- Juan? - Perguntei surpresa e com medo dele ter visto demais.
- O que você está fazendo aqui? E o que está escondendo? - Tentou olhar o que eu tinha atrás das minhas costas.
- Hã… nada… - Coloquei a nota rapidamente no bolso traseiro da minha bermuda. - O que você está fazendo aqui?
- Ah, eu tinha ido à casa de um amigo que mora aqui perto, o Márcio, lembra dele?
- Infelizmente. - Falei mais para mim do que para ele.
Nisso, me lembrei que o infeliz do pai do bonequinho de plástico, estava me esperando, e ele não podia me ver com o garoto, pois eu não estava muito afim de ficar careca, pois eu até que gostava muito do meu cabelo, ok, que eu reclamei algumas vezes por ter cabelo muito liso e querer ter cacheado, mas isso já passou, hoje em dia eu até que gosto dele, e melhor cabelo liso, do que cabelo nenhum.
Então, despistei o garoto, e com isso, consegui ir até onde estavam Bernardo e Júlia, que por sorte, não desconfiaram de nada, e lhes dei tudo o que eu havia conseguido naquelas horas.
- Muito bem! - O homem disse com um sorriso mais falso do que g****************a tentando parecer virgem. - Está ficando boa nesse trabalhinho.
- Isso não é um trabalho. - Falei.
E por sorte, fomos dispensados do trabalho sujo. Assim que entramos no abrigo, Lupita e Matteo foram correndo procurar por Tomás e Flor para brincarem, e eu escutei o rascunho do Capeta chamar por Gastón, mas não parei para ver o que ele queria com o garoto, pois estava muito chateada e só queria ir pro meu quarto pra soltar um pouco da minha fúria.
Me joguei em minha cama, peguei um travesseiro, coloquei no rosto e gritei, depois comecei a dar diversos socos no travesseiro. Nisso Euge entrou e ficou parada vendo a minha reação.
- Você sabe que isso não é o Bernardo e que esse pobre travesseiro não tem culpa de nada, né? - A loira perguntou.
- Eu estou com raiva, com muita, muita, muita raiva. - Falei. - Por culpa daqueles dois charlatões o Juan quase me descobriu hoje.
- m***a! Isso é r**m, muito r**m. Quer falar sobre isso?
A garota sentou ao meu lado e eu comecei a falar pra ela sobre como havia sido tudo, ela me escutou com atenção e ficou muito preocupada, pois se Juan tivesse descoberto pra valer, a gente estaria ferrados, e ele jamais acreditaria que o paizinho dele estava envolvido nisso, capaz que aquele pai tão amoroso e legal, faria uma coisa h******l dessas (contém sarcasmo).
E de repente, Gastón surgiu bufando de raiva, tipo, sabe aqueles desenhos que o bonequinho fica soltando fogo pelas orelhas? Gastón estava igual.
- O que houve com você? - Euge perguntou.
E nisso, Tato entrou (porque aqui parece casa da mãe Joana, ninguém sabe bater, acham o quê? Que só porque a porta está aberta, podem sair entrando assim?) ‘’Sair entrando’’, ok, isso soou meio estranho, mas vocês entenderam. Eu espero.
- Aquele louco. - O cabeludo disse.
- O que ele fez? - Perguntei.
- Lembram quando a Lupita se machucou e ele queria que a gente continuasse roubando, e eu disse que ''não'' para ir atender a minha irmã?
Euge e eu acenamos positivamente com a cabeça.
- Então, ele ficou putinho, achou que eu estava desafiado ele, e… - Estendeu as mãos.
- Ele fez isso? - Perguntei apavorada. Gastón acenou positivamente com a cabeça. - Que filho da p**a!
Gastón estava com as mãos muito machucadas, quase em carne viva, o garoto nos contou que como ''castigo'' por desobedecer aquele filhote de cruz credo, o homem acabou batendo em suas mãos com um pedaço de madeira. Como ele podia? Como alguém pode ser tão c***l? E a troco de quê? O que ele ganha com isso? Prazer? Juro que não entendo o que leva um ser humano a machucar outro assim, só porque quer.
Euge, Tato e eu cuidamos dos machucados do louro, que gemia de dor, e pediu pra gente não comentar o que o homem havia feito com ele para Lupita, pois ele não queria que a garota soubesse disso. Mas eu nem pensava em contar pra ela, eu queria contar era pro Nico e pra Emilia. Enfaixamos as mãos do garoto, que ficou muito agradecido, e… c*****o, eu estava com muita dó dele, fiquei imaginando a sua dor, ah, eu estava tão p**a com tudo isso. Não era justo a gente passar por tudo isso em silêncio.
(...)
Mais tarde quando fomos jantar, nos sentamos à mesa, e Nico já foi logo perguntando para Gastón:
- O que houve? Se machucou?
Percebi o olhar intimidador de Bernardo para Gastón, por conta da pergunta de Nicolas.
- Ah sim, fui passar uma camisa e acabei me queimando, mas nada grave.
- Vê se toma um pouco de cuidado da próxima vez. - Emilia disse ao servir um pouco de suco para o garoto.
- Pode deixar. - Ele deu um falso sorriso.
Eu olhei para Bernardo com muita raiva por termos que ficar quietos diante de tamanhos absurdos. Eu só queria saber até quando isso continuará.