A Despedida

808 Words
Eu avistei Juan ir embora, e não pude fazer nada para evitar isso. Doeu. Doeu muito. Eu só sabia chorar e chorar. E sem ter o que fazer, eu fui embora e fui o caminho todo chorando, eu não queria que ele fosse embora, ah, se eu pudesse ter dito toda a verdade pra ele… - E como foi lá? - Euge perguntou assim que eu cheguei em casa. - Cadê o Juan? - Ele se foi… - Chorei. - Se foi para sempre. - Ai, amiga! - Me abraçou. Nisso, Bernardo entrou na casa, estava com um sorriso vitorioso, que me deu muito ódio, eu queria quebrar a cara dele. - Está feliz agora? - Me perguntou. - Você conseguiu! Meu filho foi embora por sua causa. - Por minha causa? - Perguntei. - Claro! Se você não tivesse entrado na vida do meu filho… Se não tivesse se aproximado dele… - Ou talvez se o teu filho não tivesse se apaixonado por mim… - Cala boca! - Me pegou pelos cabelos. - Cala essa maldita boca. Meu filho não está apaixonado por uma orfãzinha infeliz. - Solta ela, Bernardo. - Euge pediu. Nisso, Tomás apareceu e se assustou ao ver o homem puxando os meus cabelos. - O que você está fazendo? - O menino perguntou assustando o homem, que me soltou rapidamente. - Nada, queridinho. - O mais velho respondeu de forma cínica. - Por que você estava machucando ela? - Perguntou seriamente. - Machucando? - Riu. - Que isso? Só estávamos conversando. - Eu vou contar pro meu pai. Você não pode tratar ninguém assim. Teus pais não te deram educação, não? - Querido Tommy, você está enganado, eu só estava ajudando a Mar a ensaiar para uma peça de teatro da escola. - Olhou para mim de forma intimidadora. - Não é mesmo, Marina? - É sim! - Ignorei o fato dele ter errado o meu nome. - Sei… - Disse o menino parecendo desconfiado. - Com licença, tenho algumas coisas para resolver. O homem se retirou, e o garoto se aproximou de mim de forma cautelosa. - Mar, ele estava te machucando? - Não, meu amor. - Acariciei o rosto da criança. - Está tudo bem, viu? - Ok, em você eu acredito. Nisso Flor apareceu, chamando pelo menino, e os dois saíram correndo para brincarem no pátio. - Esse Tomás é um fofo! - Disse Euge. (...) Eu estava em meu quarto quando Gastón entrou vagarosamente. - Eu soube do Juan. - Falou. - Tudo por culpa do desgraçado do pai dele. - Esse homem não presta. A Júlia é terrível, mas ele é muito pior. - Se aproximou de mim e sentou ao meu lado. - Mas não fica assim, Mar. Eu estou aqui e você pode contar comigo. Sempre. Para o que você precisar. - Obrigada! - O abracei. Desfizemos o abraço e o garoto ficou me olhando de uma forma que me deixou sem graça, e então ele se aproximou de mim, na intenção de me beijar. Eu gostava do Gastón, gostava muito, mas não dessa forma, para mim, ele era só um bom amigo. - Gastón… - Desviei o olhar. - Desculpa… - Se afastou de mim e se levantou da cama. - Está tudo bem… Me desculpa também, por… - Não precisa se desculpar. Hã… Vou… Vou… Vou tomar banho. Saiu rapidamente do meu quarto, me deixando com mil pensamentos na cabeça. Eu queria muito gostar do Gastón dessa forma, mas eu não conseguia, e eu não queria magoá-lo, Gas é um cara incrível, e eu gostava de outro. Ah, por que o amor tem que doer tanto? Não era pra ser assim, o amor era pra ser bonito, não era pra doer, não era pra machucar dessa forma. Algum tempo depois, Lupita entrou em meu quarto, estava com uma escova de cabelo nas mãos. - Mar, penteia o meu cabelo? - A garota perguntou. - Está todo embaraçado. - Claro pequena, senta aqui. A garota sentou na minha cama e eu me pus a pentear o lindo cabelo da menina. - Mar, você tem namorado? - Não tenho, não. - Respondi. - Então por que não namora com o meu irmão? - Lupita perguntou. - Porque somos só amigos. - Respondi. - Mas meu irmão gosta de você como namorada. - Ele te disse isso? - Claro! Ele diz que eu sou a melhor amiga dele e que ele me conta tudo. - Entendi… Eu gosto muito do Gas. - Mesmo? - Se virou para mim e sorriu. - Sim, mas não dessa forma. Gosto dele como amigo. - Ah, que pena! - Falou tristemente. Em seguida, a menina saiu do meu quarto e eu fiquei ali pensando nas palavras da criança, eu queria gostar do Gastón, mas não é assim que as coisas funcionam.
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