Mar
Eu estava na sala conversando com Gastón, Euge e Tato quando vi Juan entrar na casa, e ele estava acompanhado do chato do Márcio e da insuportável da Dolores, que estava cheia de risinhos pra cima dele, ai, me dava ânsia vê-los juntos.
E assim que me viu, Dolores veio em minha direção, e foi seguida pelos dois garotos.
- Pelo visto você já retornou. - Disse a garota.
- Não, é miragem sua, queridinha. - Dei um falso sorriso.
- Vamos Dolo. - Disse Juan.
- Calma aí amor. - Se voltou para mim. - Fiquei sabendo que você havia sido transferida. O que houve? Foi expulsa? Aposto que não te quiseram, afinal, quem ia gostar de uma moleca que não sabe nem se vestir? Aposto que te descartaram feito papel higiênico usado.
- Ah, sua…
E sem pensar em mais nada, eu parti com tudo pra cima da garota, nós duas caímos no chão, e eu puxei os cabelos dela. A cobra fez o mesmo comigo, e acabamos rolando no chão, uma por cima da outra. Eu só ouvia os gritos dos meus amigos e de Juan e Márcio que pediam pra gente parar.
- Vamos separá-las. - Pude ouvir Gastón dizer.
- Que nada! Deixa elas, a Mar está ganhando e a nojenta da Dolores merece uma surra. - Era a voz da Euge.
E nisso, Emilia e Nico apareceram e nos separaram. Ah, eu estava com tanta raiva dessa garota.
- Mas o que é isso? Brigando que nem dois selvagens? Vocês não tem vergonha? - Nico dizia.
- Ela que começou. - Me defendi.
- Mentira, foi você.
E nisso, começamos uma briga generalizada, todo mundo falava ao mesmo tempo, exceto os mais velhos.
- CHEGA! - Gritou o homem, fazendo todo mundo ficar em silêncio, imediatamente. - Eu não quero mais um pio. Mar, vem comigo.
"Me lasquei" - Pensei.
O homem e Emilia foram comigo até a cozinha, que estava vazia no momento.
- Me conta o que houve. - Pediu o homem.
Eu contei para eles o porquê da briga e os dois me escutaram com atenção.
- Mar, ela só falou isso pra te provocar. - Disse Emilia.
- E conseguiu. - Falei.
- Mas você não pode cair nas coisas que essa garota diz, você tem que ser melhor que ela e não se igualar ao nível da Dolores.
- É, o Nico tem razão. Não dê bola para as coisas que ela fala.
- Vou tentar, mas não sei se vou conseguir. - Dei um sorriso travesso.
- Vai sim, eu acredito em você. - Disse o homem.
Os dois me deram um beijo no rosto e me liberaram.
Fui para meu quarto, onde Euge estava e a loura logo me perguntou o que Emilia e Nico queriam comigo, e eu lhe contei o que havia falado com eles. Ah, eu gostava tanto dos dois, eles eram incríveis, os sentia como se fossem meus pais. Eu gostaria que fossem.
Fiquei um pouco conversando assuntos aleatórios com minha amiga, e pouco depois acabamos dormindo.
Nessa noite, eu sonhei que Euge, Gastón, Juan, Tato e eu estávamos fazendo um show para uma multidão e todos gritavam os nossos nomes.
Ah, eu estava tão empolgada com o concurso de bandas.
(...)
No dia seguinte, eu trabalhei feito uma condenada, não aguentava mais isso, eu não era uma pessoa r**m, eu não merecia passar por tudo isso, por que só as pessoas boas que sofrem?
Era por volta das 16h quando o celular que Juan havia me dado tocou.
- Alô? - Falei ao atender.
- Oi. - Era Juan. - Como está o trabalho aí na tua colega?
- Hã… Legal.
- Estranho… Eu estou ouvindo barulho de carros.
- Hã… É que a gente fez uma pausa no trabalho e viemos pegar algo para comer.
- Ah, sim… Hey, quer que eu te pegue aí? Podíamos dar umas voltas, tomar um sorvete, sei lá… O que você acha?
- Não! - Falei. - Quer dizer… Vamos terminar tarde, ainda falta muito, quem sabe na próxima.
- Ah, tá bem.
- Bom, agora preciso desligar. Até.
Desliguei a ligação e voltei a roubar para aqueles dois infelizes. Notei quando Júlia saiu do abrigo, que não era tão longe de onde eu estava e ficou me observando. Eles gostavam que a gente roubasse nas proximidades, pois assim, poderiam nos vigiar de perto, porém, eu ficava com medo que alguém nos visse, ainda bem que os roubos aconteciam do outro lado da rua e haviam algumas árvores na frente, o que dificultava um pouco de nos verem facilmente.
Após terminar o meu "serviço" eu fui direto à cozinha, estava morrendo de fome. Nano estava no local, comendo uma maçã.
- Oi. - Falei.
- Oi. Eu soube que o Bernardo te castigou por você ter voltado.
- Pois é…
- Esse Bernardo é um infeliz, não tem limite.
- Não mesmo.
- Se eu puder fazer algo para ajudar…
- Valeu, garoto. - Fiz um rápido cafuné no menino, o despenteando. - Mas eu sei me virar.
- Eu sei que sabe. - Sorriu e saiu da cozinha.
Eu fiz um misto quente para mim e comi como se eu não comesse nada há dias.
- Ah, oi… Você chegou… - Disse Juan ao entrar na cozinha.
- Aham. - Falei com indiferença.
- Mar… Olha… Desculpa pela Dolores, ela só está com ciúmes.
- Por quê? Eu nunca dei motivos pra isso.
- É que ela sabe que eu gosto de você.
O garoto se aproximou de mim, olhos bem no fundo dos meus olhos, e em seguida, olhou para meus lábios, tive medo que ele fosse me beijar, pois eu não sabia como era beijar. Mas eu queria. Quer dizer… Eu acho que queria. Mas eu não podia, por Bernardo e por tudo o que isso implicava.
- Juan… Não, por favor. - Me afastei dele. - Quer saber… Acho que você devia ficar com a Dolores.
Deixei o garoto sozinho na cozinha e fui para meu quarto. Deitei em minha cama, peguei o meu celular, e fiquei mexendo no aparelho.
- Ora, ora, o que temos aqui? - Me assustei ao vê-lo.
Eu tentei esconder o celular, mas era tarde demais, ele já havia visto.
- O que é isso?
- Na… Nada.
- Vou perguntar mais uma vez. - Me puxou pelos cabelos e pegou o celular com agressividade. - O que é isso?
- Um celular. - Respondi quase chorando.
- Quem te deu isso?
Merda! E agora? O que faço? Eu não podia falar a verdade, mas o que aconteceria se eu não falasse? Ele podia pensar que era um dos celulares roubados, que eu não havia lhe entregado, como se eu fosse ficar com algo roubado… d***a! O que faço?