Alguns dias haviam se passado. Emilia estava nos ajudando bastante com a banda, ela escreveu algumas músicas pra gente e também nos ajudava a ensaiar, era como a nossa produtora, assim como Nico, que também estava nos dando a maior força.
A gente seguia roubando e entregando drogas, e cada dia que passava, eu ficava mais revoltada com isso, estava de saco cheio disso.
Eu estava na sala lendo um livro quando escutei uma gritaria. Era Lupita e Flor, que estavam discutindo por algo.
- Alguém faz elas pararem, por favor? - Tomás pediu.
- É, não aguentamos mais. - Disse Matteo.
Fui até as crianças, me abaixei, ficando da altura deles e então perguntei o motivo da briga.
- A Lupita ficou brava só porque eu não quero brincar de cobra cega. - Disse Flor.
- Mas eu sempre brinco do que você quer. - A menina se defendeu.
Eu pensei um pouco, e logo perguntei:
- Flor, do que você quer brincar?
- De esconde-esconde.
- E por que não fazem assim… Brincam um pouco de cobra cega e um pouco de esconde, esconde. - Sugeri.
As duas meninas se olharam em silêncio, mas logo concordaram com a minha ideia, e então saíram correndo com os meninos. Sorri enquanto via eles se afastarem. Ah, essas crianças…
(...)
Era um sábado. Era meu aniversário, e o que para muitos era motivo de alegria, para mim, era motivo de tristeza, pois eu não tinha motivos para comemorar, afinal, quando se faz aniversário, a gente quer ter nossos pais por perto, e eu queria isso, coisa que eu nunca tive.
Nesse dia acordei bem pra baixo, vontade de ficar o dia inteiro na cama…
De repente, Euge entrou no quarto e se surpreendeu ao me ver ainda deitada, pois já era 11h05, e por sorte Bernardo e Júlia não estavam em casa, assim acabaram não me acordando.
- Mar? Você está bem? - Euge me perguntou.
- Eu… Hã… Não muito!
- O que houve? - Sentou ao meu lado.
- Hã… Hoje é meu aniversário.
- Sério? - Deu um pulo da cama. - Por que não me falou antes? Precisamos comemorar.
- Não, Euge. - Levantei da cama. - Eu não quero. Não tenho motivos para comemorar.
- Como não? Você está fazendo 17 anos, daqui um ano você estará livre.
Bom, pensando por esse lado… Até que não era um mau motivo. Mas… Ah, sei lá… E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Euge saiu em disparada do quarto, eu chamei por ela, mas não obtive retorno. Eu não sabia o que a loura estava pensando em fazer, mas também não estava com vontade de ir atrás dela, e por isso, acabei deitando novamente.
Levantei perto da hora do almoço, tomei banho e depois desci para almoçar. Acho que Euge não havia comentado com ninguém sobre o meu aniversário, pois ninguém havia me parabenizado, e eu achava melhor assim, não queria que ninguém soubesse.
Após o almoço, eu chamei Euge em um canto e pedi para ela não comentar com ninguém sobre o fato de eu estar fazendo aniversário, e ela me garantiu que não falaria para ninguém, já que eu preferia assim.
- Mas eu acho que podíamos sair pra comemorar. Só eu e você. Passeio de garotas. - Disse a loura. - O que você acha?
Pensei um pouco e até que parecia uma boa ideia, podia ser divertido.
- Eu topo! - Sorri.
- Oba! - Me abraçou.
Euge e eu saimos em seguida, antes que Bernardo e Júlia aparecessem para mandar a gente trabalhar.
(...)
Juan
Eu não conseguia acreditar nisso, como Mar estava de aniversário e não me dizia nada? Eu precisava pensar em uma surpresa bem bacana pra ela.
Euge ficou encarregada de sair com a Mar pra gente organizar uma festa surpresa pra ela e tivemos que correr contra o tempo, já que tínhamos apenas algumas horas. Emilia e Nico ficaram de preparar os comes e bebes. Gastón, Tato e eu ficamos com a parte da decoração. Já os menores ficaram de encher os balões, os pequenos estavam super empolgados, adoravam festas. Eu também estava empolgado, mas porque era o aniversário da Mar.
Após terminar a parte da decoração, eu fui até a cozinha, onde Nico e Emilia estavam. O homem estava guardando alguns refrigerantes na geladeira e Emilia estava fazendo o bolo.
- Como estão as coisas aí? - Perguntei.
- Já fizemos os salgadinhos e os docinhos, agora estou terminando o bolo. - Disse a mulher.
- Ótimo! - Falei. - E vocês sabem do meu pai? Faz tempo que não vejo ele e a Júlia.
- Ah, eles tinham uns compromissos. - Disse Nico.
- Será que vão demorar? Tô sem limite no meu cartão de crédito e eu queria pedir uma grana pra ele pra comprar um presente pra Mar.
- De quanto você precisa? - O homem perguntou.
- Ah, não sei… Uns 50,00, talvez. - Respondi.
O homem tirou uma carteira do bolso da calça e pegou uma nota de 100,00.
- Toma! Compra o que você quiser pra ela. - Me entregou a nota.
- Sério? Puxa, obrigado Nico. Depois eu te pago.
- Não precisa, agora vá lá comprar o presente da Mar. - Me fez um leve cafuné.
Eu sai correndo, peguei as chaves do carro e busquei algo bacana pra comprar, mas eu não sabia o que dar pra ela, até que eu pensei em algo.
(...)
Mar
Eu estava em um shopping com Euge, havíamos passeado no local e tomamos sorvete, e a garota fez questão de pagar para mim, com o dinheiro que havia ganhado da mesada que Nico nos dá, eu até disse que não era necessário, mas ela fez questão.
De repente, Euge olhou as horas em seu relógio e falou:
- Está na hora!
- Do quê? - Perguntei sem entender do que ela falara.
- Hã… Está ficando tarde. Melhor a gente ir…
- Ah, tudo bem. - Dei de ombros.
A garota pagou os sorvetes e então fomos em direção ao abrigo, porém quando abrimos a porta da casa, eu tive uma tremenda surpresa. Estavam todos reunidos e começaram a bater palmas para mim. Era uma festa surpresa. Como eu não desconfiei de nada? Eu fiquei totalmente sem reação, não esperava por isso.
E então, ele entrou. Era Juan. Estava lindo como sempre, e ele estava… com um lindo buquê de flores. O meu olhar foi de encontro ao olhar dele e eu não consegui nem me mexer. Era como se eu estivesse hipnotizada por ele.