- Quê? Como assim? A Mar não pode ser transferida. - Disse Gastón.
- E por que não? - O homem perguntou seriamente.
- E o que você vai dizer pro Nico e pra Emilia? - Euge perguntou.
- Isso é problema meu, Elisangêla.
O homem nos deu as costas e saiu. Gas me abraçou, e logo Euge e Tato fizeram o mesmo. d***a, era pra eu estar feliz, mas eu não conseguia, eu não queria me mudar de novo, e com certeza, seria um lugar bem pior. Que raiva! Eu odiava o fato de não poder tomar as minhas próprias decisões. Eu precisava pensar em algo, eu não podia deixar que me transferissem sei lá pra onde, e se fosse longe? E se eu nunca mais visse meus amigos? Eu não queria isso.
(...)
Bernardo e Júlia inventaram para Nico e Emilia que eu iria ficar uns dias na casa de uma amiga da escola, pois ela havia recém perdido os pais e queria que eu ficasse uns dias em sua casa, uma desculpa super fajuta, não sei como Nico e Emilia acreditaram, bom… a loura até me perguntou se isso era verdade e eu tive que dizer que sim.
Eu estava caminhando pelo corredor quando passei pelo escritório do Bernardo e ouvi vozes, ele estava falando com alguém, com um homem. Me aproximei vagarosamente e pude ouvir a conversa dos dois, Bernardo dizia:
- A Mar é uma das internas mais difíceis, como me dá dor de cabeça essa garota…
- Não se preocupe, cuidaremos muito bem dela. - O homem disse. - E quanto aquele nosso combinado?
- Aqui está. É toda a quantia que combinamos, semana que vem te dou o restante do pagamento.
- Ok, espero que ela não me dê muita dor de cabeça, senão terei que cobrar o dobro.
Me apavorei ao ouvir a conversa dos dois e coloquei a mão direita na boca sem acreditar naquilo que eu havia ouvido, não podia ser, ele não podia… Me virei para ir para meu quarto e acabei esbarrando em Gas, que havia vindo em minha direção.
- O que houve? - Me perguntou.
- Vamos sair daqui.
Fui com o garoto até o meu quarto, onde Euge conversava com Tato, e a loura já foi logo perguntando o que havia acontecido, acho que havia notado a minha cara de espanto, também, depois do que eu acabei de ouvir, não era pra menos.
- O Bernardo… - Falei. - Ele… Ele me… Me vendeu.
- Quê? - Os três perguntaram.
- Como assim, Mar? - Tato me questionou. - Explica isso melhor.
- Eu escutei quando ele estava falando com um homem, e ele estava pagando esse homem para ficar comigo.
- Agora ele extrapolou todos os limites. - Disse Gas furioso. - Ele não pode fazer isso? O que ele está pensando? A gente precisa falar com o Nico e com a Emilia.
- Falar o quê? - Bernardo perguntou ao entrar no quarto acompanhado por Júlia e um homem.
- Que você vendeu a Mar pra esse sujeito. - Disse Gas ficando frente a frente com Bernardo. - Você acha o quê? Que a Mar é algum objeto que se pode comprar e vender?
- Tipo isso! E experimenta dizer algo, que você verá o que eu farei com a Lupita, e de brinde, com o Matteo também. Podem ir, mas não digam que eu não avisei.
O homem logo se virou para mim, e disse:
- Valério, essa é a Marina.
- Mariana. - O corrigi.
- Tanto faz! E esse é o Valério, você irá para o abrigo dele.
Olhei para o homem e ele estava muito sério, não parecia nada amigável, me deu calafrios.
- Podem ir, tem que ser antes da Emilia e do Nicolas voltarem do mercado. - Disse Júlia.
- Não, eu não quero. - Comecei a chorar.
- Não levem a Mar, por favor. - Disse Euge sem conseguir parar de chorar.
Notei que Tato e Gastón também estavam chorando e os dois abraçaram a Euge.
O homem pegou o meu braço a força e me levou até o pátio para irmos para o tal abrigo dele. Nisso, Juan, que estava chegando se surpreendeu ao me ver com o homem.
- Mar? Onde você vai? E o que está havendo?
- Juan, filho… A Mar está indo passar uns dias na casa de uma coleguinha, pois ela perdeu os pais e está muito tristinha. Hã. E esse é o tio da garota que veio buscar a Mar.
- Não demora muito lá, vou sentir saudade.
Sem conseguir dizer nada, apenas acenei positivamente com a cabeça.
O homem me colocou dentro do carro e deu partida. E eu fui o caminho todo chorando e rezando para algum dia voltar a ver os meus amigos.
(...)
Depois de uns 40 minutos, o homem parou o carro em frente a uma casa velha, que parecia mais um castelo de bruxas dessas histórias infantis.
- Venha! Vou te apresentar o pessoal. - Falou seriamente.
Descemos do carro e entramos no abrigo. Logo duas mulheres apareceram. Uma era a cozinheira e outra era a sócia do seu Valério. Ambas pareciam muito más, m*l falaram e ficavam me encarando seriamente.
Logo, o homem chamou pelos internos, que em seguida, apareceram. Havia três crianças (sendo duas meninas e um menino), uma garota que não devia ter mais de 11, 12 anos e dois adolescentes, que deviam ter a minha idade, era uma garota e um garoto.
Todos estavam usando aventais e estavam muito sujos, o que chamou a minha atenção.
- Essa aqui é a Mariana, ela irá morar aqui. - Disse o homem.
- Por pouco tempo. - Falei.
- Isso é o que veremos. - Deu um sorriso sarcástico.
- Esses são Gabriel, Flora e Catarina. - Falou se referindo às crianças.
- Pode me chamar de Cat. - Disse a menina.
- Ela gosta desse apelido só porque é gato em inglês. - Disse Gabriel ao revirar os olhos.
- Silêncio! - Gritou o homem. - Essa é a Vanessa. - Apontou para a garota de uns 11 anos. - E esses são Fernando e Caridade. - Se referiu aos adolescentes.
Olhei para todos e notei Caridade sorrindo, parecia muito simpática e legal, talvez a gente pudesse se dar bem, pelo menos, é o que espero.