- Eu vou perguntar só mais uma vez. - Disse Bernardo ao apertar com mais força o meu braço. - Quem te deu isso?
- O Juan. - Falei ao sentir algumas lágrimas rolarem pelo meu rosto.
- E por que ele te deu isso?
- Eu não sei, eu juro. - Falei sem parar de chorar.
- Ok. - Soltou o meu braço. - Devolva! Amanhã mesmo eu não quero mais ver você com esse objeto.
- Tá!
O homem saiu do meu quarto e eu fiquei massageando o braço que ele havia apertado, estava doendo muito. Nisso, Gastón apareceu na porta do meu quarto e se surpreendeu ao me ver chorando.
- Mar? O que houve? - Entrou em meu quarto e sentou ao meu lado.
- O Juan…
- O que aquele i*****l fez agora? Pode me dizer que vou arrebentar a cara dele.
- Não Gas, ele não me fez nada.
- Não entendi. Então o que houve?
- O Juan me deu um celular.
- Um celular? Isso é jogo baixo. Eu não tenho como competir com um celular.
- Quê? - Perguntei sem entender.
- Nada, mas continua…
- Bom… O Bernardo acabou de descobrir e ficou furioso, mandou eu devolver o celular, mas não sei o que vou dizer pro Juan.
- Ah Mar, não fica assim. Ai, que ódio do Bernardo! Mas faz o que ele disse, você sabe que não é bom desobedecê-lo.
- Sei, sim.
Coloquei a minha cabeça no ombro do garoto, que me fez um leve cafuné e me abraçou. Ah, Gas era um excelente amigo…
(...)
No dia seguinte, assim que eu acordei fui direto procurar por Juan, e o encontrei saindo do escritório do seu pai. O garoto me cumprimentou sorridente, tornando tudo mais difícil, mas eu precisava ser forte, até porque, como Gas disse "não é bom desobedecer o Bernardo".
- Juan… Toma, eu não posso ficar com isso. - Fiz menção em lhe entregar o celular.
- Quê? Por quê? Não gostou? Se quiser, posso trocar por outro modelo.
- Não é isso. - Ele me olhou sem entender. - É que… Não está certo eu aceitar presentes caros, e… Eu… Eu não quero te dar falsas esperanças, não quero que você pense que entre nós tem algo, porque não tem e nem vai ter.
O garoto pegou o aparelho e olhou meio decepcionado para mim, enquanto eu tentava ser forte e não chorar, o que estava sendo uma missão quase impossível.
- Quer saber? Acho que você tem razão, talvez eu deva ficar com a Dolores mesmo, afinal, ela sim gosta de mim.
O garoto saiu, me deixando sozinha e eu derramei algumas lágrimas, as palavras do garoto haviam doído, mas eu sabia que assim seria melhor, afinal, Juan e eu nunca poderíamos ter nada.
À noite, Gastón, Euge, Tato, Juan e eu nos reunimos para falarmos sobre o concurso de bandas, e Juan foi logo dizendo:
- Quando eu fui fazer a nossa inscrição para o concurso pediram o nome da banda, e eu disse que ainda não tínhamos, e eles falaram que no dia do concurso é obrigatório apresentarmos um nome para a banda.
- Então temos que pensar em algo. - Disse Euge.
- Que tal "Tato e os seus gafanhotos"? - Sugeriu o cabeludo.
- Quê? Não viaja. - Falou Gas. - Eu prefiro "Os cowboys do deserto".
- Cowboys? Nós nem cantamos country. - Disse Juan.
- Então sugere algo melhor. - Provocou o louro.
- Que tal "Os viajantes perdidos?'' - Sugeriu o garoto.
- Eu é que vou te dar uma passagem pra você viajar pra bem longe e se perder por lá, só fala besteira... - Disse Gas.
- Como se a sua ideia fosse melhor… - Retrucou o filho de Bernardo.
Os dois se aproximaram como se fossem se agredir, e então, eu disse:
- Meninos, chega! Eu acho que temos que pensar em um nome menor e que pegue, um nome fácil das pessoas gravarem e que quando escutem o nome da nossa banda já pensem na gente.
- A Mar tem razão. - Disse Tato.
- Acho que um nome em inglês pode ser legal. - Falei.
- É um boa ideia, afinal, o inglês é um idioma universal. - Disse Euge. - Já sei! Que tal "Sunny Day"?
- Você entendeu a jogada, mas ainda acho que podemos fazer melhor. - Falei.
- E se for "Energy Revolution"? - Sugeriu Juan.
Todos negamos com a cabeça e ficamos alguns segundos em silêncio pensando em um bom nome. Nossa, como é difícil escolher nome para banda, pensei que seria mais fácil. Ficamos um tempão tentando pensar em algo, até que me veio um nome à cabeça.
- Já sei! O que vocês acham de "Teen Angels"?
Os quatro pensaram por um instante, e Euge foi a primeira a falar.
- Eu gostei, foi o melhor até agora.
- Eu também, eu voto nesse nome. - Disse Gastón.
- Concordo, para mim esse está perfeito. - Falou Juan.
- Ah, eu não sei. - Disse Tato. Gas, Euge e Juan olharam sérios para o garoto. - Eu estou zoando, esse nome é perfeito.
É, acho que já tínhamos um nome para a banda. Teen Angels. Eu havia gostado. Acho que soava bem e que poderia grudar na cabeça da galera.
- Ah gente, precisamos ensaiar a música para o concurso, que é dentro de alguns dias. - Disse Juan. - Eu andei escrevendo uma música, tomara que vocês gostem, podíamos cantá-la no concurso.
O garoto pegou algumas folhas e distribuiu pra gente. Eu olhei aquelas letras naquele papel e me bateu um desespero.
- A letra é linda. - Disse Euge. - Eu amei.
Droga, e agora o que faço?