te fazer bem. Vamos, vai…
- Ai, eu não sei…
- Ah, eu vou ir, não sou maluca de deixar o Tato ir sozinha em uma festa cheia de piriguetes assanhadas, e também, alguém precisa cuidar daqueles dois, né? E eu não queria ir sozinha. - Fez biquinho.
Ah, eu não queria deixar a minha amiga na mão, mas… Se não fosse toda essa história com o Juan…
- Mas pra entrar nessas festas não precisa ser maior de idade? - Perguntei.
- É uma social. Vamos Mar, por favor.
Eu pensei por um instante e não sabia o que dizer, será que era uma boa ideia? E claro que teríamos que sair escondido, pois Bernardo e Júlia jamais deixariam a gente sair para se divertir, pois eles não querem que a gente faça nada que nos deixe felizes. Mas… Eu realmente não achava que seria uma boa ideia, afinal, que companhia eu seria se eu não estava bem?
- Euge, obrigada, mas acho que eu prefiro ficar. Mesmo.
- Ok. - Revirou os olhos e cruzou os braços. - Você que sabe. Acoberta a gente?
- Claro!
- Obrigada! - Sorriu e me abraçou. Logo desfez o abraço. - Me ajuda a escolher uma roupa?
- Claro!
Fomos até o roupeiro da garota e vimos vários figurinos, mas ela era muito exigente e não gostava de nenhum look, até que depois de experimentar diversas combinações, ela acabou gostando de uma blusa e uma saia.
- Você vai ser a garota mais linda da festa. - Falei.
- Só porque você não vai junto, se não esse lugar seria teu. - Disse Euge.
(...)
Algumas horas depois, Euge, Gastón e Tato saíram de casa, por sorte, ninguém os viu saírem, além de mim, é claro. Acho que eu fiz a escolha certa em ficar em casa.
Pouco depois que eles saíram, eu fui até a cozinha, onde avistei Emilia e Nico cozinhando algo, e eles pareciam estar se divertindo, sorri ao vê-los, eram tão lindos juntos. Nisso, os dois notaram a minha presença.
- O que vocês estão fazendo? - Perguntei.
- Um bolo para amanhã. - Respondeu a loira. - Quer nos ajudar?
- Eu adoraria.
Os dois me deram algumas orientações do que eu deveria fazer, e eu obedeci, foi muito divertido, ah, às vezes, eu sentia como se os dois fossem meus pais, e eu gostaria que fossem, aposto que eles seriam pais incríveis.
(...)
Já era por volta das 2h quando Euge, Gas e Tato chegaram da tal festa. Eu estava em meu quarto, mas pude ouvir as vozes deles, e desci até a sala para falar com eles, porém logo vi Euge carregando Gas e Tato, que pareciam estar embriagados.
- O que houve? - Perguntei.
- Eles beberam demais. - Disse Euge, parecendo ser a única sóbria do grupo. - Me ajuda aqui?
- Claro!
Coloquei Gastón apoiado em mim e subimos as escadas.
- Minha princesa… - Disse o garoto, porém, eu apenas o ignorei.
Euge e eu levamos os garotos até o quarto deles e os colocamos deitados em suas camas. Nano, que estava dormindo, acabou acordando com o barulho.
- O que houve com eles? - O menino perguntou. - Estão bêbados?
- Estão, mas não conta pra ninguém. - Disse Euge.
Tiramos os calçados dos dois, que estavam completamente apagados. Acho que eles precisavam tomar um belo banho, mas quem daria? Euge e eu éramos mulheres e Nano era praticamente uma criança. E acho que apesar do Nico ser muito legal, ele não iria gostar muito de ver os dois bêbados. Parece que o jeito era esperar a bebedeira passar, nada que uma boa noite de sono não resolva.
- Nano, cuida deles pra gente? - Pedi.
- Claro, deixe comigo. - Sorriu.
- Obrigada! - Dei um beijo no rosto do menino, que sorriu meio tímido.
Euge e eu fomos para o nosso quarto, e ela imediatamente entrou no banheiro para tomar banho. Eu me deitei e esperei minha amiga retornar, o que aconteceu pouco tempo depois. A garota me contou como estava a festa, e comentou que estava bem legal, que haviam dançado bastante e tal, e ainda disse que eu havia perdido uma festa e tanto, mas eu não estava nada arrependida de não ter ido.
Euge e eu conversamos um pouco, e logo acabamos dormindo.
Algum tempo depois, acordei com alguém me abraçando, não entendi nada, me virei de lado e avistei Rama.
- Gas? O que está fazendo aqui?
- Mar da minha vida. Minha morena…
- Quê?
- "Se eu não conseguir dormir, não é cafeína, é culpa da morena, do beijo da morena. Se na balada eu zerar, não faltou esquema, é culpa da morena, do beijo da morena." - Cantarolou. - Dá um beijinho, Mar? - Fez biquinho.
- Que beijinho o quê? - Empurrei o garoto, que caiu da cama e ficou imóvel.
- Ai, meu Deus! Eu matei ele! Gastón? Gastón?
Nisso, o garoto se apoiou na cama, e deitou a sua cabeça nela, pelo menos, estava vivo.
- Eu te amo, Mar. - Sentou na cama. - Quer namorar comigo? Ou melhor, quer casar comigo? Eu quero ser o pai dos teus filhos, podemos ter três Raminhas e quatro Marzinhas, o que acha?
- Acho que você enlouqueceu.
- Enlouqueci mesmo. Por você. Mar, eu estou louco de amor por você. Casa comigo?
- Tá, caso. - Peguei o garoto pela mão. - Mas amanhã de dia a gente conversa sobre isso. - O levei até a porta do quarto. - Agora você vai pro seu quarto e amanhã a gente marca a data do casamento, ok?
- Tá bom, minha deusa.
Ele saiu trocando as pernas e eu fiquei vendo-o ir para seu quarto e assim que ele entrou, eu voltei para meu quarto, mas tranquei a porta dessa vez, e me deitei novamente.
- Casar? Era só o que me faltava.
(...)
No dia seguinte, assim que acordamos, eu contei para Euge o que havia acontecido naquela noite e ela morreu dando risada, e eu não sabia nem como encarar o Gas quando eu o visse de novo.
Na parte da manhã fomos para a nossa falsa escola, e na parte da tarde, tivemos que roubar para aqueles infelizes, Gastón e Tato já estavam bem melhores da bebedeira, porém, eu estava fazendo de tudo para fugir do Gas.
Assim que retornamos pra casa, entregamos todos os pertences roubados para Júlia, e em seguida a campainha tocou, e como eu estava mais perto da porta, fui ver quem era, porém, ao abrir a porta, tive uma tremenda surpresa.