O Sumiço De Lupita

927 Words
Gastón Eu estava no meu quarto com Tato, Euge e Mar, quando Bernardo apareceu, parecia furioso. - Você! - Apontou para mim. - No meu escritório em cinco segundos. - Eu vou com você. - Disse Mar. - Sozinho! - Falou o mais velho. Ele saiu e eu olhei para os meus amigos. Com certeza, ele já sabia. Ah, estava tão aflito. O que será que ele quer comigo? Me bater? Me m***r? Respirei fundo e fui até o escritório de Bernardo, assim que adentrei o local, ele já se aproximou de mim com agressividade. - Você ficou louco? - Me puxou pelo cabelo. - O que você pensa que está fazendo? - Ai! - Gemi de dor. - Perdeu o medo, foi? - Não, senhor! - Mas eu já sei o que vou fazer. - Me soltou. - O quê? - Perguntei, temendo a resposta. - Aguarde e verás. - Falou calmamente. - Agora pode sair. Olhei desconfiado para ele e sai do escritório do homem. Detestava quando ele falava com voz mansa, acho que eu ficava com mais medo quando ele falava assim do que quando ele berrava, pois assim eu sabia que ele estava armando algo, e obviamente, não era coisa boa, até porque nada que vem dele pode ser algo bom. Voltei para meu quarto, onde meus amigos ainda estavam. Haviam ficado me esperando, porém, agora Nano estava com eles, certamente haviam contado os últimos acontecimentos para o menor, que disse: - Pelo menos ele não está com nenhum olho roxo. - E como foi lá? - Euge perguntou, parecendo bastante preocupada. Contei o que tinha acontecido e eles acharam muito estranha a atitude do homem. - Certeza que ele está tramando alguma. - Disse Tato, parecendo meio pensativo. - Óbvio que está. Ele jamais deixaria isso barato. - Complementou Mar. - Vocês não estão ajudando. - Falei. - Já estou com medo, assim vou ficar mais apavorado. - Ai, desculpa! - Disse Mar ao me abraçar, fazendo eu sentir o meu rosto corar. (...) Mais tarde, eu resolvi ir falar com a minha irmã. Fui até o quarto das crianças, que estava com a porta aberta, e avistei Matteo e Tomás brincando de carrinho. - Oi. Vocês viram a Lupita? - Perguntei. - Não. - Disse Tomás. - Ela deve estar brincando com a Flor. - E cadê a Flor? - Não sei. Deve estar no pátio. - Disse Matteo. Fui até o pátio, mas não avistei nenhuma das duas. Entrei novamente, e vi Flor saindo da cozinha conversando com Emilia. - Flor, a Lupita não está com você? - Perguntei. - Não! Faz tempinho que não a vejo. Por quê? - Eu queria falar com ela. Nisso, parei para pensar, e não, ele não podia ter feito isso. Se ele tivesse feito algo com a minha irmã, eu o mataria. - Gas, está tudo bem? - Emilia perguntou. - Está sim. Sai correndo até o escritório de Bernardo, nem bati à porta, já fui entrando direto. - Mas o que é isso? - Perguntou assustado. - O que você fez com a Lupita? - Perguntei de forma ríspida. - Quem? - Se fez de desentendido. - A minha irmã… O que fez com ela? - Me aproximei da mesa do homem, colocando as mãos na mesma. - Baixe o teu tom! - Se levantou, colocando também as mãos em cima de sua mesa, ficando de frente para mim. Em seguida, passou a caminhar de um lado para o outro. - Digamos que agora ela está em um lugar melhor. - Falou para meu desespero. "Lugar melhor?" Como assim? O que ele tinha feito com a minha irmãzinha? Será que ele… Não, ele não seria capaz. Ou será que seria? Eu não conseguia nem pensar nessa hipótese. - Como assim? Do que você está falando? - Perguntei já desesperado e começando a chorar. - A Lupita… Como posso dizer? Agora ela está com uma ótima família, um casal muito simpático. - O quê? Você deu a minha irmã? - Não dei. Ela só… foi adotada. - Deu um falso sorriso. - Adotada? Como assim? Por quem? - Ah, isso é assunto confidencial. - Falou de maneira debochada. - Ah, filho da p**a… - Parti pra cima dele. O homem sacou um revólver da calça e apontou para mim, me assustando. - Vai me m***r? - Perguntei. - O que você acha? Não é uma má ideia, assim me livro de você. - Então me mata, acaba com isso. - Desafiei-o. - Aqui? - Riu. - Não. Todo mundo iria escutar. - Guardou o revólver. - Sai da minha frente. Vaza. - Eu quero a minha irmã. - E eu queria ser milionário, mas querer não é poder. Oh, que peninha! Agora, vaza! Olhei para ele com fúria e sai do escritório do homem. Fui direto falar com meus amigos e contei o que havia acontecido. Ai, como eu estava com ódio dele! - Ele não pode fazer isso! - Disse Euge. - Não mesmo. Só se pode separar irmãos em último caso e com certeza, não dessa maneira. - Disse Tato. Eles tinham razão, Bernardo não podia fazer isso e ainda mais dessa forma. Mar disse que eu devia avisar a Emilia e o Nico, porque eles fariam algo pra reverter isso, eu sabia que ela estava certa, mas… O que eu diria? Não podia contar toda a verdade, e eu tinha medo do que Bernardo poderia fazer, pois ele já me mostrou do que é capaz. Ah, m***a, o que faço?
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