Cap. 4

1272 Words
Quando chegamos no palácio senti Carter me sacudir levemente. — Chegamos princesa. Quando abri os olhos senti meu rosto queimar. Por Deus, não era a intenção dormir em seus braços. Pulei repentinamente enquanto provavelmente parecia uma tola. Tentei ajeitar o vestido encharcado, o que foi em vão. — Perdoe-me, eu ... — Não se preocupe alteza. Balancei a cabeça levemente. — Não tenho palavras para agradecê-lo. — Fiz o que qualquer pessoa faria. - Ele retrucou sorridente. Abri um sorriso para o cavalheiro a minha frente sem entender o porquê de meu coração estar saltando tão rápido no peito. — Venha, por favor, quero que meu pai saiba que fui salva por ti. — Não há necessidade alteza, por favor ... Eu puxei seu punho sem muita cerimônia, para quem havia dormido em seus braços puxa-lo não seria nada demais. Entrei na sala real encharcada, papai deu um pulo de seu trono ao meu ver. Ele estava analisando uma espécie de papelada, mas as deixou de lado enquanto se aproximava de mim. — Aurora? O que houve? - Perguntou assustado enquanto me segurava pelos ombros. Torci os lábios. Como ele havia chegado a minha frente tão rápido? Reprimi uma risada. — Cai no lago, quase me afoguei. Ou me afoguei... Hãm ... - Fiz uma pequena pausa enquanto observava os olhos do meu pai se abrirem lentamente. — Bom, o que importa de fato é que fui salva pelo soldado Caster e ... Creio que devamos recompensa-lo de algum modo. Ele apertou as mãos em meus ombros. — Afogou-se? Aurora, Deus, o que fiz de errado? .- Ele perguntou a ninguém específico. — Estou bem papai. - Encolhi os ombros e antes que pudesse dizer algo, ele me abraçou molhando toda sua pomposa roupa. — Carter? .- Ele perguntou. — Traga-me o rapaz. Eu assenti e dei de ombros. Abri a porta real e Carter estava parado com os braços cruzados apenas esperando ser chamado. Fiz um sinal para que ele se aproximasse e ele, igualmente encharcado entrou na sala real e fez uma reverência ao meu pai. — Alteza. - Sussurrou cabisbaixo. Deixando de lado toda pompa de Rei, papai o abraçou. E naquele momento, ele era apenas o meu pai. Não o Rei mais bem sucedido dentre vários países, não o melhor Rei da França, não um Rei. Somente, o meu pai. — Não sei como agradecê-lo por ter salvo minha filha. Céus, nada que eu lhe desse seria o suficiente. — Nada é necessário soberano. Sigo a coroa fielmente e estava apenas cumprindo meu trabalho. Meu pai afastou-se. Andou em círculos e se virou novamente para o soldado. Uma chama acendeu-se em seus olhos. — Será Capitão a partir de hoje, soldado. Lhe darei ouro como recompensa, e um cargo acima. Os olhos de Carter brilharam de maneira esplendia. Senti vontade de abraçá-lo também, mas sabia bem quão impróprio poderia ser, então me contentei em sorrir e internamente me alegrar por ele. — Senhor ... - Ele disse com a voz fraca. — Não sei como agradecer. — Então agora estamos igualmente gratos. - Meu pai sorriu e se virou para mim. — E quanto a senhorita, não sairá mais sozinha em nenhuma hipótese. Estamos entendidos? E ele voltara a ser o Rei. — Mas papai ... — Sem mais Aurora. Leve-o até a saída e retorne. - Ele tocou no ombro de Carter . —  Mais uma vez, serei eternamente grato capitão. Ele fez uma reverência e evidenciou quão emotivo havia ficado com o cargo novo. Quando saímos da sala real eu enlacei meu braço ao seu enquanto cantarolava e dava pulinhos, como resposta ganhei um olhar assustado. — Seremos grandes amigos. - Eu disse e vi uma sombra de dúvidas surgir em seus olhos. Não era comum que pessoas da realeza - como eu - se tornassem