A Ameaça

1304 Words
- Não precisa ter medo, nós queremos ajudar vocês, podem confiar na gente. - Disse Emilia. E com lágrimas nos olhos, eu falei: - Eu… Menti. Desculpa! - Por que você mentiria algo assim? - Nico perguntou. - Eu estava com medo. Mas eu não roubei, foi um m*l entendido, eu vi quando uma mulher esqueceu o celular na mesa de uma lancheria, e eu o peguei, mas eu ia devolver, juro que ia. - Eu soluçava de tanto chorar. - Está tudo bem, meu amor. - Emilia me abraçou. - Olha… Eu quero que todos saibam que se vocês quiserem nos contar algo, seja o que for, quando for, nós sempre estaremos aqui. Sempre. - Disse Nico. - Eu amo vocês. - Eu também amo vocês, garotos. - Disse Emilia. - Também amamos vocês. - Falou Nano. Eu estava muito m*l por mentir pra eles, mas eu não podia falar a verdade, Bernardo havia me ameaçado, e eu tinha tanto medo, e eu saiba que as coisas não acabariam assim. Queria estar errada. (...) Bernardo me levou até uma região de matas, que tinha perto do abrigo, o que me deixou com muito medo, pensei que ele fosse me m***r. Quando chegamos, ele pegou o meu braço com força, e adentramos aquele matagal. O homem me entregou uma pá, e disse: - Cava! Aos prantos, e muito assustada, comecei a cavar, como ele havia mandado. - Isso! Isso mesmo! Cava a tua própria tumba. Ao escutar isso, eu parei de cavar e olhei para ele apavorada. Ele ia me m***r, é isso mesmo? Eu não queria morrer, eu era muito nova e ainda tinha uma vida inteira pra viver, e eu também não queria morrer sem poder ser feliz. - Quê? - Perguntei desesperada. O homem me pegou pelo pescoço, me assustando mais ainda. - É isso que vai acontecer se você der uma de espertinha de novo. Tenta abrir o teu bico mais uma vez pra ver se eu não te mato. Ah, e você vai dizer pro Juan que inventou tudo e que só queria ficar com ele pelo dinheiro. Entendeu? Sem conseguir parar de chorar, apenas balancei a cabeça positivamente. O homem me soltou com agressividade e eu me ajoelhei na areia, aos prantos. O infeliz se retirou, me deixando ali sozinha, eu estava muito trêmula e assustada, não conseguia pensar em mais nada, fiquei com tanto medo, achei que ele fosse me m***r, e acho que ele era bem capaz disso. Me levantei e sai daquela região de matas, fui para a estrada e caminhei por uns cinco minutos, até que… - Mar? - Era um voz que eu conhecia muito bem. Me virei e o vi, o que fez eu chorar mais ainda. - Gastón! Fui em direção ao garoto, e o abracei, e ele me devolveu o abraço. - O que houve? - Perguntou soando preocupado. - O Bernardo… - O que aquele filho da p**a te fez agora? - Ele… Ele me levou para umas matas e mandou eu cavar, disse que era a minha tumba, caso eu falasse algo. - Voltei a chorar. - Calma, minha pequena, eu estou aqui. - Me abraçou carinhosamente. - Ele não vai te fazer m*l, eu vou te proteger. - Obrigada! - Dei um leve sorriso. Fui com o garoto até o abrigo e assim que chegamos, fui direto para meu quarto, onde estavam Euge e Tato se beijando. Deitei de bruços em minha cama e voltei a chorar. - Amiga? O que houve? - Euge perguntou. Eu contei tudo para os dois, que me ouviram com atenção. Cara, eu não entendia como Bernardo podia ser tão r**m assim. E eu não queria falar para o Juan aquelas coisas que Bernardo havia mandado eu dizer, mas eu não tinha muita escolha. Tomei um banho demorado e depois fui falar com Juan. O garoto estava na cozinha