Assim que os meus lábios se separaram dos lábios de Nico, eu vi um pequeno ser nos olhando com um enorme sorriso.
- Vocês estavam se beijando… - Disse o menino. - Vocês estão namorando?
Nico me lançou um olhar intimidador como se me perguntasse se estamos, parecia que estava esperando que eu respondesse.
- Não, não estamos.
- Mas vocês se beijaram na boca. - Falou confuso.
- Mulheres, filho, mulheres… Mas eu adoraria que a Emilia aceitasse namorar comigo. O que você acha? - O homem se pôs a me olhar.
- Eu adoraria! - O garoto sorriu. - Emilia, aceita namorar o meu pai. Por favor.
Eu olhei para Tomás e depois para Nicolas, e não sabia o que responder, havia ficado surpresa com o pedido do homem, e fazia tempo que eu não namorava ninguém, desde que vivi uma relação tóxica com o meu ex no começo do ano passado, mas eu sabia que Nico não era assim, eu o conhecia há pouco tempo, mas eu tinha certeza de que ele seria incapaz de levantar a mão para uma mulher. E eu estava certa.
- Eu… Eu adoraria, Nico. Adoraria ser sua namorada.
O homem abriu um enorme sorriso, cobriu os olhos do filho e me beijou, fazendo eu sentir mil borboletas no estômago, como eu não sentia há muito tempo.
Após o nosso beijo, ele tirou a mão dos olhos do menino, e disse para ele:
- Eu trouxe um remédio para você.
- Remédio, papai? Podia ter trazido um chocolate, aposto que eu melhoraria rapidinho. - Falou fazendo a gente rir.
- Muito engraçadinho! Toma aqui esse remédio.
Nico deu o remédio para a criança, que tomou sem reclamar muito. E logo, o mais velho disse:
- Deixa eu ver como está essa febre.
O homem pegou um termômetro e tirou a temperatura da criança.
- 39 °C. Está alta. Vem, vamos tomar um banho.
- Papai, a Emilia pode me ajudar no banho?
Nico me olhou surpreso com a pergunta do menino, e eu também estava surpresa, mas confesso que achei fofo da parte da criança.
- Eu não sei, filho. - Olhou para mim. - O que você acha?
- Ah, por mim não tem problema. - Falei meio sem graça com a situação.
- Papai, posso tomar banho na tua banheira?
- Claro, campeão.
Levei Tomás até o quarto do pai, onde havia um banheiro com banheira, que o menino adorava. E eu dei banho nele enquanto brincava com as espumas na banheira, algo me dizia que ele melhoraria em breve.
(...)
Mar
O concurso estava se aproximando, e meus amigos (Euge, Gastón e Tato) me ajudaram a decorar a música que cantaríamos. Eu estava super empolgada com o concurso, bom, todos estávamos.
Já era noite quando nos encontramos com os garotos em frente ao quarto deles, íamos sair escondidos. Juan disse ao pai que iria a uma festa com a Dolores e o Márcio, e o homem não se importou, e com isso, o garoto ficou nos esperando escondido no quintal da casa, e Euge, Gastón, Tato e eu fizemos uma corda de lençóis para descermos.
- Onde vocês vão? - Perguntou Nano ao entrar no quarto.
- Nano? Olha só, precisamos sair, depois a gente te explica tudo. - Disse Gastón.
- Tá bem. Podem ir, qualquer coisa eu seguro as pontas aqui.
- Valeu, cara! - Disse o mais velho ao fazer um leve cafuné no menino.
Nós quatro descemos pela corda de lençóis e nos encontramos com Juan. Nano, que ainda estava no quarto, puxou a corda para cima para ninguém ver.
Nós cinco pulamos o portão da entrada e saímos de casa. Juan chamou dois carros por aplicativo, ele foi em um com Tato e eu fui no outro com Euge e Gastón. O garoto entregou para Euge o dinheiro do valor da corrida, pois obviamente estávamos sem dinheiro.
Cerca de quinze minutos depois chegamos ao local do show. Nos anunciamos na entrada e demos o nome da banda.
O local era muito grande, era uma casa de shows e estava lotado, pois tinha público, que ajudariam na votação.
Assim que chegamos, uma moça nos levou ao nosso camarim, e eu estava me sentindo uma celebridade, com camarim e tudo. No nosso camarim havia uma mesa com quatro cadeiras e dois sofás com três lugares cada, também tinha uma tv, onde podíamos ver as apresentações das outras bandas e era uma banda melhor que a outra, confesso que deu um pouco de medo.
Enquanto aguardávamos aproveitamos para ensaiar a música e os passos da coreografia.
De repente uma moça entrou em nosso camarim.
- Cinco minutos. Vocês são os próximos. - Falou a moça, se pondo a se retirar em seguida.
E o meu nervosismo estava aumentando.
- Ai, está chegando a hora. - Falei ao abraçar a Euge.
- Vai dar tudo certo. - Ela disse, ao me abraçar também.
- Como estou? - Perguntei.
- Linda como sempre. - Falou a loura.
- Obrigada, você também.
Ela sorriu e me abraçou novamente.
A moça da produção entrou novamente em nosso camarim e pediu pra gente acompanhá-la, e então a seguimos. Ela nos direcionou atrás de uma cortina preta e pediu pra gente aguardar até chamarem a gente.
- E com vocês, os Teen Angels. - Falou uma voz masculina.
Estava na nossa hora. Desejamos sorte uns aos outros e entramos no palco.