O Novo Visual

1130 Words
Respirei fundo, me virei vagarosamente e o vi ali parado diante de mim. - Achou que fosse escapar de mim? - O homem perguntou seriamente. - Hã… Não. Eu… - Eu posso saber o que você fazia naquele porão com o meu filho? - Ele disse que ia organizar umas coisas e pediu pra eu ajudá-lo, qual o m*l nisso? - ’’Qual o m*l nisso?’’ Eu já te disse que o meu filho não é da tua laia, e que eu não quero você perto dele, mas acho que não fui claro suficiente, então vou falar de outra forma. - Me pegou pelo braço. - Vem comigo. Bernardo me levou até o sótão, e confesso que fiquei com bastante medo do que ele faria comigo, pois esse homem não sabe o que é limites, bom, nem ele e nem a Júlia, e eu fico pasma como a Emilia, o Nico e o Juan não veem do que esses dois são capazes. Ah, as vezes me dava tanta vontade de fugir, estava tão cansada disso tudo, mas ao mesmo tempo eu não tinha pra onde ir, e não estava com vontade de dormir nas ruas de novo como eu já fiz uma vez, e ter que voltar a pedir esmola e tal, se bem que isso é bem melhor do que roubar, mas ainda tem a questão dos perigos, lembro o quanto eu ficava com medo cada vez que um grupo de garotos ou algum bêbado se aproximava de mim, por sorte não cheguei a ser assaltada, mas mesmo assim, há essa possibilidade. - O que você vai fazer comigo? - Perguntei. - Você já vai descobrir. Sente, por favor. - Falou a aberração do m*l. Me sentei em uma cadeira e fiquei encarando-o, enquanto tentava imaginar o que aquele animal estava tramando, e então, ele pegou uma tesoura, que de pequena não tinha nada e eu não conseguia nem imaginar o que ele faria com aquilo. - Vai me m***r? - Perguntei. - Não, isso seria muito fácil e levantaria muita suspeita. - Pensou por um instante. - Se bem que eu poderia dizer que você foi transferida. - Pensou mais um pouco. - Mas não sei se iriam acreditar e daria muito trabalho encontrar um bom lugar pra te enterrar. - Obrigada, você é tão gentil. - Dei um falso sorriso. - Não sei como você pôde ter um filho como o Juan, ah, se ele soubesse o monstro que tem como pai… - Cala boca, cala boca. O infeliz deu um t**a no meu rosto. Maldito! Ainda por cima é covarde, onde já se viu bater em mulher? Será que é isso que ele ensina para o filho? Ai, como eu odeio o Bernardo, como ele podia fazer isso? E tinha batido tão forte… Eu o olhei com raiva para ele enquanto tentava segurar as lágrimas, pois não queria dar esse gostinho pra ele, de me ver chorar, Bernardo não merecia isso. E então, o homem alisou aquela tesoura enquanto olhava fixamente para ela, parecia um psicopata, me deu tanto medo. E nisso, ele se aproximou de mim, e para minha surpresa e desespero, ele começou a cortar o meu cabelo, enquanto eu chorava e pedia pra ele parar. (...) Bernardo não havia cortado tanto, tipo, eu até pensei que ele faria algo meio chanel ou faria algum corte de menino e tal, mas não, foram alguns dedos, porém, o suficiente para eu ficar com mais ódio dele, pois eu não havia pedido isso, eu não estava nada a fim de cortar as minhas madeixas, e ele não podia ter feito isso sem a minha permissão. Eu fui bufando de raiva em direção ao meu quarto, e no corredor do andar de cima, eu passei por Gastón e Tato, que me seguiram até o meu quarto, onde estava Euge. - Cortou o cabelo, Mar? - Tato perguntou. - Não, o infeliz do Bernardo que cortou. - Falei indignada. - O quê? - Gastón perguntou furioso. - Desgraçado! Ele não podia fazer isso. Eu vou m***r aquele canalha. - Não Gas. - Euge o segurou impedindo que ele saísse e fizesse alguma loucura. - Você sabe como o Bernardo é, se você fizer algo, ele não deixará barato. - Tem razão. - O garoto disse mais calmo. Logo se aproximou de mim. - E quer saber? Continua linda. - Obrigada. - Falei meio envergonhada. - É Mar, tá legal, acho que o Bernardo até poderia ser cabeleireiro. - Tato disse, nos arrancando risos. Gastón e Tato me deram um beijo no rosto, e em seguida, os dois e Euge me abraçaram, ah, confesso que achei super fofo, eles eram bem legais, e sei lá, eu sentia como se eles gostassem de mim de verdade, sentia como se pela primeira vez eu realmente tivesse amigos, e isso era tão legal, até porque eu sempre quis ter amigos, mas pensei que isso nunca seria possível, até porque eu achava que nunca alguém iria querer ser meu amigo e tal. Ah, Euge chegou a me perguntar o porquê de Bernardo ter cortado o meu cabelo, e eu falei sobre o fato de ter ajudado o Juan a limpar o porão, o que acabou irritando bastante o infeliz do Bernardo, e bom, acho que Gastón não havia gostado muito disso, só não entendi muito o porquê, talvez fosse pelo fato dele não gostar muito do Juan. (...) - Mar? - Emilia me chamou. - Sim? - Cortou o cabelo? Gostei. - Mexeu um pouco em meu cabelo. - É bom repaginar o visual, as vezes. - É sim. - Falei. - Bom, vou preparar o jantar pra gente, quer me ajudar? - Sorriu. - Ah sim, só vou ao banheiro e já vou lá te ajudar. A mulher sorriu docemente e se retirou em direção à cozinha. Eu segui na direção do banheiro, quando me deparei com Juan, que pareceu surpreso ao me ver, fazendo eu ficar meio sem graça, sei lá, ele tinha me olhado de um jeito… - Mar, cortou o cabelo? - Não, tirei pra lavar, mas daqui a pouco eu coloco de novo. - Tá linda! - Falou para minha surpresa. - Você achou? - Perguntei meio sem graça. - Claro. - Hã… Obrigada. - Dei um leve sorriso. - Nisso, notei que Bernardo estava nos observando. - Bom, vou nessa, preciso ir ao banheiro e fiquei de ajudar a Emilia depois. - Ah, tudo bem. Eu fui ao banheiro, mas enquanto me afastava, senti o garoto me olhando, porém não quis olhar para trás para confirmar a minha suspeita. Quando sai do banheiro fui à cozinha, e vi Emilia cozinhando com a ajuda de Flor, Tomás e Euge. As crianças pareciam estar se divertindo bastante, sorri ao vê-las.
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