amigas de pessoas como Carter. A sociedade exigia que tivéssemos um respeito mútuo uns pelos outros, mas amizade seria pedir um pouco demais... Mas oras, isso nunca fizera diferença alguma para mim. — O que? Não pensou que salvaria minha vida e não me veria nunca mais, não é? Precisará de mais do que uma cara torcida para se livrar de mim Carter. Ele emitiu um barulho engraçado, algo parecido com uma risada e animou-se caminhando em meu lado. Começou a cantarolar junto e andar no mesmo ritmo. Ignoramos completamente o fato de estarmos ridículos e encharcados. Bom, se bem que, Carter não poderia ficar ridículo nem mesmo feito um gato molhado. Ele ainda estava divino... ~ 2 anos depois ... E não havia sido diferente do que eu o disse naquela tarde, éramos inseparáveis. Dois anos haviam se passado desde que Jonny me salvará da morte. E mesmo que vivêssemos realidades diferentes nós acabamos criando um forte laço de amizade. Meu coração estava despedaçado em saber que teria que partir. Que teria que ficar longe dele e o mais doloroso era saber que nada poderia mudar isso. Ainda que agora fosse um tenente, ele nunca teria autoridade o suficiente para mudar um tratado entre Reis. Nem mesmo eu poderia. Nem mesmo mamãe que tentara duas ou três vezes... Me levantei mais cedo que o habitual e corri ao seu encontro, como havíamos combinado no dia anterior. Precisava vê-lo com urgência antes de partir. Precisava me despedir ... Para evitar especulações - o que não faltava -  optávamos por nos encontrar escondidos atrás do estábulo, um lugar isolado do palácio aonde na primeira hora do dia ninguém ia. Eu corri ao seu encontro e o abracei com urgência. Meu coração era de Jonny, por mais que ninguém soubesse disso e provavelmente ninguém nunca saberia, nem mesmo ele, eu o amava ... Em menos de duas luas eu seria princesa consorte de Roma e esposa do príncipe Ethan. — Já está de partida? .- Ele perguntou melancólico. Havia tanta dor presente em seus olhos, e eu pude ver que como eu, ele também estava quebrado. Fiz que não com a cabeça. Sairia naquele dia rumo a Roma, mas não ainda. Eu emoldurei seu rosto sem controle de minhas ações. Nossos olhos estavam presos um no outro. — Aurora, eu ... — Diga. - Falei em expectativa enquanto o encarava com os olhos acesos e esperançosos. Jonny deu um passo à frente e tomou meus lábios. Ele me beijou. Deus, no primeiro instante deixei os braços caídos, não sabia o que fazer. Mas afinal, o que fazer num momento como esse? Mamãe nunca havia me falado sobre as intimidades entre um homem e uma mulher e provavelmente só me diria na minha noite de núpcias - que seria com Ethan. - Eu o afastei. — Sentirei sua falta. - Balbuciei antes de dar de ombros e correr para o mais longe possível. Não queria, não podia me torturar dessa forma. Ainda que o amasse com todo o meu coração jamais poderíamos ficar juntos e por Deus, Ethan não merecia tanta falta de consideração de minha parte. Eu corri o mais rápido que pude até o palácio. Sabia que seria em vão, mas tentaria pela última vez convencer meu pai de que talvez, e só talvez eu pudesse ser mais útil na França. Não tinha uma conta exata de quantas vezes havia suplicado por isso, mas sem duvidas haviam sido muitas. Por um lado, entendia que papai não havia tido outra opção, mas me doía saber que entre meus irmãos eu havia sido a única sem opção de escolha. — Papai. - Bradei enquanto entrava em sua sala eufórica. Minha garganta estava seca e o coração acelerado. Aquela seria minha última chance ...
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