Mar
Gastón e eu estávamos conversando em um banco do pátio, quando Dolores e Juan passaram pela gente e se sentaram em um banco perto de onde estávamos. Que d***a, agora essa jararaca vivia no abrigo atrás de Juan, e pareciam cada vez mais próximos, certeza que estavam ficando. E quando a loira viu que eu estava olhando para os dois, tascou um beijão naquele i****a, que nem recusou, acho que havia adorado. Ai, que ódio!
E de repente, Bernardo apareceu e foi até "os pombinhos", pude ver que ele sorria para Dolores e que falava com ela de forma amorosa, aposto que ele fazia gosto do namoro dos dois, claro, ela não era uma pobre órfã e tinha uma situação financeira boa, diferente de mim. Revirei os olhos ao ver aquela cena patética.
- Mar? Mar? - Gas me chamou. Voltei a olhar para o garoto. - Você não estava me ouvindo, né?
- Ai Gas, desculpa. Perdão mesmo. - Falei meio envergonhada pela situação.
- Tudo bem… - O garoto deu de ombros meio cabisbaixo.
Logo em seguida, o homem se retirou por alguns segundos e quando retornou estava segurando um balde, e então ele veio até a gente.
- O que vocês estão fazendo? - Ele perguntou.
- Nada. - Respondi.
- Ótimo. - Sorriu de forma falsa. - Eu quero que você limpe os vidros da janela do segundo andar por dentro e por fora, estão precisando de uma boa limpeza. - Fez menção em me entregar o balde com água.
- Mas…
- Deixa que eu faço isso. - Disse Gastón.
- Calma, vou arrumar um servicinho pra você, mas esse é dela.
O homem me entregou o balde, o olhei indignada pela situação, mas me dirigi até a parte superior da casa, fui para a sacada para limpar os vidros do lado de fora, porém, antes eu dei uma rápida olhada para baixo e vi que Bernardo já não estava lá, e Juan e Dolores seguiam conversando e a garota estava um pouco abaixo da sacada, foi aí que eu tive uma grande ideia. Percebi quando Gas -que agora estava conversando com Euge- me viu e fez sinal negativo com os dedos, já imaginando o que eu faria, acho que ele me conhecia melhor do que eu imaginava, porém, eu fiz sinal positivo com a cabeça, e então, derrubei o balde cheio de água em Dolores, que se assustou com o ocorrido. Acabei rindo com a cena. Gas também riu.
Dolores ficou furiosa e olhou para cima para ver de onde havia vindo a água, e eu apenas coloquei a mão aberta na boca, e fiz um ‘’ops’’, como se tivesse sido sem querer.
(...)
- Ela me molhou. - Disse Dolores para Bernardo.
- Foi sem querer. - Falei.
- Mentira! Ela me molhou de propósito porque está com ciúmes que eu estou ficando com o Juan, porque ela gosta dele.
- Como é? - O homem se virou para mim.
- É mentira, eu não gosto dele. - Falei.
O mais velho, virou para Dolores novamente, e disse:
- Querida, vá tomar banho e se trocar. Filho, vê uma toalha para ela, por favor.
Os dois saíram e engoli em seco, com medo do que pudesse vir a seguir. Me aproximei de Gastón, que me abraçou, e então, o mais velho disse para mim:
- Não pense que isso vai ficar assim, eu vou pensar em algo muito bacana para você.
Ele deu um falso sorriso e saiu, indo em direção à cozinha.
- O que será que ele vai fazer comigo? - Perguntei com medo.
- Não sei, mas eu estou aqui e vou te defender, viu? - Me abraçou, me passando confiança.
(...)
Mais tarde, eu contei para Euge todo o ocorrido, pois ela havia saído bem na hora que eu joguei água em Dolores, e acabou não vendo a cena. A loira também estava com medo do que estava por vir, só esperava que não fosse nada doloroso.
Ao passar pelo corredor da entrada para ir até a cozinha, ouvi Bernardo falar com Dolores e ele garantia que isso não ficaria assim e tal.
Fui à cozinha, me servi um pouco d'água e sentei à mesa, juntamente de Euge, Tato e Gastón.
- Por que o Bernardo gosta tanto dessa insuportável da Dolores? - Perguntei.
- Ah, ele torce para ela ficar com o Juan. - Disse Tato.
E de repente, Bernardo apareceu, estava tão sério que me deu até um frio na espinha. Ele ficou nos encarando e não disse nada em um primeiro momento. Logo começou a andar de um lado para o outro, e disse:
- Eu já sei o que farei com você. - Deu um sorriso maléfico. - Eu estou cansada de você, garota, é rebelde, desaforada, vive atrás do meu filho e agora apronta essa… Pois bem… Após pensar muito, eu decidi o que farei. Você irá ser transferida de instituição.
- Quê? - Todos perguntamos em uníssono.
Como assim? Transferida? Eu sei que era pra eu estar feliz com isso, já que eu estava cansada das coisas que Bernardo e Júlia mandavam a gente fazer, mas eu não conseguia ficar feliz com isso, porque eu tinha certeza que ele não me mandaria para um bom lugar, e sem falar que pela primeira vez eu tinha amigos. Eu não queria ir embora.