Preparativos

1104 Words
Alguns dias haviam se passado. Emilia estava nos ajudando bastante com a banda, ela escreveu algumas músicas pra gente e também nos ajudava a ensaiar, era como a nossa produtora, assim como Nico, que também estava nos dando a maior força. A gente seguia roubando e entregando drogas, e cada dia que passava, eu ficava mais revoltada com isso, estava de saco cheio disso. Eu estava na sala lendo um livro quando escutei uma gritaria. Era Lupita e Flor, que estavam discutindo por algo. - Alguém faz elas pararem, por favor? - Tomás pediu. - É, não aguentamos mais. - Disse Matteo. Fui até as crianças, me abaixei, ficando da altura deles e então perguntei o motivo da briga. - A Lupita ficou brava só porque eu não quero brincar de cobra cega. - Disse Flor. - Mas eu sempre brinco do que você quer. - A menina se defendeu. Eu pensei um pouco, e logo perguntei: - Flor, do que você quer brincar? - De esconde-esconde. - E por que não fazem assim… Brincam um pouco de cobra cega e um pouco de esconde, esconde. - Sugeri. As duas meninas se olharam em silêncio, mas logo concordaram com a minha ideia, e então saíram correndo com os meninos. Sorri enquanto via eles se afastarem. Ah, essas crianças… (...) Era um sábado. Era meu aniversário, e o que para muitos era motivo de alegria, para mim, era motivo de tristeza, pois eu não tinha motivos para comemorar, afinal, quando se faz aniversário, a gente quer ter nossos pais por perto, e eu queria isso, coisa que eu nunca tive. Nesse dia acordei bem pra baixo, vontade de ficar o dia inteiro na cama… De repente, Euge entrou no quarto e se surpreendeu ao me ver ainda deitada, pois já era 11h05, e por sorte Bernardo e Júlia não estavam em casa, assim acabaram não me acordando. - Mar? Você está bem? - Euge me perguntou. - Eu… Hã… Não muito! - O que houve? - Sentou ao meu lado. - Hã… Hoje é meu aniversário. - Sério? - Deu um pulo da cama. - Por que não me falou antes? Precisamos comemorar. - Não, Euge. - Levantei da cama. - Eu não quero. Não tenho motivos para comemorar. - Como não? Você está fazendo 17 anos, daqui um ano você estará livre. Bom, pensando por esse lado… Até que não era um mau motivo. Mas… Ah, sei lá… E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, Euge saiu em disparada do quarto, eu chamei por ela, mas não obtive retorno. Eu não sabia o que a loura estava pensando em fazer, mas também não estava com vontade de ir atrás dela, e por isso, acabei deitando novamente. Levantei perto da hora do almoço, tomei banho e depois desci para almoçar. Acho que Euge não havia comentado com ninguém sobre o meu aniversário, pois ninguém havia me parabenizado, e eu achava melhor assim, não queria que ninguém soubesse. Após o almoço, eu chamei Euge em um canto e pedi para ela não comentar com ninguém sobre o fato de eu estar fazendo aniversário, e ela me garantiu que não falaria para ninguém, já que eu preferia assim. - Mas eu acho que podíamos sair pra comemorar. Só eu e você. Passeio de garotas. - Disse a loura. - O que você acha? Pensei um pouco e até que parecia uma boa ideia, podia ser divertido. - Eu topo! - Sorri. - Oba! - Me abraçou. Euge e eu saimos em seguida, antes que Bernardo e Júlia aparecessem para mandar a gente trabalhar. (...) Juan Eu não conseguia acreditar nisso, como Mar estava de aniversário e não me dizia nada? Eu precisava pensar em uma surpresa bem bacana pra ela. Euge ficou encarregada de sair com a Mar pra gente organizar uma festa surpresa pra ela e tivemos que correr contra o tempo, já que tínhamos apenas algumas horas. Emilia e Nico ficaram de preparar os comes e bebes. Gastón, Tato e eu ficamos com a parte da decoração. Já os menores ficaram de encher os balões, os pequenos estavam super empolgados, adoravam festas. Eu também estava empolgado, mas porque era o aniversário da Mar. Após terminar a parte da decoração, eu fui até a cozinha, onde Nico e Emilia estavam. O homem estava guardando alguns refrigerantes na geladeira e Emilia estava fazendo o bolo. - Como estão as coisas aí? - Perguntei. - Já fizemos os salgadinhos e os docinhos, agora estou terminando o bolo. - Disse a mulher. - Ótimo! - Falei. - E vocês sabem do meu pai? Faz tempo que não vejo ele e a Júlia. - Ah, eles tinham uns compromissos. - Disse Nico. - Será que vão demorar? Tô sem limite no meu cartão de crédito e eu queria pedir uma grana pra ele pra comprar um presente pra Mar. - De quanto você precisa? - O homem perguntou. - Ah, não sei… Uns 50,00, talvez. - Respondi. O homem tirou uma carteira do bolso da calça e pegou uma nota de 100,00. - Toma! Compra o que você quiser pra ela. - Me entregou a nota. - Sério? Puxa, obrigado Nico. Depois eu te pago. - Não precisa, agora vá lá comprar o presente da Mar. - Me fez um leve cafuné. Eu sai correndo, peguei as chaves do carro e busquei algo bacana pra comprar, mas eu não sabia o que dar pra ela, até que eu pensei em algo. (...) Mar Eu estava em um shopping com Euge, havíamos passeado no local e tomamos sorvete, e a garota fez questão de pagar para mim, com o dinheiro que havia ganhado da mesada que Nico nos dá, eu até disse que não era necessário, mas ela fez questão. De repente, Euge olhou as horas em seu relógio e falou: - Está na hora! - Do quê? - Perguntei sem entender do que ela falara. - Hã… Está ficando tarde. Melhor a gente ir… - Ah, tudo bem. - Dei de ombros. A garota pagou os sorvetes e então fomos em direção ao abrigo, porém quando abrimos a porta da casa, eu tive uma tremenda surpresa. Estavam todos reunidos e começaram a bater palmas para mim. Era uma festa surpresa. Como eu não desconfiei de nada? Eu fiquei totalmente sem reação, não esperava por isso. E então, ele entrou. Era Juan. Estava lindo como sempre, e ele estava… com um lindo buquê de flores. O meu olhar foi de encontro ao olhar dele e eu não consegui nem me mexer. Era como se eu estivesse hipnotizada por ele.
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