Nicolas
Eu não estava conseguindo acreditar nisso, Carla havia ficado anos fora, m*l dava um telefonema ou mandava um e-mail para saber do filho. No começo, quando menor, Tomás perguntava muito pela mãe e reclamava bastante de saudade, me doía ver o meu filho sofrendo pela ausência da mãe enquanto ela ficava meses sem dar um mísero telefonema, sem nem lembrar que tinha um filho. As vezes eu ficava com raiva por ela estar longe e fazendo o filho sofrer desse jeito, mas outras vezes eu morria de medo dela voltar e querer tirar o meu filho de mim, e eu sabia que se ela entrasse na justiça, eu perderia, pois por mais que eu tenha o registrado, um simples teste de DNA faria eu perder a guarda dele, e eu morreria se isso acontecesse, pois eu amo esse garoto como se fosse meu filho de sangue.
- O que você quer? Me diga, por que voltou? - Perguntei.
- Saudade do meu filho, queria ver como ele está.
- Como é? Você nunca se preocupou com ele, ficou anos fora e eu que cuidei desse menino sozinho, se hoje ele está lindo e bem cuidado, foi graças a mim e não a você.
- Eu sei, você tem razão. - Disse Carla. - Mas, por mais que não pareça, eu senti falta do meu filho.
- Se você está pensando em levá-lo… Em tirá-lo de mim…
- Nico, eu não quero tirar ele de você… Eu… Eu acho que podemos conversar melhor sobre isso.
- Conversar? - Perguntei sem entender direito.
- Eu… - Fez uma leve pausa. - Eu estou precisando de dinheiro.
- Como é?
Eu não conseguia acreditar nisso que eu estava ouvindo, era muita cara de p*u, Carla havia ficado anos fora e agora havia voltado como se tivesse ido até a padaria da esquina, e ainda estava tentando me arrancar dinheiro.
- Eu não acredito nisso. - Dei uma leve suspirada. - Você sabia que o Tomás foi sequestrado e ficou dias mantido em c*******o com criminosos? Não, é claro que você não sabia, porque você estava sei lá onde e nem estava preocupada com o teu filho.
- O Tomás foi sequestrado? - Perguntou fingindo preocupação.
- Viu? Você nem imaginava.
- Nico… Eu estou precisando de dinheiro.
Bufei de raiva enquanto eu pensava no que fazer, como uma mãe pode pedir dinheiro em troca do filho? Carla havia dito que caso eu não a ajudasse com dinheiro, ela tiraria o meu filho de mim, e eu não conseguia nem pensar nessa hipótese, eu morreria se ela tirasse o Tomás de mim, e depois de ter movido céus e terras para conseguir o valor do resgate do meu filho, agora eu precisava dar um jeito de conseguir o valor que Carla estava pedindo.
(...)
Após uma conversa longa e de eu ter respirado fundo umas 100 vezes pra não dar uns tabefes na mãe do meu filho - eu nunca havia batido em uma mulher em toda a minha vida, mas ela estava me tirando do sério - Carla resolveu ir falar com o filho, que nem parecia que havia ficado anos sem ver a mãe, não senti muita empolgação por parte dele, era como se a mulher fosse uma pessoa qualquer.
Carla disse que ficaria em um hotel próximo, e eu nem quis convidá-la para ficar no abrigo, pois estava com muita raiva dela.
(...)
À noite, passei no quarto da Gimena para ver se ela precisava de algo, bati à porta, Gime pediu que eu aguardasse, mas logo me deu permissão para entrar, e assim eu fiz.
- Vim ver se você precisa de algo. - Falei.
- Bom… Na verdade, eu estou me sentindo desconfortável, será que você pode ajeitar o travesseiro pra mim, por favor?
- Claro!
Fiz o que Gimena havia pedido, e ela logo pediu para eu fazer massagem em seus ombros, lhe ajudar a comer, a beber… Eu ajudei, fiz tudo o que ela havia pedido e depois fui até o quarto das crianças, que estavam fazendo uma guerra de travesseiro.
- Posso saber que bagunça é essa? - Perguntei fingindo estar bravo.
- Peguem o Nico. - Disse Matteo.
Flor, Lupita, Tomás e Matteo vieram para cima de mim, os quatro começaram a me bater com os seus travesseiros, e eu acabei caindo no chão, e os quatro caíram em cima de mim, aos risos. Logo, passei a fazer cócegas neles, que riram sem parar, e logo levantaram.
- Vamos, pra cama!
Os quatro deitaram em suas camas e eu dei um beijo de "boa noite" em cada um.
- Boa noite, campeão. - Falei para Tomás.
- Pai… A minha mãe vai me levar com ela?
- Você quer ir? Porque se você quiser…
- Não, eu quero ficar com você. - Falou.
- Mesmo?
- Claro. Eu te amo, eu moro em qualquer lugar, mas só se for com você.
Sorri e dei um selinho em meu filho, que sorriu também.
- Boa noite, pai.
- Boa noite, campeão.
Ao sair do quarto das crianças, eu me esbarrei com Emilia, que estava saindo do quarto das garotas.
- Como você está? - Me perguntou.
- Estou indo. Tô com medo da Carla tirar o Tomás de mim.
- Ela não vai, faz anos que você o cria sozinho.
- Obrigado! - A abracei.
Eu contei para Emilia, que Carla havia me pedido dinheiro e ela achou um absurdo, e realmente era.
Emilia e eu ficamos conversando por um bom tempo, eu gostava tanto de estar com ela, Emilia era a mulher mais linda e incrível que eu já havia conhecido em toda a minha vida.