Cap. 3

981 Words
Como planejado passamos uma longa e divertida semana no palácio de Roma. Passei a maior parte dos meus dias com o príncipe, que tinha uma mania terrível de alterar entre um excelente humor e uma carranca séria. Mas fora de fato, uma semana mágica. Nos conhecemos e nos divertimos como nunca antes havia me divertido. Mas não podia negar que sentia saudade de casa. Das minhas servas, do meu sobrinho - que tinha quase a minha idade - de Alana, e até mesmo dos meus irmãos e irmãs que iam nos ver com pouca frequência. Quando chegamos a nossa propriedade corri ao abraço de Alana. — Céus, como senti saudade. — Pensei que não voltariam mais.- Ela disse enquanto me abraçava forte. — Nem me fale Lana. - Disse entredentes. — Preciso de um banho e um passeio minha irmã, se não se importa, vou me apressar. — Claro querida, vou ver papai e mamãe. - Ela disse antes de dar de ombros. Alana era filha de meu pai com uma jovem que conhecera na adolescência, Dalila, mas fora criada por minha mãe desde os seus cinco/seis anos, algo do gênero, portanto, ainda que não fosse sua mãe de sangue, era como se fosse. E ainda que não fôssemos irmãs por parte de mãe, era como se fôssemos. Subi as escadas apressadamente, por sorte - e eficiência de minhas servas - o banho já estava pronto. Deixei meu corpo relaxar no lavado enquanto imagens da semana anterior passavam em minha mente. O príncipe era uma pessoa incrível e de uma beleza estonteante, isso não podia negar. Talvez - e provavelmente - nunca nos amássemos como meus pais, mas quem sabe pudéssemos fazer isso dar certo no final das contas. Depois de me aprontar de maneira leve decidi dar um pequeno passeio pela região. Mesmo que meus pais odiassem que eu fosse aos arredores sem guardas permitiam algumas poucas vezes e essa fora uma dessas. Caminhei pela orla do lago enquanto chutava pedrinhas ao seu redor e contemplava a paisagem a minha frente. O céu estava nublado e provavelmente em breve cairia uma chuva tremenda. Continuei passeando aos arredores, até que subi no mais alto precipício para visualizar a paisagem ao todo. Mas um alto trovão foi capaz de me desestabilizar. Senti meu pé escorregar e meu corpo ser lançado no lago abaixo. A pressão fora surreal me causando um grande ardor nas costas que foram em contato com o lago gélido. A água entrava pelas minha narinas e pela minha boca enquanto eu tentava gritar por socorro e debatia todo o meu corpo. Nunca havia sido uma boa nadadora, na verdade, sequer sabia nadar. Naquele momento vi toda a minha vida passar frente aos meus olhos, não havia um jeito de ser salva, a tempestade viria e ninguém poderia me salvar, era uma área afastada e provavelmente não haveria ninguém por perto. Deixei meu corpo desfalecer, já cansada de lutar contra a correnteza que me arrastava cada vez para mais longe de superfície. Nos meus últimos segundos de consciência, quando pensei estar perdida, senti uma forte mão pegar minha cintura e me arrastar para fora da água. Meus pulmões estavam cheios de água, e de certa forma eu podia senti-los dessa forma. Tentei me mover, tentei falar algo, tentei respirar, mas tarefas tão fáceis como essas haviam tornado-se impossíveis. Então, senti seus lábios em contato com o meu. Seja quem fosse, soprou seu fôlego em minha boca me fazendo voltar a respirar. Eu tossi, tossi tanto que meu corpo jogou fora todo e qualquer vestígio de água que ainda tinha dentro de mim. Com certa dificuldade, me sentei e abri os olhos devagar. Um anjo havia me salvado? Deus, só podia ser um anjo. — Alteza, como se sente? - Ele perguntou com a voz entrecortada. Seu cabelo molhado estava desgrenhado, ainda que estivesse cortado bem rente. Os olhos âmbar do garoto não saiam de cima de mim, estava visivelmente preocupado e claramente sabia muito bem minha identidade. Aparentemente, não era muito mais velho do que eu, mas já devia ter seus dezenove/vinte anos ... — O-obrigada. Estou bem. - Sussurrei confusa. Ele apoiou suas mãos fortes na minha cintura e me ajudou a levantar. — Sou Carter. Soldado Jonny Carter, a seu dispor alteza. - Ele disse com firmeza. Oras, eu devia ter imaginado, papai jamais me permitiria sair sem nenhum guarda e esse em questão, provavelmente estava me vigiando a espreita, mas dessa vez, eu não murmuraria. — Lhe devo minha vida, soldado. O recompensarei .- Tossi mais uma vez enquanto andava apoiada em seu ombro. — Não será necessário nenhum tipo de recompensa senhorita, importa-me agora que voltemos ao palácio, que se cuide e evite uma pneumonia. - Ele sorriu, e céus, algo dentro de mim ardeu. Meu coração saltou no peito enquanto o encarava. Mas vista que nos braços do homem que salvara minha vida, poderia ser diferente? Eu esbocei o mais perto de um sorriso que consegui. Meus pulmões ainda estavam estranhos e minhas pernas m*l davam conta de segurar meu corpo. — Certo. Creio que um banho quente e sopa não seja lá tão m*l. - Eu disse ofegante. Ele riu antes de se curvar um pouco. — Com sua licença ... Ele passou um braço por baixo das minhas pernas e com o outro envolveu minha cintura. Soltei um baixo grito quando me vi em seu colo e agradeci por isso. Provavelmente logo desfaleceria ali mesmo, aonde estávamos. Minhas pernas estavam falhas e meu fôlego escasso. Por algum motivo distinto, poderia dizer que me senti segura. Nunca o havia visto, nunca sequer havia ouvido falar de algum soldado Caster, mas por mais inusitado que pudesse parecer, em seu colo senti aconchego e seu olhar penetrante me transmitia confiança. Descansei a cabeça em seu ombro e sem que me desse conta, adormeci em seus braços.
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