conversando com Nico, e assim que me viram, eles pararam de falar, talvez estivessem falando de mim, mas eu não liguei muito. - Juan… Hã… Podemos conversar? - Claro! - Vou deixar vocês a sós. - Disse o mais velho. Nico se retirou, e Juan e eu nos olhamos em silêncio, certamente ele estava esperando que eu falasse algo, e eu estava tentando encontrar uma forma. - Estou ouvindo… - Ele disse. - Eu… Hã… Desculpa. Eu… Menti. - Eu sabia! Claro! - Suspirou fundo. - Por que, Mar? - Eu… É que você não me deixou explicar, já foi logo me acusando… Foi tudo um m*l entendido… Eu só peguei aquele celular porque vi que a mulher tinha esquecido e eu queria devolver. - Se isso é verdade, por que não me falou antes? - Você nem deixou… E… Hã… Eu preciso te contar algo. Eu… Eu só queria ficar com você por… Por… - Respirei fundo. - Por causa do dinheiro. - Quê? - Me olhou decepcionado e com os olhos lacrimejados. - Você não pode estar falando sério. - Mas estou. Eu… Nisso, Euge e Gastón apareceram, o que fez Juan e eu ficarmos mudos. - Ah, aí está você… - Disse Euge. - Estávamos te procurando. Quer ficar lá fora com a gente? - Claro! Dei uma rápida olhada para Juan, que ainda me olhava com os olhos lacrimejados de pura decepção, e então, eu sai com os meus amigos. (...) Juan Eu não podia acreditar nisso. Por que Mar estava fazendo isso comigo? Por que havia mentido sobre o meu pai? E… Ficar comigo pelo dinheiro? Eu nunca pensei que… Ela não me parecia ser interesseira, achei que gostasse de mim de verdade do mesmo jeito que eu gosto dela, mas agora acabou, eu vou dar um jeito de esquecê-la e já sei como. Eu fui até o quarto do meu pai, que já estava deitado. - Posso entrar? - Perguntei. - Claro, filho. Entrei e me sentei na cama do meu pai, fiquei um pouco em silêncio, e então, eu disse: - A Mar me falou que ela mentiu. Desculpa por ter desconfiado do senhor. - Tudo bem, querido. Eu fiquei muito triste por você achar que eu seria capaz de algo assim, mas que bom que ela disse a verdade. - Pai… Eu estava pensando… Acho que vou voltar pros Estados Unidos, pra colocar a cabeça em ordem, e tentar esquecer a Mar, acredita que ela disse que queria ficar comigo só pelo dinheiro? - Ai, que absurdo! Mas acho que você faz bem em ficar um tempo fora, sabe que eu sempre vou te apoiar em tudo. - Obrigado, pai. - O abracei. (...) Emilia Eu não sabia no que ou em quem acreditar, primeiro a Mar diz uma coisa, e depois diz outra… Será por medo? Ou será que ela realmente mentiu da primeira vez? Bom, eu não descansaria até descobrir a verdade. Eu estava em meu quarto quando bateram à porta. - Quem é? - Perguntei. - Flor. - Respondeu. - Entra, meu amor. A menina entrou cautelosamente e se aproximou de mim a passos lentos. - Emilia, faz um penteado em mim? - Claro! Senta aqui. Se sentou em minha cama e eu peguei algumas borrachinhas da mão da garota. - Emilia… A minha mãe é má? - Perguntou enquanto eu arrumava o seu cabelo. - Por que você acha isso? - Pelas coisas que a Mar disse. - Mas ela é boa pra você, não é? - É sim! Ela brinca comigo e cuida de mim. - Então não tem como ela ser má. - Dei um beijo no rosto da criança. - Pronto, acabei o penteado. - Obrigada, Emilia. - A menina me abraçou e em seguida, saiu do meu quarto. Eu também estava confusa com tudo isso, mas eu ainda ia descobrir toda a verdade, custe o que custasse.
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