Presos No Porão

1257 Words
Eu não conseguia crer que eu estava presa em um porão com o chato do Juan, ai, o que eu fiz para merecer tamanho castigo? Já estava até começando a achar que eu devia ter escutado o Bernardo quando ele disse pra eu não me aproximar do filho dele, pois se eu tivesse escutado ele, não teria acabado presa com o garoto. - d***a! E agora, o que faremos? - Ele perguntou mais para ele, do que para mim. - Sério que está me perguntando isso? - Pensei por alguns segundos. - Talvez nos escutem se a gente gritar. Comecei a gritar sem parar, gritei o mais alto que eu conseguia e bati à porta, mas nada, enquanto isso, o lesado do Juan nem saiu do seu lugar. - Mar, não vai adiantar, esse lugar é a prova de som, ninguém pode nos ouvir do lado de fora. - Ah não, tá de onda… Legal, vamos morrer aqui. - Falei ao me sentar em um degrau da escada. - Hey, não vamos morrer. - Se sentou ao meu lado. - Nós vamos sair dessa, você vai ver. Juan até que foi legal, tentando me acalmar, embora não estivesse dando muito certo, pois eu estava bem grilada por estar presa em um lugar sujo e empoeirado, e pior que não tinha uma janela, que a gente pudesse tentar abrir para fugir. Sem saída e sem ter o que fazer, organizamos tudo o que tínhamos para organizar, e quando terminamos, nos sentamos na escada e ficamos esperando sentirem a nossa falta para nos resgatar, mas as horas passavam e ninguém aparecia, pô, como duas pessoas desaparecem e ninguém dá falta? Ainda bem que pelo menos não tínhamos sido sequestrados, pois senão estaríamos ferrados, porque se fosse depender de alguém, o sequestrador nos mataria sem ninguém notar a nossa ausência. E então, começou a me dar fome, sede, vontade de ir ao banheiro, sono, tudo junto e misturado, e naquele momento torci pra qualquer pessoa aparecer, mesmo que essa pessoa fosse Bernardo. - Mar… Você sempre morou em abrigos? - Sempre não, mas desde que eu era bem pirralha. - E gostaria de encontrar os seus pais? - Sinceramente? Acho que não. A não ser que eles tivessem mudado muito e fossem pessoas melhores, o que acho bem difícil. - Falei. - Por quê? Todo mundo pode mudar. - Ah, mas pra isso a pessoa precisa querer, e nem todo mundo quer mudar. - Isso é. - E você sempre morou aqui? - Perguntei. - Não. Esse abrigo foi fundado quando eu era bem pequeno, eu devia ter uns 3 ou 4 anos na época, dai o meu pai se mudou pra cá e eu vim junto. - E você não se importa? Afinal, você tem pai, não é órfão. - Ah, eu já estou acostumado. - Falei. - Mas eu até gosto, fiz bastante amigos assim. - E você se dá com os outros? - Sim, me dou bastante com o Tato e a Euge, já o Gastón… Bom, não temos uma relação tão boa. - Eu notei. - Falei ao lembrar da briga. O garoto riu e logo ficou em silêncio. Porém, em seguida, senti ele me olhar, no entanto, não quis olhar para ele para confirmar a minha suspeita, e… d***a! E agora, como que a gente faria pra sair desse lugar? Ah, e pra ajudar, Juan não havia nem levado o celular dele, provavelmente, porque pensou que seria algo rápido. Eu queria que fosse. (...) E já havia se passado horas, sério que éramos tão insignificantes pra ninguém sentir falta da gente? Bom, nem sei porquê eu estava surpresa, afinal, nunca fui importante para ninguém mesmo. E pra piorar, estava começando a esfriar, até porque aqui onde eu moro, faz 50°C à tarde e -4°C quando começa a anoitecer. - Tá ficando frio. - Falei. - Verdade. - O garoto olhou para todos os lados. - Hey! Ele se levantou e saiu em direção a umas prateleiras, de onde pegou um cobertor, e então, voltou a sentar ao meu lado. - Não está em ótimas condições, mas já é alguma coisa. - Cobriu a gente com o cobertor. - Obrigada. - Falei. - Já está bem melhor. - Que bom! - Sorriu se pondo a me olhar. - Mar… - Sim? - Você… Hã… Você tem namorado? - Não. Por quê? - Ah, por nada. - Você tem? - Namorado? - Namorada, né… - Ele riu. - Não, não tenho. Ainda. - Disse ao me olhar fixamente. Juan e eu ficamos conversando um pouco, e ok, ele não era tão insuportável, e acho que ele realmente era diferente do pai, e realmente acredito que ele não tinha nem ideia do tipo de pessoa que é Bernardo, pois ele falou tão bem do pai, do quanto era maravilhoso, que sempre fez de tudo para criá-lo sozinho e blá, blá, blá, e eu lá ouvindo tudo, com a língua coçando, mas sem poder falar nada, e bom, acredito que mesmo se eu falasse, Juan não acreditaria em mim. E quando eu estava quase dormindo, ouvimos um barulho. Juan e eu olhamos para cima e vimos Nico e Bernardo, acho que eu estava com problemas, certamente Bernardo faria picadinho de mim, e tudo bem que eu meio que havia procurado por isso, mas sei lá, deu medo de ver a forma que ele estava me olhava, eu quase fiz o número 1 nas calças quando vi o jeito que ele estava me olhando. - Mar? Juan? - Nico parecia preocupado. - A gente estava aqui arrumando tudo quando a porta fechou. - Disse Juan. - Bem que eu imaginei. - Nico falou. - Euge me disse que a Mar tinha desaparecido e Tato disse que você também tinha sumido, dai eu resolvi vir procurar vocês aqui. - E eu quis vir junto porque estava preocupado com você, meu filho e com a sua… adorável amiguinha. - Deu um sorriso mais falso do que nota de 3 reais. E bom, sendo assim, a gente saiu do porão, e eu sai correndo com medo do Bernardo vir atrás de mim, mas eu sabia que não conseguiria fugir por muito tempo. Fui correndo para a sala, onde avistei Emilia, que estava varrendo o chão, a mulher perguntou onde eu estava, e parecia bem preocupada, eu lhe contei e então, avistei por Bernardo me olhando de longe, estava sério e visivelmente furioso. - Emilia, quer ajuda? Posso tirar o **. - Peguei um pano que estava na mão da loura. - Obrigada Mar. - Tomou o pano da minha mão. - Pode ir descansar, você deve estar cansada após ficar tantas horas presa no porão. E então, avistei Euge, que sorriu ao me ver, e eu fui rapidamente até a garota e a abracei. - Me ajuda, o Bernardo está querendo me m***r. - Vem comigo. Euge e eu subimos as escadas correndo, e fomos para o nosso quarto, ela sugeriu que eu me escondesse dentro do guarda roupas e assim eu fiz. De repente, escutei barulho de passos, fiquei espiando pela fresta do guarda-roupa, e vi quando Bernardo entrou no quarto, ele perguntou por mim e Euge disse que eu não estava, ele ficou meio desconfiado, deu uma olhada rápida pelo quarto, mas foi embora. Eu respirei aliviada, e segundos depois, sai do meu esconderijo. (...) Eu havia ido ao banheiro, e quando sai tive uma tremenda surpresa. - Te peguei! - Uma mão tocou em meu ombro.
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