A Transferência

1066 Words
- Quê? Como assim? A Mar não pode ser transferida. - Disse Gastón. - E por que não? - O homem perguntou seriamente. - E o que você vai dizer pro Nico e pra Emilia? - Euge perguntou. - Isso é problema meu, Elisangêla. O homem nos deu as costas e saiu. Gas me abraçou, e logo Euge e Tato fizeram o mesmo. d***a, era pra eu estar feliz, mas eu não conseguia, eu não queria me mudar de novo, e com certeza, seria um lugar bem pior. Que raiva! Eu odiava o fato de não poder tomar as minhas próprias decisões. Eu precisava pensar em algo, eu não podia deixar que me transferissem sei lá pra onde, e se fosse longe? E se eu nunca mais visse meus amigos? Eu não queria isso. (...) Bernardo e Júlia inventaram para Nico e Emilia que eu iria ficar uns dias na casa de uma amiga da escola, pois ela havia recém perdido os pais e queria que eu ficasse uns dias em sua casa, uma desculpa super fajuta, não sei como Nico e Emilia acreditaram, bom… a loura até me perguntou se isso era verdade e eu tive que dizer que sim. Eu estava caminhando pelo corredor quando passei pelo escritório do Bernardo e ouvi vozes, ele estava falando com alguém, com um homem. Me aproximei vagarosamente e pude ouvir a conversa dos dois, Bernardo dizia: - A Mar é uma das internas mais difíceis, como me dá dor de cabeça essa garota… - Não se preocupe, cuidaremos muito bem dela. - O homem disse. - E quanto aquele nosso combinado? - Aqui está. É toda a quantia que combinamos, semana que vem te dou o restante do pagamento. - Ok, espero que ela não me dê muita dor de cabeça, senão terei que cobrar o dobro. Me apavorei ao ouvir a conversa dos dois e coloquei a mão direita na boca sem acreditar naquilo que eu havia ouvido, não podia ser, ele não podia… Me virei para ir para meu quarto e acabei esbarrando em Gas, que havia vindo em minha direção. - O que houve? - Me perguntou. - Vamos sair daqui. Fui com o garoto até o meu quarto, onde Euge conversava com Tato, e a loura já foi logo perguntando o que havia acontecido, acho que havia notado a minha cara de espanto, também, depois do que eu acabei de ouvir, não era pra menos. - O Bernardo… - Falei. - Ele… Ele me… Me vendeu. - Quê? - Os três perguntaram. - Como assim, Mar? - Tato me questionou. - Explica isso melhor. - Eu escutei quando ele estava falando com um homem, e ele estava pagando esse homem para ficar comigo. - Agora ele extrapolou todos os limites. - Disse Gas furioso. - Ele não pode fazer isso? O que ele está pensando? A gente precisa falar com o Nico e com a Emilia. - Falar o quê? - Bernardo perguntou ao entrar no quarto acompanhado por Júlia e um homem. - Que você vendeu a Mar pra esse sujeito. - Disse Gas ficando frente a frente com Bernardo. - Você acha o quê? Que a Mar é algum objeto que se pode comprar e vender? - Tipo isso! E experimenta dizer algo, que você verá o que eu farei com a Lupita, e de brinde, com o Matteo também. Podem ir, mas não digam que eu não avisei. O homem logo se virou para mim, e disse: - Valério, essa é a Marina. - Mariana. - O corrigi. - Tanto faz! E esse é o Valério, você irá para o abrigo dele. Olhei para o homem e ele estava muito sério, não parecia nada amigável, me deu calafrios. - Podem ir, tem que ser antes da Emilia e do Nicolas voltarem do mercado. - Disse Júlia. - Não, eu não quero. - Comecei a chorar. - Não levem a Mar, por favor. - Disse Euge sem conseguir parar de chorar. Notei que Tato e Gastón também estavam chorando e os dois abraçaram a Euge. O homem pegou o meu braço a força e me levou até o pátio para irmos para o tal abrigo dele. Nisso, Juan, que estava chegando se surpreendeu ao me ver com o homem. - Mar? Onde você vai? E o que está havendo? - Juan, filho… A Mar está indo passar uns dias na casa de uma coleguinha, pois ela perdeu os pais e está muito tristinha. Hã. E esse é o tio da garota que veio buscar a Mar. - Não demora muito lá, vou sentir saudade. Sem conseguir dizer nada, apenas acenei positivamente com a cabeça. O homem me colocou dentro do carro e deu partida. E eu fui o caminho todo chorando e rezando para algum dia voltar a ver os meus amigos. (...) Depois de uns 40 minutos, o homem parou o carro em frente a uma casa velha, que parecia mais um castelo de bruxas dessas histórias infantis. - Venha! Vou te apresentar o pessoal. - Falou seriamente. Descemos do carro e entramos no abrigo. Logo duas mulheres apareceram. Uma era a cozinheira e outra era a sócia do seu Valério. Ambas pareciam muito más, m*l falaram e ficavam me encarando seriamente. Logo, o homem chamou pelos internos, que em seguida, apareceram. Havia três crianças (sendo duas meninas e um menino), uma garota que não devia ter mais de 11, 12 anos e dois adolescentes, que deviam ter a minha idade, era uma garota e um garoto. Todos estavam usando aventais e estavam muito sujos, o que chamou a minha atenção. - Essa aqui é a Mariana, ela irá morar aqui. - Disse o homem. - Por pouco tempo. - Falei. - Isso é o que veremos. - Deu um sorriso sarcástico. - Esses são Gabriel, Flora e Catarina. - Falou se referindo às crianças. - Pode me chamar de Cat. - Disse a menina. - Ela gosta desse apelido só porque é gato em inglês. - Disse Gabriel ao revirar os olhos. - Silêncio! - Gritou o homem. - Essa é a Vanessa. - Apontou para a garota de uns 11 anos. - E esses são Fernando e Caridade. - Se referiu aos adolescentes. Olhei para todos e notei Caridade sorrindo, parecia muito simpática e legal, talvez a gente pudesse se dar bem, pelo menos, é o que espero.
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