Um Lugar Terrível

1109 Words
- Vem, eu vou te mostrar o nosso quarto. - Disse Caridade. A garota seguiu em direção ao quarto, e eu fui atrás dela, e fomos seguidas por Vanessa. Lembrei da Euge, pois ela também foi correndo me mostrar o nosso quarto, ah, já estava morrendo de saudade dela. Ao chegarmos no quarto, eu levei um enorme susto, o local era escuro, sujo e fedido, tinha algumas camas super velhas e um guarda roupa todo empoeirado e quebrado, nada mais que isso. - Por favor, me diz que… - Espirrei. - Isso é um so… - Espirrei de novo. - Sótão. Porque isso não… - Mais um espirro. - Tem como ser um… - Outro espirro. - Quarto. Vanessa e Caridade se olharam em silêncio. Acho que eu conhecia essa novela, e não tinha um final nada feliz. - E que cheiro é esse? - Perguntei enjoada. - A gente adoraria limpar todo esse quarto, pois esse fedor é terrível, mas não deixam, só podemos limpar o resto do abrigo, mas o nosso quarto e os dos meninos são proibidos de serem limpados. - Disse Caridade. - Uma vez a gente até tentou limpar, mas descobriram e apanhamos horrores. - Eles batem em vocês? - Perguntei. - Quase todos os dias e por qualquer coisa. - Respondeu Vanessa. Ótimo! Agora eu serviria de saco de pancada! E quando eu achava que não podia piorar… Ah, como eu queria poder dar um jeito de falar com o Nico e com a Emilia, se bem que eles nem sabem da verdade, de onde estou. Eu contei para as garotas sobre o abrigo do Bernardo, e elas ficaram horrorizadas sobre o fato de termos que roubar e entregar drogas, porém, Caridade disse que preferia isso do que ser saco de pancada, e eu realmente não sabia o que era pior, mas acho que iria descobrir. - Tô com fome. - Falei. - O que tem pra comer? Caridade olhou as horas e logo disse: - Bom, você pode comer daqui… há cinco horas. Mas acho que na hora de comer, a tua fome passará. - Como assim? - Aqui só temos duas refeições por dia, e a comida é h******l, sopa, pães duros, arroz englobado, salsicha de uma semana, e é daí pra pior. - Eca! - Fiz cara de repúdio! - Se bem que eu já morei nas ruas e as vezes não tinha nem isso para comer. Pouco depois, o tal Valério apareceu no quarto, me entregou um avental e ordenou que a gente fosse limpar toda a casa, o que achei um absurdo, já que a casa era grande, mas ainda era muito melhor do que ter que roubar ou entregar drogas. Eu estava limpando o chão da cozinha com um pano velho, enquanto os demais estavam em outros cômodos da casa, e de repente, Valério apareceu e estava furioso. - O que você pensa que está fazendo? - Perguntou. - Hã… Tirando uma selfie. O que acha? - Como é? - Me puxou pelos cabelos com muita agressividade. - Está zombando da minha cara? Acha que sou i****a? - Eu não disse isso. - Dei de ombros. - Você vai limpar o chão com isso. - Me entregou uma escova de dentes velha. - Mas com isso eu só vou terminar semana que vem. - Ó, que peninha! - Soltou os meus cabelos de forma brusca. - Termine isso que depois nós vamos ter uma conversa muito séria, pois não pense que você pode falar de qualquer jeito comigo. Agora, ande, que não quero ver nenhuma sujeirinha. Me olhou seriamente e eu o olhei com muito ódio, enquanto tentava conter o choro, pois não queria dar esse gostinho a ele. (...) Eu recém tinha acabado de limpar o chão da cozinha como o homem havia ordenado, eu estava cansada, com a coluna e os joelhos doendo, por ficar tantas horas abaixada limpando, e estava suando muito, tudo o que eu queria naquele momento era um belo banho. Porém, antes que eu saísse da cozinha para ir me organizar para tomar banho, o seu Valério apareceu com semblante sério, como sempre. - Terminou? - Aham. - "Aham"? Fala direito, infeliz! - Terminei, senhor. - Bem melhor. Venha comigo. - Posso tomar banho antes? - Como é? - Me olhou seriamente. - Nada, não. Vamos lá, primeiro o senhor. O homem se dirigiu para seu escritório e ordenou que eu o seguisse, e assim eu fiz, mesmo contra a minha vontade. Entrei no escritório, que era limpo, organizado e cheiroso, diferente do quarto que eu teria que dormir. - Você precisa aprender como as coisas funcionam aqui. - Falou. O homem caminhou de um lado para o outro em minha frente, e logo passou a me olhar de um jeito nojento. - Sabe… Até que você é bem gostosinha. - Se aproximou de mim, e eu dei dois passos para trás, batendo com as costas na parede. - Não encosta um dedo em mim. - Falei com os olhos marejados. - E se eu encostar toda a mão? - Apertou o meu seio. Eu comecei a chorar e em um ato de defesa, dei uma joelhada no órgão genital do desgraçado, que se contorceu de dor e sai correndo do escritório. O homem veio atrás de mim e nisso dei de cara com Valentina, a sócia do Valério. "Fudeu" - Pensei. - ''Aposto que ela deve concordar com tudo o que ele faz.'' - O que houve, Mariana? - A mulher perguntou. - Ele… - Essa desgraçada não quis obedecer uma ordem minha e está tentando fugir do castigo. Eu o olhei meio confusa e nisso percebi que talvez a mulher não concordasse com tudo. E então, o homem me pegou pelo braço e me levou de volta ao escritório, e a mulher nos seguiu, confesso que eu fiquei aliviada por isso, porém, não imaginava o que viria nos minutos seguintes. Assim que entramos no escritório, o homem já foi logo tirando o cinto e eu lembrei do que as meninas falaram das agressões, o que me deu bastante medo. E então ele veio pra cima de mim e começou a me bater com o cinto e eu comecei a chorar muito, não pelas agressões em si, mas sim, porque lembrei de quando o meu pai batia em minha mãe e em mim, e isso doeu mais do que as cintadas, que me deixaram toda roxa. Porém, minutos depois eu m*l conseguia caminhar e foi aí que as dores das agressões começaram a surgir, não conseguia nem sentar direito. p***a, por que eu não podia ter um pouco de paz?
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